McDonald’s expulsa mulher que tentava aplicar insulina

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Diabética tipo 1 há mais de uma década, Sarah foi expulsa de restaurante por ter sido confundida com drogada. Entenda a horripilante história.

Sarah Pike, 36 anos, mãe e diabética há 13 anos, sofreu forte preconceito em restaurante de fast-food.

Sarah Pike, 36 anos, mãe e diabética há 13 anos, sofreu forte preconceito em restaurante de fast food.

Esta foi provavelmente a experiência mais humilhante da minha vida, algo deste tipo nunca havia acontecido comigo antes“.

Este é o relato de uma atônita Sarah Pike, britânica de 36 anos, mãe de duas crianças e diabética tipo 1 há 13 anos.

Na última sexta-feira, Sarah foi ao McDonald’s de sua cidade, Banbury. Pediu um Big Mac e, antes de começar a comer, retirou da bolsa uma caneta para aplicação de insulina.

Como toda pessoa que está com diabetes e cuida direitinho da saúde, Sarah só queria controlar os níveis de glicose no sangue antes de ingerir uma refeição recheada de gorduras, como é o caso de um sanduíche de fast food.

Porém, assim que começou a aplicar a insulina, funcionários do restaurante exigiram que ela se retirasse do local, acusando-a de estar se drogando com substâncias pesadas.

“Eu fiquei chocada. Eu tenho diabetes tipo 1, então preciso utilizar insulina antes das refeições todos os dias, e eu disse várias vezes que não dá para modificar o conteúdo da caneta injetora (de insulina), mas ninguém acreditou em mim”.

Por estar com diabetes tipo 1, Sarah tem de aplicar insulina quatro vezes ao dia. O que deveria ser uma atividade rotineira para ela, todavia, acabou se tornando uma grande dor de cabeça.

 

DESCULPAS E CONSELHOS

O restaurante da rede McDonald’s (ver foto abaixo) emitiu um pedido público de desculpas à sra. Pike, dizendo que “(…) nós nos empenhamos para criar uma atmosfera amigável nos nossos restaurantes e sinceramente pedimos desculpas à sra. Pike por qualquer mal-entendido”.

As desculpas não foram o suficiente para Sarah. Ela ficou bastante chocada com o tratamento recebido e acredita que ele é sintoma da ignorância generalizada da população quanto aos sintomas do diabetes.

“Eu sou diabética há 13 anos e acho que existe um desentendimento geral sobre o que a condição significa”, disse Sarah. “Eu penso que mais deveria ser feito para ajudar a educar todas as pessoas sobre a condição.”

Para grande surpresa da inglesa, alguns amigos dela chegaram a sugerir que ela deveria ter aplicado a injeção de insulina “escondida”.

“Alguns amigos me disseram que eu deveria ter ido ao banheiro ou a algum outro local privado para aplicar as injeções, mas esta não é a questão”, replicou a sra. Pike. “Eu não entendo por que eu teria que fazer isso se injetar insulina é uma experiência diária na minha vida”.

O restaurante McDonald's da cidade de Banbury, na Inglaterra, que expulsou Sarah.

O restaurante McDonald’s da cidade de Banbury, na Inglaterra, que expulsou Sarah.

 

NÚMEROS EM PERSPECTIVA

A Inglaterra, local onde o episódio ocorreu, possui uma população de 53 milhões de pessoas. Destas, pelo menos 3 milhões (ou cerca de 5,6%) estão com diabetes, sendo que aproximadamente 850.000 novos casos ainda não foram diagnosticados.

Acredita-se que de 10-15% dos diabéticos ingleses tenha o tipo 1 da doença, o que significa que devem aplicar insulina todos os dias, às vezes diversas vezes. Sendo que há tanta gente com diabetes tipo 1 (e este número só aumenta), já passou da hora da população compreender melhor a doença, seus sintomas e os métodos de controle utilizados. Portanto, toda e qualquer campanha educativa é sempre bem-vinda.

Isto evitaria que casos absurdos e abusivos como o de Sarah (ou da pobre mulher com hipoglicemia que foi recentemente agredida por policiais) ocorressem, infelizmente, com tamanha freqüência.

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  • Andrea dos Santos

    Estou inconformada!!!

  • Fernandinha

    Tadinha da Sarah, eu me solidarizo com o sofrimento dela e desejo muito que este tipo de atitude fique logo logo no passado.

  • Acredito que vc Sarah, deveria conversar com um advogado.
    Sarah, I think you should talk to a lawyer about this.

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