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	<title>história do diabetes | Diabeticool</title>
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	<description>Tudo sobre diabetes, dicas de saúde, medicamentos, insulinas, tratamentos e receitas!</description>
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		<title>A História do Diabetes – Parte 4 – O Século XX veio com tudo!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação Diabeticool]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Feb 2014 12:31:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ronaldo Wieselberg]]></category>
		<category><![CDATA[Clinistix]]></category>
		<category><![CDATA[Dextrostix]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O último século trouxe revoluções médicas e tecnológicas sem precedentes, que modificaram por completo a maneira de tratar o diabetes. Veja quais foram as novidades! POR RONALDO WIESELBERG Depois da descoberta da insulina, e do estudo do seu uso, as terapêuticas disponíveis para o diabetes foram revolucionadas. As notícias nos periódicos diziam que a cura &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O último século trouxe revoluções médicas e tecnológicas sem precedentes, que modificaram por completo a maneira de tratar o diabetes. Veja quais foram as novidades!</em><span id="more-6761"></span></p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>POR RONALDO WIESELBERG</strong></span></p>
<p>Depois da descoberta da insulina, e do estudo do seu uso, as terapêuticas disponíveis para o diabetes foram revolucionadas. As notícias nos periódicos diziam que a cura havia sido descoberta – e, bem, até certo ponto, foi uma cura, uma vez que permite, até hoje, a quem tem diabetes ter uma vida completamente normal e saudável! – e a fabricação da insulina começou.</p>
<p>A insulina, por falar nisso, não foi a responsável por “apenas” um Prêmio Nobel. Em 1958, ela foi, também, responsável pelo Prêmio Nobel de Química para o sequenciamento de aminoácidos que a compõem, e em 1977, também foi a responsável pelo Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia pelo radioimunoensaio da insulina – usado para detectar insulina no sangue. É uma molécula, de fato, fantástica!</p>
<p>Fantástico, também, foi o século XX. Além de ter duas guerras mundiais, uma quebra de bolsa que arruinou o mundo inteiro, o surgimento e decadência de uma potência mundial, a chegada do homem à Lua, o Brasil ganhando suas primeiras quatro Copas do Mundo e muitos outros fatos, o tratamento do diabetes evoluiu, em menos de 100 anos, como jamais evoluiu nos quase 3400 anos anteriores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>ANOS 20</strong></span></p>
<p>Bem, voltemos a 1925. Com a descoberta da insulina, os pacientes podiam ter uma vida normal, casar, ter filhos, e principalmente, viver mais de um ano. Para isso, porém, precisavam usar a insulina, e mais, saber quanto estava a glicemia. À época, era difícil saber a glicemia exata, uma vez que exames de sangue eram caros e difíceis de fazer. O método mais utilizado era a verificação da glicosúria, ou seja, ver se existia glicose no xixi.</p>
<p><a href="http://www.diabeticool.com/revelado-o-segredo-da-agua-de-quiabo/">Como eu já falei em um outro artigo</a>, os nossos rins eliminam a glicose pela urina caso exista muita glicose na corrente sanguínea – na verdade, acima de 180mg/dl já conseguimos encontrar glicose no xixi. Assim sendo, um método para detectar hiperglicemias era ver se a glicemia estava alta o suficiente para que existisse glicose no xixi. Naquela época, não se sabia dos valores que causariam problemas – hoje sabemos que valores acima de 126mg/dl, em média (o que corresponde a uma hemoglobina glicada de 7,0%) são suficientes para, a longo prazo, causarem complicações.</p>
<p>Então, pelo estudo dos carboidratos, um cientista de nome Stanley Benedict – que seria o nosso “Benedito” – descobriu um jeito fácil de detectar a glicose no xixi. Por meio de uma reação química, que envolvia cobre, ele conseguia oxidar a glicose, que mudaria de cor. Assim, se a urina mudasse de cor, teríamos a glicosúria, e portanto, uma hiperglicemia. Se não mudasse de cor, não haveria glicosúria e não haveria hiperglicemia detectável.</p>
<p>Deixo o “detectável” em destaque porque não sabemos, por esse teste, se existe de fato, ou não, uma hiperglicemia. Mas, naquela época, era o melhor teste possível, e demorava menos de vinte minutos. Sim. Vinte minutos.</p>
 Em vez do monitor de glicemia, você precisaria praticamente de um laboratório inteiro para descobrir se estava ou não com hiperglicemia.
