O que acontece no cérebro quando se come em excesso

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Estudo inédito conclui: comer demais ‘desregula’ o cérebro, favorecendo o desenvolvimento da obesidade e do diabetes tipo 2.

Nova pesquisa, publicada no The Journal of Biological Chemistry e conduzida por cientistas da Mount Sinai School of Medicine, ajuda-nos a entender melhor o que acontece no cérebro humano quando se come demais. Em poucas palavras, exagerar nas refeições causa resistência à insulina no cérebro. E esta resistência, por sua vez, pode se “propagar” para além do cérebro, causando diabetes, além de liberar gorduras na corrente sangüínea, o que pode levar à obesidade.

A trama metabólica envolvida no processo é bastante complexa. Tudo começa com a alimentação excessiva. Ela faz com que a insulina cerebral (sim, há bastante insulina no cérebro, regulando o funcionamento do órgão!) não consiga mais controlar direito dois eventos muito importantes para o corpo: fazer com que o fígado pare de liberar glicose no sangue e impedir a “quebra” dos tecidos adiposos (a “gordura” corporal), que por sua vez libera ácidos graxos no sangue.

Uma vez que o cérebro, através da insulina, não consegue mais parar a quebra dos tecidos adiposos, muitos ácidos graxos ficam livres no sangue. Além de favorecer a obesidade, os ácidos graxos induzem o fígado a liberar mais glicose no sangue, o que aumenta a glicemia e promove inflamação, fatores que resultam em resistência à insulina em todo o corpo.

O Dr. Buettner, professor de Endocrinologia, Diabetes e Doenças Ósseas no Mount Sinai e envolvido na pesquisa, explica: “Trata-se de um ciclo vicioso e, apesar de que nós já sabíamos que ele começa com a alimentação excessiva, este estudo mostra que é realmente o cérebro que é prejudicado primeiro, o que daí desencadeia a triste seqüência de eventos.”

Os pesquisadores, agora, vão estudar maneira de evitar a lipólise (que é a “quebra” dos tecidos adiposos) e aumentar a resistência à insulina através do melhoramento das funções da insulina cerebral.

 

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