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	<title>Leonard Thompson | Diabeticool</title>
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	<description>Tudo sobre diabetes, dicas de saúde, medicamentos, insulinas, tratamentos e receitas!</description>
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		<title>A História do Diabetes – Parte 3 – Como usar a insulina?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação Diabeticool]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2014 18:24:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ronaldo Wieselberg]]></category>
		<category><![CDATA[Elliot Joslin]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na 3a parte da História do Diabetes, Ronaldo Wieselberg conta como foram os primeiros testes com a insulina e os excitantes dramas pessoais por trás das pesquisas! POR RONALDO WIESELBERG No último capítulo da nossa viagem conhecemos os dramas do Dr. Frederick Banting durante a descoberta da insulina, e como ele passou o Natal de &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Na 3a parte da História do Diabetes, Ronaldo Wieselberg conta como foram os primeiros testes com a insulina e os excitantes dramas pessoais por trás das pesquisas!</em><span id="more-6694"></span></p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>POR RONALDO WIESELBERG</strong></span></p>
<p>No último capítulo da nossa viagem conhecemos os dramas do Dr. Frederick Banting durante a descoberta da insulina, e como ele passou o Natal de 1921 sozinho, após o Dr. James Collip isolar a substância – <strong><a href="http://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-2-de-uma-decepcao-amorosa/">como você pode ler aqui</a></strong>.</p>
<p>Enquanto isso, existiam alguns outros personagens no mundo do diabetes nessa época. Um deles era o Dr. Frederick Allen, um dos maiores especialistas em diabetes do mundo, juntamente com o Dr. Elliott Joslin. Enquanto Allen acreditava na terapia da inanição como a solução definitiva para o diabetes, Joslin acreditava que essa terapia era muito mais danosa aos pacientes do que benéfica, e sempre acreditou em educar o paciente para que ele soubesse o que evitar, enquanto restringia a alimentação de maneira mais “humana”.</p>
<p>Ao contrário do que possa se pensar, Allen tratou inclusive a filha de um dos Secretários de Estado – algo como Ministro das Relações Exteriores – dos Estados Unidos, na época. Inclusive, esse político, Charles Evans Hughes, visitou o Brasil por volta da época da descoberta da insulina!</p>
<p>Allen e Joslin não eram inimigos, muito pelo contrário. O fato de divergirem em muitas das opiniões alavancou muitos estudos que realizaram com pacientes, de maneira a entender melhor a doença. Allen, inclusive, tinha escrito, graças a essa relação, um livro que era considerado “a Bíblia do Diabetes”, na época, enquanto Joslin também tinha escrito um livro que era uma referência para médicos que tratavam diabetes.</p>
<figure id="attachment_6695" aria-describedby="caption-attachment-6695" style="width: 427px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6695" alt="elliott joslin and frederick allen diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/elliott-joslin-and-frederick-allen-diabetes.jpg" width="427" height="252" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/elliott-joslin-and-frederick-allen-diabetes.jpg 427w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/elliott-joslin-and-frederick-allen-diabetes-407x240.jpg 407w" sizes="(max-width: 427px) 100vw, 427px" /><figcaption id="caption-attachment-6695" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita, Elliott P. Joslin e Frederick M. Allen, à época, os dois maiores especialistas em diabetes do mundo.</figcaption></figure>
<p><span style="color: #008080;"><strong>UMA CONFERÊNCIA QUE MUDOU A HISTÓRIA</strong></span></p>
<p>Entre 28 e 30 de dezembro de 1921 – três dias depois do fatídico Natal de Banting – ocorreu o Encontro da Sociedade Americana de Fisiologia. A notícia da descoberta de uma substância que baixava a glicemia tinha corrido como fogo em palha seca. A equipe de Banting – composta, até então, por quatro pessoas: ele mesmo, Macleod, Best e Collip – tinha praticamente dobrado.</p>
<p>Esse aumento de pessoal era destinado a purificar o extrato e tornar possível o uso em seres humanos o mais rápido possível. Banting e sua equipe estavam começando a testar o extrato de pâncreas de boi e de porco, e os resultados estavam sendo bastante satisfatórios.</p>