<p>Em 1925, também, surgiu o primeiro acampamento de diabetes no mundo, sob a direção do Dr. Elliott Joslin.</p>
<p>Em 1927, uma medicação oral, derivada da planta conhecida como “lilás francês” foi anunciada como alternativa à insulina. Curiosamente, essa medicação não surtia efeito em crianças, mas surtia um efeito interessante em adultos, principalmente naqueles que a insulina tinha dificuldade de agir. Por não bater os efeitos milagrosos da insulina, ele foi esquecido por um tempinho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #008080;">ANOS 30</span></strong></p>
<p>Na década de 1930, a insulina sofreu uma mudança em sua molécula. Quando adicionaram zinco – sim, zinco, aquele metal! – à mistura, descobriram que a insulina durava mais nos frascos, além de que ao adicionarem uma proteína extra, causava um aumento na duração da insulina. Essa insulina foi chamada de “Insulina Zinco-Protamida”. Assim, a insulina duraria mais tempo, além de permitir uma flexibilidade muito maior na administração.</p>
<p>Em 1936, o médico Himsworth dividiu o diabetes mellitus em dois tipos: tipo 1, em geral, aparecia em crianças, tinha um início rápido e devastador, e tinha alta sensibilidade à insulina; tipo 2, aparecia, em geral, em adultos, com início insidioso, lento, e tinha baixa sensibilidade à insulina – aliás, apresentava, até, certa resistência à insulina. Curiosamente, o tipo 2 demonstrava um efeito positivo sob os efeitos do medicamento do lilás francês. Decidiram, então, estudar melhor essa planta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>ANOS 40</strong></span></p>
<p>No começo da década de 40 do século XX, houve uma mudança na conformação da molécula da insulina, com uma outra proteína. A insulina, então, foi chamada, em inglês, de “neutral protamine Hagedorn”, e até hoje ela é usada. A coisa é que a conhecemos pela sigla desse nome, o popular “NPH”. Pois é, a sigla não significa “normal para humanos”&#8230;</p>
<p>No fim da mesma década de 40, Helen Free desenvolveu o Clinistix, que foi o primeiro teste “molhe e veja” na urina. O resultado saía quase que instantaneamente, não demorava mais do que trinta segundos. De vinte minutos para trinta segundos, foi uma evolução bastante grande!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>ANOS 50</strong></span></p>
<p>Em 1950, o lilás francês teve seus estudos concluídos, o princípio ativo foi isolado, e descobriu-se a dose exata em que ele não era tóxico, e fazia bem – vejam, demorou 14 anos para que isso fosse concluído! Foi chamado de “metformina”, e foi liberado para uso na Europa, a partir da síntese em laboratórios alemães. Só em 1955 que o FDA (Food and Drugs Administration, o órgão que regulamenta medicamentos e comida nos Estados Unidos, é como a ANVISA de lá) aprovou o uso de medicamentos orais para o diabetes nos EUA. A metformina, em si, só seria aprovada em 1994.</p>
 Demorou 14 anos para que o princípio ativo passasse do lilás francês à metformina. Catorze anos de cientistas dedicados para que soubéssemos que ele não causaria o mal de ninguém!
<p>Em 1951, um estudo de Lawrence e Bornstein, com os pacientes que tinham tipo 1 e tipo 2 de diabetes demonstrou que quem tinha o então chamado “Diabetes Mellitus Insulino Dependente”, hoje chamado de “tipo 1”, não tinha insulina circulante no corpo. Esse mesmo estudo demonstrou que quem tinha o chamado “Diabetes Mellitus Não-Insulino Dependente”, hoje chamado de “tipo 2” tinha insulina circulante. Conhecendo os efeitos da metformina, recém descoberta, começou o seu uso como medicamento para o diabetes tipo 2.</p>
<p>Entre 1959 e 1960, Yallow e Berson desenvolveram o radioimunoensaio com a insulina, que hoje é usado para várias substâncias na corrente sanguínea. Isso tornou mais fácil a medição de insulina no sangue – principalmente para confirmar os resultados de Lawrence e Bornstein. Esse foi o trabalho que rendeu à insulina seu terceiro Prêmio Nobel.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>ANOS 60</strong></span></p>
<p>Em 1964, enquanto o Brasil sofria com a consolidação de uma ditadura militar, que cerceava direitos, surgiam as primeiras tiras de Dextrostix, que permitiam o teste de glicemia de fato – ou seja, a verificação da glicose no sangue! Demorava o mesmo tanto que o Clinistix – uns trinta segundos! – e era muito mais confiável, uma vez que não sofria interferência do momento de produção da insulina.</p>
