Biochip examina níveis de glicose na saliva e não no sangue

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Engenheiros da Brown University criaram um biochip capaz de medir as concentrações de glicose na saliva humana. A técnica poderia eliminar a necessidade, para os diabéticos, de tirar sangue para verificar seus níveis de glicose.

O que é hoje para quase 350 milhões de pessoas no mundo (segundo dados de 2010 do periódico Lancet) uma rotina invasiva e ao menos minimamente dolorosa, poderá deixar de fazer parte do dia-a-dia de pelo menos uma parcela destes diabéticos, graças a pesquisadores da Brown University (Providence, Rhode Island). Um sensor capaz de checar os níveis de açúcar no sangue através de medidas de concentração de glicose na saliva pode colocar um fim às perfurações para retirada de sangue.

Será que essa rotina está com seus dias contados?

O monitoramento da glicemia é uma ferramenta crucial para gerenciar o diabetes e prevenir complicações da doença. Isto ajuda os pacientes a determinar como a dieta, o exercício, doenças e até mesmo o estresse afetam seus níveis de glicose no sangue, bem como quando o açúcar atinge níveis perigosamente altos ou baixos. O teste de glicose requer a retirada de uma gota de sangue, por perfuração de um dedo geralmente, para que esta seja analisada por um pequeno dispositivo eletrônico que mede os níveis de glicose.

A frequência destes testes depende não apenas do tipo de diabetes, como também do tratamento adotado pelo médico responsável. Alguns pacientes testam seus níveis de glicose no sangue 3 vezes ao dia, ou mais. No entanto, devido à inconveniência e desconforto de tirar sangue, alguns pacientes acabam por evitar testes com a regularidade ideal.

Com o auxílio de uma técnica baseada em uma convergência entre nanotecnologia e superfícies plasmáticas (plasmônica), que explora a interação entre elétrons e fótons (luz), engenheiros da Brown University gravaram, na superfície de um biochip do tamanho de uma unha, milhares de interferômetros plasmônicos e, em seguida, mediram a concentração de moléculas de glicose em água. Os resultados provaram que o biochip especialmente concebidos para este fim podia detectar níveis de glicose semelhantes aos níveis encontrados em saliva humana, que são cerca de 100 (cem) vezes inferiores às concentrações de açúcares no sangue. Os engenheiros também descobriram que, ao variar a mudança de fase de um interferômetro, é possível sintonizar o sensor para o estabelececimento de linhas de base. Desta forma, seria possível a utilização dos chips para medir, com precisão, concentrações de glicose em água tão baixas quanto 0,36 miligramas por decilitro.

“Esta é uma prova de conceito que interferômetros plasmônicos podem ser usado para detectar moléculas em concentrações baixas, através de um rastro dez vezes menor do que um fio de cabelo humano”, disse Domenico Pacifici, professor assistente de engenharia e primeiro autor do trabalho publicado na revista Nano Letters. A técnica, segundo Pacifici, pode ser utilizada para detectar outras substâncias químicas, de antrax a compostos biológicos, “todos de uma só vez, em paralelo, utilizando-se um mesmo chip”.

Mais informações podem ser obtidas seguindo este e este links (ambos em inglês).

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