Campinas e região: chance de cirurgia bariátrica na UNICAMP

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Universidade abre inscrições para grupo pré-operatório no dia 12 de março. Conheça os critérios para a seleção.hospital das clinicas unicamp diabetes

A cirurgia bariátrica, também conhecida como cirurgia de redução do estômago, é uma das técnicas médicas mais eficazes no combate à obesidade e, também, ao diabetes tipo 2. Existem estimativas que afirmam que 80% dos diabéticos operados chegam a “reverter” a doença – ou seja, o organismo volta a controlar, naturalmente, a glicemia da maneira correta. Apesar das vantagens, este procedimento é ainda caro, e opções gratuitas são muito procuradas. A boa notícia é que a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está abrindo vagas para seleção de candidatos a cirurgias bariátricas. O evento ocorre no próximo dia 12, às 8h da manhã, no Ginásio Multidisciplinar do campus de Campinas.

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Os critérios básicos exigidos para a inscrição são:

  • Ter ao menos 16 anos de idade;
  • Índice de Massa Corporal (IMC) mínimo de 40;
  • ou então IMC mínimo de 35, caso a pessoa tenha alguma doenças grave associada (como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, síndrome metabólica, apneia do sono).

Estes critérios são os mesmos determinados pelo Conselho Federal de Medicina para a realização da cirurgia nas redes públicas do país.

 

POR QUE A CIRURGIA NÃO É A CURA

Vale lembrar que a cirurgia bariátrica não é simplesmente um procedimento passivo, no qual o médico retira uma parte do estômago e, como num passe de mágica, todos os problemas de saúde desaparecem. É preciso comprometimento total por parte do operado em querer melhorar o estilo de vida. Os médicos pedem para que, antes da operação, a pessoa perca pelo menos 10% do seu peso e que, no pós-operatório, controle com extremo rigor o plano alimentar.

No caso dos diabéticos, a exigência de comprometimento é igual. Os casos de reversão da doença só ocorreram em pacientes que passaram a se alimentar melhor – ingerindo menos açúcares e gorduras e mais vitaminas, proteínas e fibras – após a cirurgia. Além disso, é recomendada a prática rotineira de exercícios físicos. O procedimento médico auxilia na redução de peso e na manutenção da boa forma, mas não é o segredo para melhorar a glicemia. O segredo é, sem dúvida, uma dieta mais equilibrada.

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MAIS DETALHES

As informações a seguir são do Portal Unicamp:

A Unicamp efetua inscrição para o grupo pré-operatório de cirurgia bariátrica (de redução do estômago) no dia 12 de março, às 8 horas, no seu Ginásio Multidisciplinar (GMU). No ano passado, a seleção ocorreu durante a Caminhada de Prevenção à Obesidade, no Parque Portugal, em Campinas. Na ocasião, foram cadastrados aproximadamente 2 mil candidatos à cirurgia. A expectativa agora é atingir mil cadastros. Os interessados devem vir ao Ginásio com algum documento que o identifique. Segundo o gastrocirurgião Elinton Adami Chaim, serão selecionados pacientes cujo Índice de Massa Corporal (IMC) é igual ou maior que 40 ou, maior que 35, quando se tratar de pacientes com doenças graves associadas, como por exemplo hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, síndrome metabólica, apneia do sono. Chaim e a equipe da Universidade envolvida na iniciativa se mostram animados com a possibilidade de oferecer à população de Campinas e região uma chance mais pontual de combater a obesidade mórbida. Em entrevista para o Portal Unicamp, ele aborda os critérios dessa seleção e fala sobre as vantagens de fazer a cirurgia nos casos recomendados.

Portal Unicamp – Qual a idade mínima para essa cirurgia?

Chaim – A partir de 16 anos.

Portal Unicamp – Qual a expectativa desse evento no Ginásio Multidisciplinar da Unicamp?

Chaim – Esperamos um público maior que mil pessoas obesas.

Portal Unicamp – Quais as técnicas mais utilizadas na Unicamp?

