Novo paradigma de monitoramento contínuo

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Monitorar continuamente a glicemia está muito próximo de ser uma atividade prática e indolor, graças a uma pequena empresa americana.

Alguns diabéticos precisam monitorar com cuidado as taxas de açúcar no sangue o tempo inteiro – em especial os diabéticos tipo 1. A única maneira de se fazer isso, até pouco tempo atrás, era picando o dedo, coletando uma gota de sangue e realizando a leitura da glicemia em um medidor. O problema é que as pontas dos dedos possuem diversas terminações nervosas, o que torna a medição uma atividade das mais desagradáveis. Em vista disto, a comunidade médica adotou o padrão de sugerir aos diabéticos que meçam a glicemia de quatro e seis vezes por dia – um número relativamente alto, porém longe do adequado para um acompanhamento eficiente das variações de açúcar no sangue.

Pense da seguinte maneira: se você checar suas taxas de açúcar no sangue quatro vezes ao dia, e você as checa à meia-noite, quando vai dormir, de madrugada, quando acorda para o café da manhã, você as checa à hora no almoço, e novamente na hora da janta, você estará medindo apenas quatro vezes, e os resultados podem estar normais todas as vezes. Mas você não sabe a quantas anda seu açúcar sangüíneo à uma da manhã, 2, 3, 4 da madrugada, quando você está dormindo.”, explica o dr. Pat Mooney. E arremata: “São estes altos e baixos [de glicemia]não controlados e desconhecidos que levam às complicações de longo termo da doença.”

Como resolver este problema?

A indústria farmacêutica lançou há algum tempo medidores contínuos de glicemia, que funcionam através do implante de uma agulha sob a pele, a qual coleta os dados direto da corrente sangüínea e os transmite a um aparelho que os interpreta. Apesar de evitar as picadas nos dedos, manter uma agulha debaixo da pele não é o procedimento mais confortável e indolor do mundo. Em vista disto, a pequena empresa do dr. Pat Mooney, chamada Echo Therapeutics, está em processo final de desenvolvimento de um método revolucionário de monitoramento contínuo da glicemia. Conheça o Symphony.

Como funciona o novo método?

Para evitar ao máximo dor e desconforto, a abordagem do medidor de glicose da Echo Therapeutics é medir a glicemia não no sangue, mas no fluido intersticial. Este fluido é um líquido presente em uma finíssima camada que fica sob a pele, e é uma fonte alternativa de glicose e nutrientes às células. O medidor Symphony, que parece um tipo de band-aid e pode ser colado em diversas regiões do corpo, é capaz de ler a quantidade de açúcar no fluido intersticial e de enviar a medição, via wireless, a celulares, tablets, computadores e aparelhos que guardam e interpretam as informações.

Um porém – e muita tecnologia!

Porém, o fluido intersticial fica sob a pele. Além do quê, existe uma camada de pele morta recobrindo todo nosso corpo, e que funciona como um paredão de proteção do nosso organismo. Como é que o Symphony consegue medir a glicemia no fluido intersticial com tamanha barreira pela frente?

A caneta Prelude em ação, limpando a pele para a medição da glicemia.

O segredo se chama Prelude. Com o nome indica, trata-se de uma “preparação” para o uso do Symphony. O Prelude é um aparelho que lembra uma caneta grande. Ele é colocado junto à pele, e aperta-se um botão. Neste instante, corrente elétricas bem fraquinhas (e, portanto, totalmente indolores) são enviadas à pele. A camada de pele morta e a camada de pele viva respondem diferentemente a esta corrente. O aparelho interpreta os sinais e é capaz de discernir uma da outra. Quando encontra pele morta, o Prelude ativa um laser que remove esta camada, gerando uma zona livre para que o Symphony possa medir, com maior facilidade, o conteúdo do líquido intersticial. Parece ficção científica, mas é a realidade. E já funciona.

O Symphony é a caixinha que aparece na imagem. O medidor em si encontra-se na tampa azul, que se fecha sobre a pele limpa pelo Prelude, como mostrado acima.

A Echo Therapeutics fechou contrato com uma grande farmacêutica para a fabricação em escala industrial do Symphony e do Prelude. Testes cientificamente validados aferiram a qualidade das medições, acuradas em 98,9% dos testes. Basta, agora, o governo americano liberar a venda do produto para que ele, eventualmente, chegue aqui no Brasil e possa ser testado na pele por nós.

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