<p>Durante a conferência, Banting se sentia muito nervoso. Ele nunca fora um acadêmico, sempre fora um homem prático. E agora, se via prestes a apresentar um trabalho revolucionário perante uma sociedade nacional. Por mais que ele tivesse assistido às palestras dos outros colegas para ganhar traquejo, os murmúrios que ouvia sobre “um trabalho revolucionário feito no Canadá por um tal de Dr. Banting” o deixavam cada vez mais ansioso.</p>
<p>Na sexta-feira – que, curiosamente, era 30 de dezembro, e não 13&#8230; – a sala de apresentações estava lotada. Frederick Allen estava lá, junto com Elliott Joslin. Alec Clowes, o representante da empresa farmacêutica Eli Lilly também estava lá, interessado nessa descoberta. A menor falha nos experimentos seria percebida por todos os especialistas ali.</p>
<p>Uma vez que nem Banting, nem Best eram membros da sociedade, Macleod começou a palestra. Sendo sincero, ele também percebeu que Banting estava tremendo feito vara verde, e não conseguiria falar diante daquele monte de médicos. Durante a introdução, o que chamou a atenção de Banting era que Macleod sempre falava em “nosso” trabalho – e cada vez que isso acontecia, ele se lembrava do calor infernal de agosto e setembro em que ele e Best trabalharam, enquanto Macleod estava sentado confortavelmente em sua mesa.</p>
<p>Macleod chamou Banting para falar sobre o trabalho, mas o nervosismo era tanto que, pouco a pouco, Fred foi emudecendo. No final, sua voz era um murmúrio, e ninguém percebeu quando a palestra tinha acabado. Apenas quando Macleod se levantou e agradeceu, houve uma rodada rápida de aplausos.</p>
<p>Enquanto os médicos cercaram Macleod, bombardeando-o com perguntas, Alec Clowes se aproximou de Banting e Best. Ele ofereceu, em nome da Eli Lilly Company todas as condições para a purificação e produção em massa do extrato. Macleod, por sua vez, recusou, uma vez que a Universidade de Toronto tinha um laboratório próprio, que iria fabricar a insulina para uso humano.</p>
<p>Banting viu isso como uma traição terrível. Não tendo dinheiro para se manter no congresso após a palestra, ele voltou na mesma noite, de trem, para Toronto. A noite inteira ele se remoeu, pensando no quão triste e vil era aquilo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>BRIGAS, UM OLHO ROXO E O PRIMEIRO USUÁRIO DE INSULINA</strong></span></p>
<figure id="attachment_6698" aria-describedby="caption-attachment-6698" style="width: 181px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6698" alt="Leonard Thompson diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/Leonard-Thompson-diabetes.jpg" width="181" height="237" /><figcaption id="caption-attachment-6698" class="wp-caption-text">O garotinho Leonard Thompson, primeiro diabético tipo 1 a ser tratado com insulina.</figcaption></figure>
<p>Em 11 de janeiro de 1922, Leonard Thompson, um menino canadense que à época consumia apenas 450 kcal diárias – o normal para um ser humano saudável é 2000 kcal – recebeu uma dose do mesmo extrato usado em cães – purificado ao máximo. Era a metade da dose que um cachorro de mesmo peso receberia, e por isso, a queda na glicemia foi inconclusiva. Parecia ter funcionado, mas ninguém arriscava o pescoço naquela ideia.</p>
<p>Em 14 de janeiro do mesmo ano, um artigo no Toronto Daily Star, o jornal mais importante da região, dizia, em letras garrafais “Trabalho em Diabetes mostra Sucesso Contra a Doença”. Novamente, Macleod usara os termos “nós” e “nosso trabalho”, o que enfureceu Banting.</p>
<p>Em 16 de janeiro, Collip conseguiu purificar a insulina, e foi dar as boas novas a Banting. De tão enfurecido que estava, Banting atirou Collip ao chão, gritando que agora, sim, a substância seria chamada de “soro de Collip”. Entristecido e desapontado, Collip foi pedir a demissão sumária de Banting. Porém, o reitor da universidade disse que a culpa era de Macleod, que não tinha conseguido um bom relacionamento com os membros da equipe.</p>
<p>Em 23 de janeiro, o mesmo Leonard Thompson recebeu uma dose do extrato purificado de Collip. A glicemia dele baixou – em valores utilizados hoje – de 520mg/dl para 120mg/dl.</p>
<p>Em 25 de janeiro, a equipe de Banting teve uma reunião. Banting parecia destroçado fisica e mentalmente. Collip tinha vestígios de um olho roxo. Macleod estava sob pressão da Eli Lilly, da reitoria da universidade, e até do presidente do Canadá. Best tentava segurar as pontas, mas nada estava dando certo. Todo o trabalho estava por um fio.</p>