<p>Cabe aqui um parênteses: o teste na urina não é o mais indicado para a glicose, já que os valores de glicemia são alterados praticamente a cada segundo, e a urina pode ficar estocada por várias horas – que o diga quem acorda apertado, pela manhã! –, por isso os valores podem não ser exatamente aqueles que são indicados pela glicosúria.</p>
<p>As primeiras bombas de insulina, que tinham praticamente o tamanho de uma mochila grande, foram desenvolvidas, também, na década de 60 do século XX. Eram ligadas diretamente às veias da pessoa, e a insulina não durava muito tempo nos reservatórios. Além de tudo, eram pesadas pra caramba! Mas, se pensarmos que naquela época, os computadores tinham o tamanho de um andar inteiro de um prédio grande&#8230;</p>
<figure id="attachment_6764" aria-describedby="caption-attachment-6764" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6764" alt="antiga bomba de insulina diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/02/antiga-bomba-de-insulina-diabetes.jpg" width="600" height="508" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/02/antiga-bomba-de-insulina-diabetes.jpg 600w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/02/antiga-bomba-de-insulina-diabetes-283x240.jpg 283w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6764" class="wp-caption-text">Uma das primeiras bombas de insulina. Era grande, desajeitada, e precisava ficar ligada às veias o tempo todo. Não era muito prático&#8230;</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>ANOS 70</strong></span></p>
<p>Em 1970, enquanto o Brasil ganhava o Tri, com Carlos Alberto, Jairzinho, Tostão, Pelé – em sua melhor forma! – e Gérson, o primeiro monitor de glicemia, como conhecemos hoje, era lançado. Seu nome era Ames, e era baseado na reflexão da luz nas tiras reagentes.</p>
<p>Em 1973, a insulina U-100, ou seja, que tem 100 unidades em cada mililitro, que é o padrão utilizado até hoje – pode verificar no frasco ou refil da sua insulina, está ali, U-100! – foi introduzida no mercado. Rapidamente, ela se tornou o padrão humano, uma vez que a maioria das seringas utilizadas comportavam exatamente 1 mL, o que facilitava bastante as dosagens.</p>
<p>Em 1976, o teste e hemoglobina glicada – HbA1C ou simplesmente “A1C” – foi introduzido como meio de monitorar o diabetes, uma vez que demonstrava a “quantidade de glicose que grudava nas hemácias”. Assim, permitia verificar ao longo de quase três meses a média de glicose no sangue – em vez de apenas verificar a quantidade de glicose naquele momento que existia no sangue, como era feito até aquele momento.</p>
<p>No final da década de 70, com o advento da recombinação gênica, começou o sonho da insulina humana, feita a partir do sequenciamento dos aminoácidos da insulina detectada pelo radioimunoensaio, e depois, feita em cultura. Seria a combinação de quatro prêmios Nobel – os três da insulina, acrescentados do prêmio Nobel de Medicina de 1968, sobre o papel dos genes na produção das proteínas –, para que apenas uma substância fosse produzida.</p>
<p>Em 1978, a primeira insulina recombinante humana, idêntica àquela que o corpo humano produz, foi fabricada. Em 1980, ela foi introduzida no mercado, sob o nome de “Humulin”, pela mesma Eli Lilly Corporation que havia produzido a primeira insulina com Banting, Best, Collip e Macleod – agora, sob o nome de Lilly Co. Em 1983, a FDA aprovou seu uso nos EUA.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>ANOS 80</strong></span></p>
<p>Em 1980, surgem os dois primeiros acampamentos, no Brasil, para crianças com diabetes. Posteriormente, eles se tornaram um único acampamento, hoje na 34ª edição, sob o nome de Acampamento ADJ-Unifesp. Eu, inclusive, sou monitor desse acampamento!</p>
<p>Em 1983, também, foi introduzido o monitor “Reflolux”. Com o passar do tempo, ele teria seu nome modificado, assim como a sua tecnologia. Hoje, ele está presente no mercado sob a marca registrada de “Accu-Check”.</p>
<figure id="attachment_6765" aria-describedby="caption-attachment-6765" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6765" alt="reflolux diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/02/reflolux-diabetes.jpg" width="600" height="508" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/02/reflolux-diabetes.jpg 600w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/02/reflolux-diabetes-283x240.jpg 283w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6765" class="wp-caption-text">A evolução dos monitores de glicemia&#8230; Olha ali, à esquerda e acima, o Reflolux!</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>ANOS 90</strong></span></p>
