O Posicionamento Oficial da SBD sobre Quiabo e Diabetes

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O que a Sociedade Brasileira de Diabetes, um dos órgãos mais importantes do país quando o assunto é a doença, pensa sobre o quiabo?

Os três jovens que iniciaram uma das maiores discussões sobre tratamento do diabetes no país seguram sua invenção: a “água de quiabo”.

Desde que o programa “Caldeirão do Huck”, da Rede Globo de Televisão, exibiu uma reportagem que louvava a “água de quiabo” como redutora da glicemia, a polêmica ronda o já famoso vegetal. Muita gente assistiu ao programa e passou a experimentar a água de quiabo, alegando reduções significativas nas taxas de açúcar no sangue. Tal método natural de controle do diabetes, porém, assusta a comunidade médica nacional. Há relatos de diabéticos que estão deixando de utilizar os medicamentos prescritos pelos seus médicos em troca do quiabo, o que pode provocar danos irreversíveis à saúde, de acordo com os profissionais. Em meio ao debate, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) divulgou seu posicionamento oficial em relação ao quiabo como tratamento para a doença.

+ LEIA MAIS: “O quiabo do Luciano Huck e o diabetes” – 24/11/2013

“A Sociedade Brasileira de Diabetes vê com grande preocupação a divulgação por grandes veículos de comunicação, formas “alternativas” de tratamento do diabetes sem qualquer base científica, pelo seu potencial de malefício, especialmente para as pessoas portadoras de diabetes em uso de insulina”, avisa o comunicado da SBD. “Esclarecemos que não há qualquer evidência científica para tal uso e que portanto não o recomendamos.

 

USUÁRIOS DE UM LADO, MÉDICOS DE OUTRO. POR QUÊ?

O programa de televisão premiou com R$30 mil um grupo de três adolescentes que testaram, de maneira caseira e não-científica, os efeitos de se ingerir um copo de água na qual se deixam amolecer pedaços de quiabo. Diversos relatos atestam, de fato, a eficácia do método para diminuir a glicemia. Porém, os efeitos provavelmente são decorrentes das propriedades diuréticas do quiabo, as quais estimulam a liberação de glicose através da urina. Conforme explicou o Jovem Líder em Diabetes pela Federação Internacional de Diabetes, Ronaldo Wieselberg, este efeito diurético não é necessariamente positivo, uma vez que a glicose – o “combustível” do corpo humano – está sendo, desta forma, desperdiçada.

“Se a gente só baixa a glicemia perdendo glicose pela urina, vai faltar gasolina para o carro [nosso organismo], e aí, uma hora ou outra, ele vai parar”, explica Ronaldo, com uma analogia.

+ LEIA MAIS: “Revelado o segredo da água de quiabo“, por Ronaldo Wieselberg

Os alertas dos profissionais da saúde encontram, muitas vezes, ceticismo por parte dos usuários do método natural. Muitos apostam no “tratamento” com o quiabo por razões econômicas, uma vez que é mais em conta do que os medicamentos tradicionais da farmácia, enquanto outros apontam um possível “complô” da indústria farmacêutica para calar a “descoberta”.

“Também acredito que já existe uma cura para DIABETES mas a indústria farmacêutica não deixa e não quer para não deixar de ganhar muito dinheiro, por pura ganância”, relatou o usuário da comunidade Diabeticool, João P. de Carvalho.

A seguir, o comunicado oficial da SBD.

 

POSICIONAMENTO OFICIAL DA SBD

quiabo diabetes SBDA Sociedade Brasileira de Diabetes vê com grande preocupação a divulgação por grandes veículos de comunicação, formas “alternativas” de tratamento do diabetes sem qualquer base científica, pelo seu potencial de malefício, especialmente para as pessoas portadoras de diabetes em uso de insulina. Mais especificamente desejamos nos referir ao Programa da Rede Globo de Televisão que divulgou os supostos benefícios da baba do quiabo para o tratamento do diabetes. Esclarecemos que não há qualquer evidência científica para tal uso e que portanto não o recomendamos.

A Sociedade Brasileira de Diabetes reúne profissionais de saúde (especialistas, professores, pesquisadores), com o interesse em diabetes e tem como missão a compreensão dos fenômenos envolvidos, prevenção, diagnóstico, tratamento e cura desta doença e suas complicações que atinge no momento aproximadamente 13.4 milhões de brasileiros. Nestas áreas de estudos grandes avanços tem ocorrido nos últimos anos resultantes de vultuosos recursos utilizados na realização de pesquisas envolvendo milhares de pessoas portadoras de diabetes em universidades de todo o mundo.

Embora ainda não curável, o diabetes na atualidade é perfeitamente controlado com medicamentos encontrados gratuitamente em farmácias populares e unidades básicas de saúde.

A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda que as pessoas portadoras de diabetes mantenham uma alimentação saudável, atividade física regular, uso de medicamentos prescritos pelo médico, incluindo insulina se necessário e visitem um serviço de saúde para realização de exames periódicos e consultas com outros especialistas quando necessário: cardiologista, oftalmologista, nefrologista etc.

Por último, a Sociedade Brasileira de Diabetes esclarece que tratar diabetes não significa somente tratar a glicemia, mas tratar também o Colesterol, a Pressão Arterial, a Obesidade, o hábito de fumar, todos fatores de risco para a doença vascular, principal causa de morte na atualidade.

Em 27 de dezembro de 2013.

Por Dr. Laerte Damasceno – Editor-chefe do portal

Dr. Balduino Tchidel – Presidente da SBD

Dr. Walter Minicucci – Presidente eleito da SBD

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