<p>Em fevereiro, Banting sucumbiu às pressões. Entrou no laboratório e pegou uma garrafa de álcool 95%. Bebeu num béquer – o “copo” usado para os experimentos. Best o encontrou, praticamente desmaiado no laboratório, no dia seguinte, e não pôde fazer nada além de deitar o parceiro em uma cama. Banting era o pior inimigo de si mesmo.</p>
<p>Em março, com a publicação de dois artigos – tendo como autores Banting e Best, nada de Macleod ou Collip até o momento – em periódicos científicos respeitáveis, esperava-se um retorno de Banting. Ele não voltou. Best, então, foi procurá-lo.</p>
<p>Best encontrou Banting bêbado, em casa. Apesar dos apelos, Banting se recusava a voltar para a pesquisa. Best, então, pela primeira e única vez, deixou a raiva fluir. Gritou com Banting, arrancou o béquer de suas mãos e o arrebentou contra a parede. Gritou sobre as crianças que seriam salvas, e agora, sem Banting, morreriam sem a insulina. Com a discussão, Best disse que também sairia da pesquisa.</p>
<p>Na manhã seguinte, 1º de Abril, Banting acordou e viu o caderno de Best aos pés de sua cama. Ele se lembrou de alguns pontos da discussão e sentiu-se culpado pela saída provável de Best e por tudo o que tinha falado sob efeito do álcool.</p>
<p>Em 3 de abril, com a saída de Collip da Universidade de Toronto, Best assumia o departamento de Bioquímica, e registrava a patente da insulina, vendendo-a para a universidade pela soma simbólica de um dólar. Macleod reconheceu que errou com a Eli Lilly Company e com Banting.</p>
<p>Best foi o elo da corrente que não se partiu. Graças a ele, a pesquisa continuou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>O &#8216;MILAGRE&#8217; DA INSULINA</strong></span></p>
<p>Allen e Joslin estavam deslumbrados com os resultados da insulina. Allen foi o médico que mais auxiliou os experimentos com pacientes em 1922, usando a insulina em 161 pacientes. A empresa Eli Lilly Company foi a primeira a conseguir um suprimento constante de insulina no mundo.</p>
<p>Em agosto de 1922, Allen fez o primeiro experimento com insulina em seus pacientes. Seis crianças, em coma, todas pesando menos da metade do que deveriam pesar. Injetou insulina na primeira criança, e nada aconteceu. Injetou insulina na segunda criança, e nada aconteceu. Nada na terceira. Nem na quarta. Nem na quinta. Quanto injetou a insulina na última criança, e estava pronto para dizer àquelas mães, sofridas, que nada mais restava, a primeira criança começou a acordar.</p>
<p>Um arrepio passou pela espinha do médico. Era quase como a ressureição de Lázaro, da Bíblia. Era um milagre da medicina. A “cura” tinha chegado. Diabetes não seria mais uma doença mortal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>JUNTO À INSULINA, EIS A HIPOGLICEMIA!</strong></span></p>
<p>Joslin sentiu-se honrado com a possibilidade de usar a insulina. Durante o uso, dedicou-se, então, a estudar a insulina, seus efeitos e como poderia melhorara vida das pessoas com diabetes.</p>
<p>Então, surgiu, diante do uso da insulina, uma complicação ainda mais terrível: hipoglicemias. Com o uso indiscriminado da insulina, por vezes a glicemia caía abaixo dos níveis normais – hoje, sabemos que hipoglicemia é quando a glicemia cai abaixo de 70mg/dl – e até aquele momento, ninguém sabia da existência de hipoglicemias, quanto mais do tratamento.</p>
<p>Joslin foi o primeiro a sugerir o uso de suco de laranja – ótima fonte de açúcar! – como tratamento, e foi um padrão por muito tempo. Ele se tornou o maior especialista em diabetes do mundo, graças à sua disposição em estudar os efeitos daquela nova substância descoberta por Banting aplicados aos seus conhecimentos desenvolvidos junto com Allen.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>O MAIOR RECONHECIMENTO CIENTÍFICO</strong></span></p>
<p>Em setembro de 1922, Banting e Macleod foram indicados ao Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia. Sabendo que caso a hostilidade dentro da equipe fosse descoberta as chances seriam nulas, Banting fez o impossível para aguentar sua fúria.</p>
<p>Um dos cientistas que avaliaram a descoberta de Banting, August Krogh, voltou para a Dinamarca com a fórmula para fabricar a insulina. Ele fundou, então, a Nordisk Insulin Laboratorium, pioneira na Europa a produzir insulina.</p>
<p>Em 1923, Banting e Macleod foram laureados com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, pela descoberta da insulina. Foi o primeiro Prêmio Nobel do Canadá, e até hoje, a nota de 100 dólares canadenses mostra um frasco de insulina.</p>
<p>Banting, é claro, ficou furioso que Best fora esquecido, e dividiu sua parte do prêmio com ele. Macleod não teve outra saída senão dividir sua parte, também, com Collip.</p>