<p>Em 1994, foi retomada a ideia da restrição de carboidratos, e da quantidade de elevação de glicose no sangue que causavam. É claro que não foi nada tão radical quanto pregado no século XIX. Teve início a terapia de contagem de carboidratos, que chegou no Brasil um tempo depois. Ela ficou ainda mais fácil depois que, em 1996, a FDA aprovou os análogos ultrarrápidos de insulina, que tinham início de ação em 15 minutos.</p>
<p>Porém, ainda havia muito a ser descoberto e feito pelo diabetes. Por mais que a terapia já estivesse muito avançada, as pessoas ainda tinham muitas complicações, e todos os esforços para evitá-las ainda engatinhavam. As ações direcionadas surgiram no século XXI, e continuam sendo desenvolvidas, mas isso&#8230; É o tema do nosso último episódio!</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="background-color: #b8d4e2; border: 2px solid; border-color: #6E7F88; padding: 10px;"><img loading="lazy" class="alignright size-full wp-image-6190" alt="ronaldo wieselberg perfil diabeticool" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool.jpg" width="166" height="167" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool.jpg 166w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 166px) 100vw, 166px" /><span style="color: #424c52;"><strong>Ronaldo José Pineda Wieselberg</strong></span> tem diabetes há mais de 20 anos. É estudante de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSCSP), auxiliar de coordenação do Treinamento de Jovens Líderes em Diabetes da ADJ Diabetes Brasil e Jovem Líder em Diabetes pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), com trabalhos sobre diabetes premiados e apresentados no Brasil e no exterior. Apesar de ter o mesmo nome de vários grandes jogadores de futebol, prefere o xadrez.</div>
<div style="background-color: #dbe9f0; border: 2px solid; border-color: #6E7F88; padding: 10px;"><strong>+ Leia mais textos de Ronaldo Wieselberg:</strong><br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-3-como-usar-a-insulina/">A História do Diabetes &#8211; Parte III</a>&#8221; &#8211; 27.01.2014<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-2-de-uma-decepcao-amorosa/">A História do Diabetes &#8211; Parte II</a>&#8221; &#8211; 20.01.2014<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-1-da-antiguidade-ao-seculo-xix/">A História do Diabetes &#8211; Parte I</a>&#8221; &#8211; 11.01.2014<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/exageros-no-fim-do-ano/">Exageros no Fim do Ano &#8211; como aproveitar as Festas com saúde</a>&#8221; &#8211; 31.12.2013<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/revelado-o-segredo-da-agua-de-quiabo/">Revelado o segredo da água de quiabo</a>&#8221; &#8211; 18.12.2013<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/uma-nova-forca-lutando-pelo-diabetes-por-ronaldo-wieselberg/">Uma nova força lutando pelo diabetes</a>&#8221; &#8211; 16.12.2013</div>
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			</item>
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		<title>A História do Diabetes – Parte 3 – Como usar a insulina?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação Diabeticool]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2014 18:24:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ronaldo Wieselberg]]></category>
		<category><![CDATA[Elliot Joslin]]></category>
		<category><![CDATA[Frederick Allen]]></category>
		<category><![CDATA[Frederick Banting]]></category>
		<category><![CDATA[glicemia]]></category>
		<category><![CDATA[hipoglicemia]]></category>
		<category><![CDATA[história do diabetes]]></category>
		<category><![CDATA[Insulina]]></category>
		<category><![CDATA[James Collip]]></category>
		<category><![CDATA[Leonard Thompson]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na 3a parte da História do Diabetes, Ronaldo Wieselberg conta como foram os primeiros testes com a insulina e os excitantes dramas pessoais por trás das pesquisas! POR RONALDO WIESELBERG No último capítulo da nossa viagem conhecemos os dramas do Dr. Frederick Banting durante a descoberta da insulina, e como ele passou o Natal de &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Na 3a parte da História do Diabetes, Ronaldo Wieselberg conta como foram os primeiros testes com a insulina e os excitantes dramas pessoais por trás das pesquisas!</em><span id="more-6694"></span></p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>POR RONALDO WIESELBERG</strong></span></p>