Chaim – São duas, que também são as mais consagradas: Bypass Gástrico e Scopinaro. A técnica Scopinaro é mais indicada para pacientes portadores de diabetes grave.

Portal Unicamp – Em termos percentuais, quantos pacientes voltam a ganhar peso depois de terem se submetido à cirurgia?

Chaim – Ocorre 10% de reganho de peso no geral. Consideramos este percentual baixo. Mas há ainda aqueles pacientes que voltam a ter obesidade mórbida. Este percentual então permeia a casa dos 2%. A causa disso é que lhes falta preparo psicológico e eles não conseguem fazer a introdução de atividade física como um hábito de vida, como recomendamos.

Portal Unicamp – Como deve ser feita a manutenção no pós-cirúrgico?

Chaim – Esses pacientes deverão passar por um acompanhamento médico pelo resto de suas vidas. Eles não têm alta. Isso porque precisam fazer reposição de vitaminas e carecem ainda de um acompanhamento psicológico e nutricional.

Portal Unicamp – No pós-cirúrgico, é possível a desnutrição?

Chaim – Pode acontecer quando o paciente acaba fazendo uma alimentação desequilibrada, mas isso não é comum.

Portal Unicamp – O que acontece no pós-cirúrgico imediato?

Chaim – Nesse momento é introduzida a dieta fracionada, e em pequena quantidade, e é indicada atividade física leve, bem como acompanhamento multidisciplinar.

Portal Unicamp – O paciente com sobrepeso é candidato a essa seleção?

Chaim – Não. A cirurgia é indicada estritamente para obesos mórbidos. O motivo é que a literatura demonstrou que, em longo prazo, pode ocorrer uma redução na expectativa de vida do indivíduo, de aproximadamente 15 anos. Além do mais, observou-se que, para o paciente com sobrepeso, não existe benefício que justifique a cirurgia. Pelo contrário, ele vai enfrentar riscos, sendo que, com uma dieta aliada à atividade física, ele poderá perder peso tranquilamente. O tratamento cirúrgico, então, é a última opção, sobretudo por conta do risco que existe de morbimortalidade.

Portal Unicamp – Como controlar a ansiedade no pós-operatório?

Chaim – Aqui na Unicamp fazemos acompanhamento psicológico para controle das compulsões, que certamente aparecem, além, é claro, do seguimento médico.

Portal Unicamp – Quais são os riscos decorrentes da cirurgia?

Chaim – Em curto prazo, podem ocorrer sangramentos, tromboembolismo pulmonar e infecções. Já, em longo prazo, pode haver desnutrição, anemia e o aparecimento de novas compulsões. É o caso de pacientes que passam a ingerir uma grande quantidade de leite condensado, achocolatados, refrigerantes e bebidas alcoólicas.

Portal Unicamp – A cirurgia pode ser feita mais de uma vez?

Chaim – Para as técnicas empregadas na Unicamp, a cirurgia é única. E a perda de peso, que é gradativa, deve acontecer ao longo de um ano.

Portal Unicamp – Por que é preciso emagrecer antes da cirurgia?

Chaim – É que se o paciente perder 10% do seu peso, ele diminui complicações como hérnias incisionais e tromboembolismo pulmonar, que podem inclusive levar à morte.

Portal Unicamp – Quais suas recomendações aos pacientes que virão à Unicamp para participar dessa seleção?

Chaim – Quem já está cadastrado, não precisa se cadastrar novamente. Os pacientes têm que fazer um pré-agendamento pelo Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, o DRS VII. A nossa equipe estará no Ginásio no dia 12 para passar orientações iniciais e esclarecer dúvidas. O paciente deve entender que precisa perder peso e precisa ver vantagem no emagrecimento, principalmente para a sua saúde. Eles precisam ter vontade e também acatar as orientações para atingir a meta de perda de peso. Aqueles que vierem no dia do agendamento vão passar por pesagem e aqueles que já conseguiram perder 10% do peso serão inseridos automaticamente no Programa Multidisciplinar de Cirurgia Bariátrica.

 

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