<figure id="attachment_6696" aria-describedby="caption-attachment-6696" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6696" alt="nobel prize banting macleod diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/nobel-prize-banting-macleod-diabetes.jpg" width="462" height="632" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/nobel-prize-banting-macleod-diabetes.jpg 462w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/nobel-prize-banting-macleod-diabetes-175x240.jpg 175w" sizes="(max-width: 462px) 100vw, 462px" /><figcaption id="caption-attachment-6696" class="wp-caption-text">O diploma que confere o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1923 a Frederick G. Banting e John J. R. Macleod.</figcaption></figure>
<p>Em 1929, Allen sofreu um revés financeiro incalculável. Suas economias estavam em ações da Bolsa de Nova York, que quebrou. Seu instituto para o estudo do diabetes faliu, e ele caiu no esquecimento.</p>
<p>Joslin dedicou sua vida ao tratamento do diabetes, educação e pesquisa, fundando o Joslin Diabetes Center, afiliado à Faculdade de Medicina de Harvard. Ele também fundou o primeiro acampamento para jovens com diabetes, modelo seguido inclusive no Brasil, com o Acampamento ADJ-Unifesp-NR, em São Paulo e com o Diabetes Weekend, em Minas Gerais.</p>
<p>Joslin manteve o registro dos exatos 58 784 pacientes que tratou ao longo de sua vida. Sua frase mais famosa foi reproduzida milhares de vezes ao redor do mundo:</p>
<p>“Educação não é parte do tratamento do diabetes. Educação É o tratamento.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>O QUE ACONTECEU COM CADA UM DOS PERSONAGENS</strong></span></p>
<p>Charles Best continuou seus estudos em Fisiologia, descobrindo inclusive a histaminase e a lecitina, duas substâncias importantes do metabolismo, e estudou os efeitos da colina no organismo. Ele substituiu Macleod como professor de Fisiologia na Universidade de Toronto aos 29 anos.</p>
<p>James Bert Collip perdoou Banting pelos incidentes, e eles acabaram se tornando bons amigos. Ele continuou suas pesquisas em endocrinologia, e conseguiu trabalhar isolando o paratormônio, um hormônio secretado pels paratireoides, e o hormônio adrenocorticotrófico, secretado pela hipófise. Ele foi o sucessor de Banting no Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá.</p>
<p>John James Rickard Macleod sofreu em silêncio o resultado da ira de Banting. Conforme a popularidade de Banting crescia, a de Macleod caía. Em 1928 ele deixou a Universidade de Toronto, voltando para a Escócia, sua terra natal, como Professor Pleno de Fisiologia na Universidade de Aberdeen. Ele nunca comentou os anos que passou no Canadá.</p>
<p>Frederick Grant Banting fundou a Fundação Banting de Pesquisa com o dinheiro do Prêmio Nobel, que ajudou, inclusive, a projetar partes do traje anti-gravidade dos astronautas americanos, além de guerra química e biológica. Em 1941, mesmo contra os apelos do governo do Canadá, ele embarcou em um avião para a Inglaterra, para atuar como médico durante a Segunda Guerra Mundial. O avião caiu momentos após a decolagem, e Banting não suportou os ferimentos, morrendo ao lado de Collip, no hospital, naquela mesma noite.</p>
<p>Até hoje, cartas e postais são endereçados ao Dr. Frederick Banting, aquele que teve a ideia e lutou contra todas as dificuldades para descobrir aquela que foi a salvação de todas as pessoas com diabetes ao redor do planeta.</p>
<figure id="attachment_6697" aria-describedby="caption-attachment-6697" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6697" alt="postal card to doctor banting insulin diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/postal-card-to-doctor-banting-insulin-diabetes.jpg" width="600" height="482" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/postal-card-to-doctor-banting-insulin-diabetes.jpg 600w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/postal-card-to-doctor-banting-insulin-diabetes-299x240.jpg 299w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6697" class="wp-caption-text">Postal para o Dr. Banting, datado de 1924. Diz “Caro Dr. Banting, eu sou uma garotinha no Texas que está recebendo Iletina [o primeiro nome comercial da Insulina]. Ela está fazendo eu me sentir melhor e eu estou muito feliz. Eu queria agradecer ao senhor. Um feliz Natal. Betsy Adylance, Galveston, Texas”.