<p>No último capítulo da nossa viagem conhecemos os dramas do Dr. Frederick Banting durante a descoberta da insulina, e como ele passou o Natal de 1921 sozinho, após o Dr. James Collip isolar a substância – <strong><a href="http://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-2-de-uma-decepcao-amorosa/">como você pode ler aqui</a></strong>.</p>
<p>Enquanto isso, existiam alguns outros personagens no mundo do diabetes nessa época. Um deles era o Dr. Frederick Allen, um dos maiores especialistas em diabetes do mundo, juntamente com o Dr. Elliott Joslin. Enquanto Allen acreditava na terapia da inanição como a solução definitiva para o diabetes, Joslin acreditava que essa terapia era muito mais danosa aos pacientes do que benéfica, e sempre acreditou em educar o paciente para que ele soubesse o que evitar, enquanto restringia a alimentação de maneira mais “humana”.</p>
<p>Ao contrário do que possa se pensar, Allen tratou inclusive a filha de um dos Secretários de Estado – algo como Ministro das Relações Exteriores – dos Estados Unidos, na época. Inclusive, esse político, Charles Evans Hughes, visitou o Brasil por volta da época da descoberta da insulina!</p>
<p>Allen e Joslin não eram inimigos, muito pelo contrário. O fato de divergirem em muitas das opiniões alavancou muitos estudos que realizaram com pacientes, de maneira a entender melhor a doença. Allen, inclusive, tinha escrito, graças a essa relação, um livro que era considerado “a Bíblia do Diabetes”, na época, enquanto Joslin também tinha escrito um livro que era uma referência para médicos que tratavam diabetes.</p>
<figure id="attachment_6695" aria-describedby="caption-attachment-6695" style="width: 427px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6695" alt="elliott joslin and frederick allen diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/elliott-joslin-and-frederick-allen-diabetes.jpg" width="427" height="252" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/elliott-joslin-and-frederick-allen-diabetes.jpg 427w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/elliott-joslin-and-frederick-allen-diabetes-407x240.jpg 407w" sizes="(max-width: 427px) 100vw, 427px" /><figcaption id="caption-attachment-6695" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita, Elliott P. Joslin e Frederick M. Allen, à época, os dois maiores especialistas em diabetes do mundo.</figcaption></figure>
<p><span style="color: #008080;"><strong>UMA CONFERÊNCIA QUE MUDOU A HISTÓRIA</strong></span></p>
<p>Entre 28 e 30 de dezembro de 1921 – três dias depois do fatídico Natal de Banting – ocorreu o Encontro da Sociedade Americana de Fisiologia. A notícia da descoberta de uma substância que baixava a glicemia tinha corrido como fogo em palha seca. A equipe de Banting – composta, até então, por quatro pessoas: ele mesmo, Macleod, Best e Collip – tinha praticamente dobrado.</p>
<p>Esse aumento de pessoal era destinado a purificar o extrato e tornar possível o uso em seres humanos o mais rápido possível. Banting e sua equipe estavam começando a testar o extrato de pâncreas de boi e de porco, e os resultados estavam sendo bastante satisfatórios.</p>
<p>Durante a conferência, Banting se sentia muito nervoso. Ele nunca fora um acadêmico, sempre fora um homem prático. E agora, se via prestes a apresentar um trabalho revolucionário perante uma sociedade nacional. Por mais que ele tivesse assistido às palestras dos outros colegas para ganhar traquejo, os murmúrios que ouvia sobre “um trabalho revolucionário feito no Canadá por um tal de Dr. Banting” o deixavam cada vez mais ansioso.</p>
<p>Na sexta-feira – que, curiosamente, era 30 de dezembro, e não 13&#8230; – a sala de apresentações estava lotada. Frederick Allen estava lá, junto com Elliott Joslin. Alec Clowes, o representante da empresa farmacêutica Eli Lilly também estava lá, interessado nessa descoberta. A menor falha nos experimentos seria percebida por todos os especialistas ali.</p>
<p>Uma vez que nem Banting, nem Best eram membros da sociedade, Macleod começou a palestra. Sendo sincero, ele também percebeu que Banting estava tremendo feito vara verde, e não conseguiria falar diante daquele monte de médicos. Durante a introdução, o que chamou a atenção de Banting era que Macleod sempre falava em “nosso” trabalho – e cada vez que isso acontecia, ele se lembrava do calor infernal de agosto e setembro em que ele e Best trabalharam, enquanto Macleod estava sentado confortavelmente em sua mesa.</p>
