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Sistema inovador de monitoramento contínuo utiliza microagulha especial, 50x menor que as atuais, tornando-o 100% indolor.

As infames “picadas no dedo” para mediar a glicemia são algumas das maiores reclamações de quem convive com o diabetes.

Apesar de serem parte essencial do nosso dia a dia, ajudando a manter a quantidade de açúcar no sangue sempre sob controle, é inegável que tirar sangue da ponta dos dedos está longe de ser uma atividade agradável ou livre de incômodos.

Nos últimos anos, surgiram ou chegaram ao Brasil diversas soluções para esta questão. As mais populares são os sistemas de monitoramento contínuo da glicemia. Com eles, basta a inserção, geralmente na região próxima da barriga ou no braço, de um adesivo contendo uma agulha, e ela irá medir continuamente a glicemia por um longo período de tempo (dias, semanas ou até mesmo meses até precisar ser trocada), enviando os dados para um aparelho especial ou para o seu smartphone. Quer saber a glicemia agora, neste exato momento? Basta olhar para o telefone!

Porém, esses sistemas estão longe de ser perfeitos. Principalmente porque a medição da glicemia pelas “tradicionais” picadas nos dedos é, ainda, o método mais confiável e que traz os resultados mais próximos da realidade. Além disso, por causa de seu tamanho, as agulhas dos sistemas atuais ainda não são “indolores”. Sua principal vantagem é evitar as picadas várias vezes ao dia, substituindo-as por picadas (para instalar o aparelho) mais esporádicas.

Novo monitor contínuo de glicemia – comparativo do tamanho das agulhas. Imagem adaptada de KTH Royal Institute of Technology

Pesquisadores suecos, no entanto, parecem ter dado um passo importante para resolver os problemas atuais dos medidores contínuos de glicemia e trazer muito mais conforto – e saúde – para quem está com diabetes.

Já imaginou um sistema de monitoramento contínuo de glicemia que absolutamente não dói nadinha – e que mostra resultados tão confiáveis quanto os da picada no dedo? Vamos conhecer essa novidade!

 

CONHEÇA O NOVO SISTEMA DE MONITORAMENTO CONTÍNUO

Um passo à frente em termos de qualidade de vida para os usuários

Pesquisadores do KTH Royal Institute of Technology em Estocolmo, capital da Suécia, estão finalizando o desenvolvimento de um sistema inovador de monitoramento contínuo de glicemia repleto de novidades interessantíssimas para quem convive com o diabetes.

A primeira delas é que o sistema funciona a partir de uma microagulha (veja na imagem acima) – ela é 50x menor do que as agulhas usadas atualmente nos sistemas de monitoramento. Trata-se de uma diferença gritante.

Além disso, o aparelho, tão pequeno, poderá ser utilizado em praticamente qualquer área do corpo – nos testes, ele é aplicado no braço dos voluntários, e mede a glicemia com precisão.

Outro diferencial: sensores enzimáticos especiais conseguem ler a glicemia a partir das quantidades de glicose presente no fluido intersticial da própria pele. Isso é o que permite que a agulha seja tão pequenininha – não é preciso “ir fundo” para medir a glicemia com precisão. O tamanho diminuto da agulha também permite que a instalação do aparelho seja 100% – isso mesmo, 100%! – indolor, uma vez que ela não ativa nenhum receptor de dor.

De acordo com os últimos testes divulgados pelos pesquisadores, a taxa de confiança dos dados das medições feitas pelo novo aparelho é alta, praticamente a mesma das picadas nos dedos. Todavia, os dados possuem um “atraso” de 10 minutos – isto é, apesar de medir a glicemia o tempo inteiro, os resultados do aparelho mostrarão como estava sua glicemia dez minutos atrás.

ALGUMAS LIMITAÇÕES DOS SISTEMAS DE MONITORAMENTO CONTÍNUO DE GLICEMIA ATUAIS

  • Tamanho da agulha: no mínimo, as agulhas precisam ter 7mm de comprimento – alguns modelos chegam a ser bem mais extensos. Com isso, sente-se a dorzinha da “picada” na hora da instalação do aparelho na pele.
  • Local de medição: praticamente todos os sistemas atuais medem a glicemia a partir de informações coletadas no tecido adiposo, que está longe de ser o melhor local para este tipo de análise. Por isso mesmo, é necessário recalibrar os sistemas periodicamente, a partir das tradicionalíssimas picadas nos dedos.

 

 

O NOVO SISTEMA ESTÁ PRONTO PARA USO? QUANDO SERÁ VENDIDO?

Informações sobre o aparelho em desenvolvimento

O novo sistema teve dados divulgados na última edição do periódico científico Biomedical Microdevices. No artigo, os pesquisadores explicam que já testaram protótipos, com sucesso, em humanos e agora um período de testes clínicos já está em andamento.

A parte mais complexa do desenvolvimento – a criação da agulha especial e dos sensores enzimáticos inovadores – já está praticamente concluída. A pesquisa foca, no momento, na criação do adesivo que irá grudar a microagulha na pele e no aperfeiçoamento dos algoritmos que analisam os dados coletados pelos sensores.

Ainda não há prazo para o lançamento do dispositivo, mas os cientistas afirmam que será “em breve”. Estaremos de olho no desenrolar dessas etapas e traremos informações adicionais aqui no Diabeticool.

 

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

  • Ribet, F., Stemme, G. & Roxhed, N. Biomed Microdevices (2018) 20: 101. https://doi.org/10.1007/s10544-018-0349-6.
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