</figcaption></figure>O tratamento do diabetes não se restringiu apenas à insulina. Ele ainda dependia de testes de urina, e agora, o perigo de hipoglicemia era constante. Outros médicos se dedicaram muito às pesquisas, inclusive porque alguns pacientes pareciam reagir mal à insulina&#8230; Mas isso é uma história para o nosso próximo capítulo&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="background-color: #b8d4e2; border: 2px solid; border-color: #6E7F88; padding: 10px;"><img loading="lazy" class="alignright size-full wp-image-6190" alt="ronaldo wieselberg perfil diabeticool" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool.jpg" width="166" height="167" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool.jpg 166w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 166px) 100vw, 166px" /><span style="color: #424c52;"><strong>Ronaldo José Pineda Wieselberg</strong></span> tem diabetes há mais de 20 anos. É estudante de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSCSP), auxiliar de coordenação do Treinamento de Jovens Líderes em Diabetes da ADJ Diabetes Brasil e Jovem Líder em Diabetes pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), com trabalhos sobre diabetes premiados e apresentados no Brasil e no exterior. Apesar de ter o mesmo nome de vários grandes jogadores de futebol, prefere o xadrez.</div>
<div style="background-color: #dbe9f0; border: 2px solid; border-color: #6E7F88; padding: 10px;"><strong>+ Leia mais textos de Ronaldo Wieselberg:</strong><br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-2-de-uma-decepcao-amorosa/">A História do Diabetes &#8211; Parte II</a>&#8221; &#8211; 20.01.2014<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-1-da-antiguidade-ao-seculo-xix/">A História do Diabetes &#8211; Parte I</a>&#8221; &#8211; 11.01.2014<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/exageros-no-fim-do-ano/">Exageros no Fim do Ano &#8211; como aproveitar as Festas com saúde</a>&#8221; &#8211; 31.12.2013<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/revelado-o-segredo-da-agua-de-quiabo/">Revelado o segredo da água de quiabo</a>&#8221; &#8211; 18.12.2013<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/uma-nova-forca-lutando-pelo-diabetes-por-ronaldo-wieselberg/">Uma nova força lutando pelo diabetes</a>&#8221; &#8211; 16.12.2013</div>
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		<title>Lições sobre o Descobrimento da Insulina e do Hospital Geral de Toronto</title>
		<link>https://www.diabeticool.com/licoes-sobre-o-descobrimento-da-insulina-e-do-hospital-geral-de-toronto-canada/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação Diabeticool]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Aug 2012 17:33:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na semana passada, em viagem de trabalho, tive a honra e o prazer de conhecer o Hospital Geral de Toronto &#8211; Canadá. Este Hospital é simplesmente o Local em que o cirurgião Banting e o estudante Best desenvolveram as pesquisas com animais que culminaram na descoberta (ou isolamento) da molécula de Insulina em 1922 e a sua primeira aplicação &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="background-color: white; border: 4px solid black; padding: 10px;">
<p>Na semana passada, em viagem de trabalho, tive a honra e o prazer de conhecer o <strong>Hospital Geral de Toronto &#8211; Canadá</strong>. Este Hospital é simplesmente o Local em que o cirurgião <strong>Banting</strong> e o estudante <strong>Best </strong>desenvolveram as pesquisas com animais que culminaram na descoberta (ou isolamento) da molécula de Insulina em 1922 e a sua primeira aplicação em um ser humano.</p>
<figure id="attachment_1384" aria-describedby="caption-attachment-1384" style="width: 488px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Banting-e-Marjorie-diabetes.jpg"><img loading="lazy" class=" wp-image-1384 " title="Banting e Marjorie diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Banting-e-Marjorie-diabetes-735x1024.jpg" alt="" width="488" height="679" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Banting-e-Marjorie-diabetes-735x1024.jpg 735w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Banting-e-Marjorie-diabetes-172x240.jpg 172w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Banting-e-Marjorie-diabetes.jpg 800w" sizes="(max-width: 488px) 100vw, 488px" /></a><figcaption id="caption-attachment-1384" class="wp-caption-text">Dr Banting e o estudante Best com a cadela Marjorie, que recebeu a primeira injeção do extrato de pâncreas</figcaption></figure>