<p>Macleod chamou Banting para falar sobre o trabalho, mas o nervosismo era tanto que, pouco a pouco, Fred foi emudecendo. No final, sua voz era um murmúrio, e ninguém percebeu quando a palestra tinha acabado. Apenas quando Macleod se levantou e agradeceu, houve uma rodada rápida de aplausos.</p>
<p>Enquanto os médicos cercaram Macleod, bombardeando-o com perguntas, Alec Clowes se aproximou de Banting e Best. Ele ofereceu, em nome da Eli Lilly Company todas as condições para a purificação e produção em massa do extrato. Macleod, por sua vez, recusou, uma vez que a Universidade de Toronto tinha um laboratório próprio, que iria fabricar a insulina para uso humano.</p>
<p>Banting viu isso como uma traição terrível. Não tendo dinheiro para se manter no congresso após a palestra, ele voltou na mesma noite, de trem, para Toronto. A noite inteira ele se remoeu, pensando no quão triste e vil era aquilo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>BRIGAS, UM OLHO ROXO E O PRIMEIRO USUÁRIO DE INSULINA</strong></span></p>
<figure id="attachment_6698" aria-describedby="caption-attachment-6698" style="width: 181px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6698" alt="Leonard Thompson diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/Leonard-Thompson-diabetes.jpg" width="181" height="237" /><figcaption id="caption-attachment-6698" class="wp-caption-text">O garotinho Leonard Thompson, primeiro diabético tipo 1 a ser tratado com insulina.</figcaption></figure>
<p>Em 11 de janeiro de 1922, Leonard Thompson, um menino canadense que à época consumia apenas 450 kcal diárias – o normal para um ser humano saudável é 2000 kcal – recebeu uma dose do mesmo extrato usado em cães – purificado ao máximo. Era a metade da dose que um cachorro de mesmo peso receberia, e por isso, a queda na glicemia foi inconclusiva. Parecia ter funcionado, mas ninguém arriscava o pescoço naquela ideia.</p>
<p>Em 14 de janeiro do mesmo ano, um artigo no Toronto Daily Star, o jornal mais importante da região, dizia, em letras garrafais “Trabalho em Diabetes mostra Sucesso Contra a Doença”. Novamente, Macleod usara os termos “nós” e “nosso trabalho”, o que enfureceu Banting.</p>
<p>Em 16 de janeiro, Collip conseguiu purificar a insulina, e foi dar as boas novas a Banting. De tão enfurecido que estava, Banting atirou Collip ao chão, gritando que agora, sim, a substância seria chamada de “soro de Collip”. Entristecido e desapontado, Collip foi pedir a demissão sumária de Banting. Porém, o reitor da universidade disse que a culpa era de Macleod, que não tinha conseguido um bom relacionamento com os membros da equipe.</p>
<p>Em 23 de janeiro, o mesmo Leonard Thompson recebeu uma dose do extrato purificado de Collip. A glicemia dele baixou – em valores utilizados hoje – de 520mg/dl para 120mg/dl.</p>
<p>Em 25 de janeiro, a equipe de Banting teve uma reunião. Banting parecia destroçado fisica e mentalmente. Collip tinha vestígios de um olho roxo. Macleod estava sob pressão da Eli Lilly, da reitoria da universidade, e até do presidente do Canadá. Best tentava segurar as pontas, mas nada estava dando certo. Todo o trabalho estava por um fio.</p>
<p>Em fevereiro, Banting sucumbiu às pressões. Entrou no laboratório e pegou uma garrafa de álcool 95%. Bebeu num béquer – o “copo” usado para os experimentos. Best o encontrou, praticamente desmaiado no laboratório, no dia seguinte, e não pôde fazer nada além de deitar o parceiro em uma cama. Banting era o pior inimigo de si mesmo.</p>
<p>Em março, com a publicação de dois artigos – tendo como autores Banting e Best, nada de Macleod ou Collip até o momento – em periódicos científicos respeitáveis, esperava-se um retorno de Banting. Ele não voltou. Best, então, foi procurá-lo.</p>
<p>Best encontrou Banting bêbado, em casa. Apesar dos apelos, Banting se recusava a voltar para a pesquisa. Best, então, pela primeira e única vez, deixou a raiva fluir. Gritou com Banting, arrancou o béquer de suas mãos e o arrebentou contra a parede. Gritou sobre as crianças que seriam salvas, e agora, sem Banting, morreriam sem a insulina. Com a discussão, Best disse que também sairia da pesquisa.</p>
<p>Na manhã seguinte, 1º de Abril, Banting acordou e viu o caderno de Best aos pés de sua cama. Ele se lembrou de alguns pontos da discussão e sentiu-se culpado pela saída provável de Best e por tudo o que tinha falado sob efeito do álcool.</p>
