Novidade da Ciência: tratar o diabetes…com gordura!

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Pesquisa descobre tipo inédito de gordura “do bem” que controla as taxas de açúcar no sangue e pode ajudar a controlar o diabetes.

instituto salk diabetes

Pesquisadores do Instituto Salk, nos EUA, descobriram o novo tipo de “gordura boa” para a saúde.

As gorduras (também chamadas de lipídeos) são normalmente associadas a dietas não saudáveis, ao ganho de peso e entupimento de artérias. Mas nem todas as gorduras são assim. Uma recente pesquisa descobriu novos tipos de lipídeos que parecem ser benéficos para o organismo. Eles podem, até mesmo, levar a novos métodos de prevenção e de tratamento do diabetes.

O estudo, realizado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, investigou uma descoberta feita ainda na década de 90. Pesquisadores haviam notado que pessoas obesas ou com diabetes tipo 2 tinham quantidades muito baixas de uma proteína chamada Glut4. Essa proteína é um transportador presente em células de gordura e músculos e que ajuda na absorção do açúcar – ou seja, ajuda a diminuir a glicemia. Para estudar melhor a Glut4, os cientistas alteraram ratinhos de laboratório, geneticamente, para que eles produzissem mais dessa importante proteína.

 

QUANDO A OBESIDADE É SINÔNIMO DE SAÚDE

Esses animais intrigaram os cientistas. Eles eram obesos, mas tinham níveis de glicemia e insulina de roedores saudáveis. A Glut4 tinha, aparentemente, feito com que novos lipídeos fossem produzidos. Para os pesquisadores, esses lipídeos seriam benéficos e explicariam toda a saúde dos ratinhos. Mas como provar isso? Era preciso achar essas moléculas misteriosas para realmente entendê-las.

medindo obesidade

Para isso, a equipe de Harvard se uniu com o biólogo Alan Saghatelian, do Instituto Salk para Estudos Biológicos de San Diego, na Califórnia. Usando uma técnica que consegue identificar moléculas pelo seu peso, eles viram que os ratinhos que produziam mais Glut4 tinham também maior quantidade de 4 tipos de lipídeos. Esses lipídeos, porém, eram diferentes de todos os que a ciência conhecia até então.

No total, foram descobertos 16 novos tipos de gorduras, que os cientistas chamaram de FAHFAs (da sigla em inglês fatty acid-hydroxy fatty acids).

Para testar os efeitos das novas moléculas, os cientistas deram os FAHFAs para ratos que tinham uma dieta rica em gorduras e eram resistentes à insulina. O resultado foi que o nível de glicemia desses animais diminuiu e suas habilidades de absorver açúcar aumentaram. Segundo Saghatelian, dar FAHFAs para os ratinhos “tratou o diabetes deles”.

Mais importante ainda, os efeitos dos FAHFAs parecem ser válidos também em humanos. Ao comparar amostras de sangue e de gordura de pacientes que são resistentes à insulina com pacientes saudáveis, os pesquisadores verificaram que um dos tipos de FAHFA era 40% menor naqueles com resistência. Ou seja, uma quantidade maior de FAHFAs parece ajudar o corpo a modular o uso correto da insulina.

 

alimento maca frango

Alimentos como maçãs, carne de frango e ovos contêm as gorduras boas, mas ainda é cedo para saber se incluí-los na dieta pode ajudar a prevenir o diabetes.

COLOCANDO FAHFA NA DIETA

Os pesquisadores descobriram que FAHFAs também estão presentes em alguns tipos de comida, como maçãs, gemas de ovo, carne bovina e de frango. Porém, para Barbara Kahn, pesquisadora que liderou o estudo, ainda é cedo para recomendar que pessoas mudem suas dietas para consumir mais esses alimentos.

Mais estudos precisarão ser feitos, mas a descoberta do grupo de Kahn abre portas para que novos tipos de drogas sejam desenvolvidos, assim como novos métodos de prevenção e de tratamentos para obesidade e diabetes.

 

ricardo schinaider de aguiar perfil diabeticool

Ricardo Aguiar é biólogo (UNICAMP), especialista em divulgação científica (LABJOR/UNICAMP), já trabalhou em editorias científicas de destaque como Folha de São Paulo e colabora com o Diabeticool trazendo para a gente as últimas e mais empolgantes novidades da Ciência relacionadas ao diabetes, à saúde e a um estilo de vida mais saudável.

 

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