Médicos emitem recomendações especiais para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças

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Veja algumas das recomendações que médicos fizeram, pela primeira vez, especialmente para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças.

por Ricardo Schinaider de Aguiar, especial para o Diabeticool

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Até pouco tempo atrás, o diagnóstico do diabetes tipo 2 em crianças era raro. Atualmente, porém, aproximadamente uma em cada três crianças que têm diabetes possui o tipo 2. A razão para esse aumento provavelmente está relacionada com o aumento da obesidade infantil observado nos últimos anos. Preocupada com esses números, a Academia Americana de Pediatria (AAP) emitiu em seu site nesta semana, pela primeira vez, diretrizes voltadas especialmente para o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças de 10 a 18 anos.

“Pediatras e endocrinologistas infantis estão acostumados aos tratamentos do diabetes tipo 1. A maior parte deles não têm treinamento formal para tratar o diabetes tipo 2”, afirma a Dra. Janet Silverstein, chefe da Divisão de Endocrinologia Pediátrica na Universidade da Flórida e uma das autoras das novas diretrizes. “O maior motivo para a produção dessas diretrizes é que, com o aumento da obesidade em crianças e adolescentes, há também um aumento no número de casos de diabetes tipo 2 nessas populações, o que faz com que seja importante para pediatras e endocrinologistas terem diretrizes estruturadas para seguir”.

A distinção entre os diabetes tipo 1 e tipo 2 em crianças pode ser difícil de se fazer, principalmente naquelas com obesidade, e um erro no diagnóstico pode acarretar em graves consequências para os pacientes. Se uma criança com diabetes tipo 1, por exemplo, é erroneamente diagnosticada com diabetes tipo 2, tratá-la com medicações como a metformina, em vez de insulina, será o equivalente a não tratá-la. E como a confirmação do diagnóstico do diabetes tipo 1 pode demorar, devido aos exames que precisam ser realizados, a primeira diretriz instrui que se inicie o tratamento com insulina caso não se tenha certeza sobre o tipo de diabetes do paciente. A recomendação é de que o tratamento com insulina continue até a determinação do tipo. Outras importantes diretrizes incluem:

– Quando a criança ou adolescente for diagnosticado com diabetes tipo 2, prescrever metformina e mudanças em seu estilo de vida, incluindo uma alimentação adequada e prática de atividades físicas;

– Monitorar níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) a cada três meses. A HbA1c fornece uma medida dos últimos dois a três meses dos níveis de açúcar no sangue. Caso os objetivos do tratamento não estiverem sendo alcançados, o médico deverá adotar mudanças apropriadas ao tratamento;

– Crianças com diabetes tipo 2 devem ser encorajadas a praticar atividades físicas ao menos durante 60 minutos por dia e limitar seu tempo em frente à televisão, computadores e vídeo games a menos de duas horas por dia.

– O monitoramento dos níveis de glicose no sangue deve ser feito em casa por quem: está sendo tratado com insulina; teve mudanças em seu tratamento; não está alcançando os objetivos do tratamento; estiver doente.

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Além disso, a Dra. Silverstein recomenda que pediatras monitorem os níveis de HbA1C em crianças com sobrepeso, pois é muito mais fácil prevenir a doença do que tratá-la depois, e alerta que sintomas do diabetes tipo 1, como sede excessiva e frequentes idas ao banheiro para urinar, podem não estar presentes em crianças com diabetes tipo 2.

Segundo a Dra. Rubina Heptulla, chefe da Divisão de Pediatria e Endocrinologia e Diabetes do Children´s Hospital em Nova York, as novas diretrizes são boas, mas ainda há muito que se fazer. “Há apenas um único grande estudo sobre diabetes tipo 2 em crianças. As novas diretrizes são apenas um primeiro passo, e ressaltam a necessidade de que mais pesquisas sejam realizadas sobre o assunto.”

 

Ricardo Aguiar é formado em Ciências Biológicas pela Unicamp e atualmente faz o curso de “Especialização em Divulgação Científica” no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), também pela Unicamp.

 

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