<p>Em 3 de abril, com a saída de Collip da Universidade de Toronto, Best assumia o departamento de Bioquímica, e registrava a patente da insulina, vendendo-a para a universidade pela soma simbólica de um dólar. Macleod reconheceu que errou com a Eli Lilly Company e com Banting.</p>
<p>Best foi o elo da corrente que não se partiu. Graças a ele, a pesquisa continuou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>O &#8216;MILAGRE&#8217; DA INSULINA</strong></span></p>
<p>Allen e Joslin estavam deslumbrados com os resultados da insulina. Allen foi o médico que mais auxiliou os experimentos com pacientes em 1922, usando a insulina em 161 pacientes. A empresa Eli Lilly Company foi a primeira a conseguir um suprimento constante de insulina no mundo.</p>
<p>Em agosto de 1922, Allen fez o primeiro experimento com insulina em seus pacientes. Seis crianças, em coma, todas pesando menos da metade do que deveriam pesar. Injetou insulina na primeira criança, e nada aconteceu. Injetou insulina na segunda criança, e nada aconteceu. Nada na terceira. Nem na quarta. Nem na quinta. Quanto injetou a insulina na última criança, e estava pronto para dizer àquelas mães, sofridas, que nada mais restava, a primeira criança começou a acordar.</p>
<p>Um arrepio passou pela espinha do médico. Era quase como a ressureição de Lázaro, da Bíblia. Era um milagre da medicina. A “cura” tinha chegado. Diabetes não seria mais uma doença mortal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>JUNTO À INSULINA, EIS A HIPOGLICEMIA!</strong></span></p>
<p>Joslin sentiu-se honrado com a possibilidade de usar a insulina. Durante o uso, dedicou-se, então, a estudar a insulina, seus efeitos e como poderia melhorara vida das pessoas com diabetes.</p>
<p>Então, surgiu, diante do uso da insulina, uma complicação ainda mais terrível: hipoglicemias. Com o uso indiscriminado da insulina, por vezes a glicemia caía abaixo dos níveis normais – hoje, sabemos que hipoglicemia é quando a glicemia cai abaixo de 70mg/dl – e até aquele momento, ninguém sabia da existência de hipoglicemias, quanto mais do tratamento.</p>
<p>Joslin foi o primeiro a sugerir o uso de suco de laranja – ótima fonte de açúcar! – como tratamento, e foi um padrão por muito tempo. Ele se tornou o maior especialista em diabetes do mundo, graças à sua disposição em estudar os efeitos daquela nova substância descoberta por Banting aplicados aos seus conhecimentos desenvolvidos junto com Allen.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>O MAIOR RECONHECIMENTO CIENTÍFICO</strong></span></p>
<p>Em setembro de 1922, Banting e Macleod foram indicados ao Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia. Sabendo que caso a hostilidade dentro da equipe fosse descoberta as chances seriam nulas, Banting fez o impossível para aguentar sua fúria.</p>
<p>Um dos cientistas que avaliaram a descoberta de Banting, August Krogh, voltou para a Dinamarca com a fórmula para fabricar a insulina. Ele fundou, então, a Nordisk Insulin Laboratorium, pioneira na Europa a produzir insulina.</p>
<p>Em 1923, Banting e Macleod foram laureados com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, pela descoberta da insulina. Foi o primeiro Prêmio Nobel do Canadá, e até hoje, a nota de 100 dólares canadenses mostra um frasco de insulina.</p>
<p>Banting, é claro, ficou furioso que Best fora esquecido, e dividiu sua parte do prêmio com ele. Macleod não teve outra saída senão dividir sua parte, também, com Collip.</p>
<figure id="attachment_6696" aria-describedby="caption-attachment-6696" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6696" alt="nobel prize banting macleod diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/nobel-prize-banting-macleod-diabetes.jpg" width="462" height="632" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/nobel-prize-banting-macleod-diabetes.jpg 462w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/nobel-prize-banting-macleod-diabetes-175x240.jpg 175w" sizes="(max-width: 462px) 100vw, 462px" /><figcaption id="caption-attachment-6696" class="wp-caption-text">O diploma que confere o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1923 a Frederick G. Banting e John J. R. Macleod.</figcaption></figure>
<p>Em 1929, Allen sofreu um revés financeiro incalculável. Suas economias estavam em ações da Bolsa de Nova York, que quebrou. Seu instituto para o estudo do diabetes faliu, e ele caiu no esquecimento.</p>
<p>Joslin dedicou sua vida ao tratamento do diabetes, educação e pesquisa, fundando o Joslin Diabetes Center, afiliado à Faculdade de Medicina de Harvard. Ele também fundou o primeiro acampamento para jovens com diabetes, modelo seguido inclusive no Brasil, com o Acampamento ADJ-Unifesp-NR, em São Paulo e com o Diabetes Weekend, em Minas Gerais.</p>