<p>Vale a pena lembrar que, até aquele momento, pacientes diabéticos tipo 1 tinham sobrevida de poucos meses e, quando muito, alguns anos.<br />
O cirurgião Banting morava em uma cidadezinha no Canadá chamada London e não era ligado ao meio acadêmico. Subitamente teve a idéia de submeter animais a um procedimento cirúrgico que seria capaz de destruir quase todo o <a title="Pâncreas" href="http://www.diabeticool.com/o-que-e/pancreas/">pâncreas </a>mas deixaria sobrar apenas as partes responsáveis pela produção de insulina (as ilhotas).</p>
<figure id="attachment_1383" aria-describedby="caption-attachment-1383" style="width: 320px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Banting-ideia-about-insulin.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-1383 " title="Banting ideia about insulin" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Banting-ideia-about-insulin.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a><figcaption id="caption-attachment-1383" class="wp-caption-text">Manuscrito original do Dr Banting sobre como conseguir isolar a molécula de insulina</figcaption></figure>
<p>Banting pediu ajuda ao professor de Fisiologia da Universidade de Toronto chamado McLeod, que achou a idéia estranha, mas cedeu seu laboratório precário e alguns cães para os experimentos. Recomendou também um aluno chamado Best para lhe ajudar nos experimentos.<br />
Felizmente em cerca de 1,5 ano o hormônio protéico chamado insulina foi isolado e aplicado em animais e pela primeira vez em uma cadelinha chamada Marjorie e depois de um período em um menininho chamado Leonard Thompson.</p>
<figure id="attachment_1387" aria-describedby="caption-attachment-1387" style="width: 275px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Leonard-Thompson-Insulina-diabetes-.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-1387" title="Leonard Thompson Insulina diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Leonard-Thompson-Insulina-diabetes-.jpg" alt="" width="275" height="183" /></a><figcaption id="caption-attachment-1387" class="wp-caption-text">Leonard Thompson, o primeiro a receber injeções de insulina. Foto antes e depois do uso do uso da insulina</figcaption></figure>
<p>Logo em 1923 receberam o Prêmio Nobel de Medicina.</p>
<figure id="attachment_1388" aria-describedby="caption-attachment-1388" style="width: 145px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Nobel-1923-diabetes.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-1388 " title="Nobel 1923 diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Nobel-1923-diabetes.jpg" alt="" width="145" height="154" /></a><figcaption id="caption-attachment-1388" class="wp-caption-text">Prêmio Nobel de Medicina concedido a Banting e Mc Leod em 1923 (Best não foi condecorado, pasmem!)</figcaption></figure>
<p>Na ocasião a imprensa noticiou a descoberta como a cura do diabetes. Mal sabiam que não era a cura , mas um grande passo para o controle e a prevenção das complicações desta doença.</p>
<p>Chamou minha atenção a memória do povo canadense. Nem percebi, mas quando um amigo me alertou fiquei estarrecido de ver que na nota de 100 dólares canadenses (a nota de maior valor no país)  havia a imagem de um<strong> frasco de insulina</strong>. Talvez o motivo de eu ter ficado estarrecido foi o fato de ver que naquele país eles têm memória e ver que eles sabem valorizar seus grandes nomes, mesmo que tenham se passado 90 anos.</p>
<figure id="attachment_1385" aria-describedby="caption-attachment-1385" style="width: 488px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Dolar-canadense-diabetes.jpg"><img loading="lazy" class=" wp-image-1385 " title="Dolar canadense diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Dolar-canadense-diabetes.jpg" alt="" width="488" height="490" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Dolar-canadense-diabetes.jpg 610w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Dolar-canadense-diabetes-150x150.jpg 150w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Dolar-canadense-diabetes-239x240.jpg 239w" sizes="(max-width: 488px) 100vw, 488px" /></a><figcaption id="caption-attachment-1385" class="wp-caption-text">Nota de 100 dólares canadienses com o frasco de insulina</figcaption></figure>
<p>Fato interessante é que após o isolamento da molécula de insulina, o laboratório farmacêutico americano <a title="Como o diabetes tipo 2 mexe com a sua cabeça" href="http://www.diabeticool.com/como-o-diabetes-tipo-2-mexe-com-a-sua-cabeca/">Eli Lilly</a> se juntou ao grupo canadense e começou a produção e distribuição em larga escala da insulina de origem animal pelo mundo, tornando esta descoberta local em um medicamento que salvaria vidas em todo o globo terrestre.</p>
