Diabetes como você nunca viu antes

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Nova técnica de captação de imagens permite observar, com riqueza de detalhes, órgãos afetados pelo diabetes. Os resultados impressionam.

Uma equipe de cientistas da Universidade de Umeå, na Suécia, está deixando de queixo caído colegas ao redor do mundo. Seu trabalho ao longo dos últimos cinco anos tem sido o de aperfeiçoar técnicas de visualização de estruturas biológicas microscópicas, com um foco especial em órgãos relacionados ao diabetes. Os últimos resultados alcançados foram imagens nunca antes observadas das pequenas estruturas da natureza. O avanço na tecnologia de visualização permite que diagnósticos muito mais precisos possam ser realizados em diabéticos no futuro próximo, além de abrir oportunidades para acompanhamento de inovadores tratamentos e terapias.

O trabalho dos pesquisadores de Umeå mostrou resultados tão positivos que o time receberá mais de um milhão de reais em verbas da União Européia. Com este patrocínio, espera-se que aumente a colaboração entre grupos de pesquisas sobre diabetes no continente – o que pode significar evoluções mais rápidas na busca por curas para a doença.

Imagem inédita captada pela nova tecnologia, mostrando estruturas do pâncreas de um camundongo com diabetes tipo 1. Em azul, as ilhotas de Langerhans, produtoras de insulina. Em vermelho, os vasos sangüíneos. Em verde, células auto-imunes invasoras, que destroem as células produtoras de insulina, causando o diabetes.

Imagem inédita captada pela nova tecnologia, mostrando estruturas do pâncreas de um camundongo com diabetes tipo 1. Em azul, as ilhotas de Langerhans, produtoras de insulina. Em vermelho, os vasos sangüíneos. Em verde, células auto-imunes invasoras, que destroem as células produtoras de insulina, causando o diabetes.

 

Entendendo as belas imagens

O trabalho dos cientistas suecos é aperfeiçoar imagens de estruturas biológicas obtidas através de tomografias. Mais especificamente, eles utilizam um tipo de tomografia chamado de tomografia de projeção óptica. A vantagem de uma tomografia, em comparação a uma fotografia comum, é captar uma “fatia” interna de um objeto sem precisar cortá-lo. Isto é essencial em métodos não-invasivos de diagnóstico, ou quando há impossibilidade de “abrir” um objeto (como um órgão vivo) para observar seu interior. Máquinas de tomografia mais modernas são capazes de capturar centenas de imagens de “fatias” de um objeto, a partir de diferentes ângulos, e então, com a ajuda de um computador, montar estas imagens em um objeto virtual de três dimensões.

Tratamentos inovadores para o diabetes poderão ser testados a partir de agora, como implantar ilhotas de Langerhans em pacientes e acompanhar, sem cirurgias, a evolução da terapia. A imagem mostra o fígado de um camundongo (em cinza) no qual ilhotas foram transplantadas (azul). Em vermelho estão os vasos sangüíneos.

Tratamentos inovadores para o diabetes poderão ser testados a partir de agora, como por exemplo implantar ilhotas de Langerhans em pacientes e acompanhar, sem cirurgias, a evolução da terapia. A imagem mostra o fígado de um camundongo (em cinza) no qual ilhotas foram transplantadas (azul). Em vermelho estão os vasos sangüíneos.

 

Há cinco anos, os suecos conseguiram um avanço importante na tecnologia da tomografia ao permitirem a captação de imagens de órgãos inteiros, desde que relativamente pequenos (como pâncreas de camundongo) – até então, era possível apenas utilizar seções ou amostras pequenas de órgãos em um tomógrafo de projeção óptica. Agora, a equipe anunciou no The Journal of Visualized Experiments que já é capaz de captar imagens de órgãos ainda maiores por completo. Por exemplo, um pâncreas inteiro de um rato, bem maior que o de camundongos, pode ser analisado pela técnica. A importância disto é grande, uma vez que ratos são considerados fisiologicamente mais próximos dos seres humanos do que os camundongos. Desta forma, estudos feitos a partir de órgãos de ratos serão muito mais úteis e proveitosos para a compreensão de doenças humanas, assim como para o desenvolvimento de novas terapias. O aumento na resolução das imagens foi obtido utilizando-se luz infravermelha para a captação das “fatias”.

A nova técnica permite visualizar órgãos muito maiores do que anteriormente era possível. Em vermelho, as ilhotas de Langerhans de dois pâncreas – o de camundongo (à esquerda e bem menor) e um de rato (à direita).

 

O uso da luz infravermelha, além de permitir visualizar órgãos maiores, ainda traz outra vantagem. Os cientistas serão capazes de visualizar diferentes tipos celulares ao mesmo tempo a partir de uma mesma amostra. Como exemplo, eles escrevem no artigo que será possível rastrear simultaneamente as ilhotas de Langerhans (onde a insulina é produzida) do pâncreas, as células auto-imunes e a distribuição de vasos sangüíneos no órgão – todos estes fatores de extrema relevância nas pesquisas sobre diabetes tipo 1 (veja o exemplo na primeira figura do artigo).

A Suécia tem sido pioneira na criação de revolucionárias técnicas de captação de imagens médicas sem a necessidade de cirurgias no paciente. Grupos de pesquisa no mundo inteiro estão em uma corrida para encontrar a melhor maneira de permitir aos médicos observar com detalhes o funcionamento do corpo humano de maneira não-invasiva, método considerado o futuro da tecnologia médica. Todos os pacientes agradecem!

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  • Gilberto Figueiredo

    Achei a matéria muito interessante e faço votos para que os estudos sejam aperfeiçoados para uma melhor compreensão a respeito da doença. Grato. Gilberto.

  • mara lara

    uma esperança para os dibeticos