<p>Obviamente que muita coisa evoluiu ao longo destes 90 anos.</p>
<p>Hoje nossos pacientes diabéticos dispõem de insulinas desenvolvidas por engenharia genética, agulhas finíssimas, canetas de aplicação de insulina, discretas e pequenas,  bombas de infusão contínua de insulina, <a title="As picadas no dedo estão com os dias contados" href="http://www.diabeticool.com/as-picadas-no-dedo-estao-com-os-dias-contados/">aparelhos medidores de glicemia</a> pequenos e rápidos e contagem de carboidratos para facilitar a dieta.</p>
<figure id="attachment_1389" aria-describedby="caption-attachment-1389" style="width: 404px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/insulina-primeira-seringa.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-1389" title="insulina primeira seringa" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/insulina-primeira-seringa.jpg" alt="" width="404" height="273" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/insulina-primeira-seringa.jpg 404w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/insulina-primeira-seringa-355x240.jpg 355w" sizes="(max-width: 404px) 100vw, 404px" /></a><figcaption id="caption-attachment-1389" class="wp-caption-text">Seringa de aplicação de insulina do ano de 1926.</figcaption></figure>
<p>Felizmente, o Brasil tomou um papel de destaque nesta história dando o pontapé inicial no uso de células-tronco na tentativa de melhorar ainda mais a qualidade de vida dos portadores de diabetes tipo 1.</p>
<p>Que esta curta história sirva de estímulo para os diabéticos de hoje se cuidarem melhor. Que todos vejam que estamos vivendo num momento de grande explosão do conhecimento. Estamos na era das células-tronco e também na era de diversas outras pesquisas como a insulina inteligente (<em>Smart Insulin</em>), pâncreas artificial, medidores de glicemia com infra-vermelho, etc.</p>
<p>Encorajo a todos que se cuidem, que aceitem o diabetes e façam o tratamento adequadamente para poderem ter a chance de experimentar e utilizar as diversas novidades que estão por chegar até nós em poucos anos (<strong>poucos anos mesmo</strong>). Vamos nos cuidar bem hoje para podermos desfrutar do que vem por aí.</p>
<figure id="attachment_2661" aria-describedby="caption-attachment-2661" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-2661" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Laboratorio-Toronto-Canada-1922.jpg" alt="Laboratório de fisiologia na Universidade de Toronto onde Banting e Best trabalharam." width="650" height="527" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Laboratorio-Toronto-Canada-1922.jpg 650w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Laboratorio-Toronto-Canada-1922-296x240.jpg 296w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Laboratorio-Toronto-Canada-1922-168x137.jpg 168w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /><figcaption id="caption-attachment-2661" class="wp-caption-text">Laboratório de fisiologia na Universidade de Toronto onde Banting e Best trabalharam.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<div style="background-color: red; border: 5px solid black; padding: 10px;">
<p><span style="color: #ffffff;">Por<strong> Dr Carlos Eduardo Barra Couri </strong><a href="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Dr-Couri-2.jpg"><img loading="lazy" class="alignright wp-image-1368" title="Dr Couri 2" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Dr-Couri-2.jpg" alt="" width="134" height="134" border="2" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Dr-Couri-2.jpg 166w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2012/08/Dr-Couri-2-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 134px) 100vw, 134px" /></a></span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">PhD em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto &#8211; USP Pesquisador da Equipe de Transplante de Células-tronco &#8211; USP &#8211; Ribeirão Preto. Pesquisas, prêmios e publicações internacionais sobre diabetes tipo 1 e terapia com células-tronco.</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">Site: <a href="http://carloseduardocouri.blogspot.com.br"><span style="color: #ffffff;">http://carloseduardocouri.blogspot.com.br</span></a> ; <a href="http://www.twitter.com/cecouri"><span style="color: #ffffff;">www.twitter.com/cecouri</span></a></span></p>
</div>
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