<p>Joslin manteve o registro dos exatos 58 784 pacientes que tratou ao longo de sua vida. Sua frase mais famosa foi reproduzida milhares de vezes ao redor do mundo:</p>
<p>“Educação não é parte do tratamento do diabetes. Educação É o tratamento.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>O QUE ACONTECEU COM CADA UM DOS PERSONAGENS</strong></span></p>
<p>Charles Best continuou seus estudos em Fisiologia, descobrindo inclusive a histaminase e a lecitina, duas substâncias importantes do metabolismo, e estudou os efeitos da colina no organismo. Ele substituiu Macleod como professor de Fisiologia na Universidade de Toronto aos 29 anos.</p>
<p>James Bert Collip perdoou Banting pelos incidentes, e eles acabaram se tornando bons amigos. Ele continuou suas pesquisas em endocrinologia, e conseguiu trabalhar isolando o paratormônio, um hormônio secretado pels paratireoides, e o hormônio adrenocorticotrófico, secretado pela hipófise. Ele foi o sucessor de Banting no Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá.</p>
<p>John James Rickard Macleod sofreu em silêncio o resultado da ira de Banting. Conforme a popularidade de Banting crescia, a de Macleod caía. Em 1928 ele deixou a Universidade de Toronto, voltando para a Escócia, sua terra natal, como Professor Pleno de Fisiologia na Universidade de Aberdeen. Ele nunca comentou os anos que passou no Canadá.</p>
<p>Frederick Grant Banting fundou a Fundação Banting de Pesquisa com o dinheiro do Prêmio Nobel, que ajudou, inclusive, a projetar partes do traje anti-gravidade dos astronautas americanos, além de guerra química e biológica. Em 1941, mesmo contra os apelos do governo do Canadá, ele embarcou em um avião para a Inglaterra, para atuar como médico durante a Segunda Guerra Mundial. O avião caiu momentos após a decolagem, e Banting não suportou os ferimentos, morrendo ao lado de Collip, no hospital, naquela mesma noite.</p>
<p>Até hoje, cartas e postais são endereçados ao Dr. Frederick Banting, aquele que teve a ideia e lutou contra todas as dificuldades para descobrir aquela que foi a salvação de todas as pessoas com diabetes ao redor do planeta.</p>
<figure id="attachment_6697" aria-describedby="caption-attachment-6697" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6697" alt="postal card to doctor banting insulin diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/postal-card-to-doctor-banting-insulin-diabetes.jpg" width="600" height="482" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/postal-card-to-doctor-banting-insulin-diabetes.jpg 600w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/postal-card-to-doctor-banting-insulin-diabetes-299x240.jpg 299w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6697" class="wp-caption-text">Postal para o Dr. Banting, datado de 1924. Diz “Caro Dr. Banting, eu sou uma garotinha no Texas que está recebendo Iletina [o primeiro nome comercial da Insulina]. Ela está fazendo eu me sentir melhor e eu estou muito feliz. Eu queria agradecer ao senhor. Um feliz Natal. Betsy Adylance, Galveston, Texas”.</figcaption></figure>O tratamento do diabetes não se restringiu apenas à insulina. Ele ainda dependia de testes de urina, e agora, o perigo de hipoglicemia era constante. Outros médicos se dedicaram muito às pesquisas, inclusive porque alguns pacientes pareciam reagir mal à insulina&#8230; Mas isso é uma história para o nosso próximo capítulo&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="background-color: #b8d4e2; border: 2px solid; border-color: #6E7F88; padding: 10px;"><img loading="lazy" class="alignright size-full wp-image-6190" alt="ronaldo wieselberg perfil diabeticool" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool.jpg" width="166" height="167" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool.jpg 166w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 166px) 100vw, 166px" /><span style="color: #424c52;"><strong>Ronaldo José Pineda Wieselberg</strong></span> tem diabetes há mais de 20 anos. É estudante de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSCSP), auxiliar de coordenação do Treinamento de Jovens Líderes em Diabetes da ADJ Diabetes Brasil e Jovem Líder em Diabetes pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), com trabalhos sobre diabetes premiados e apresentados no Brasil e no exterior. Apesar de ter o mesmo nome de vários grandes jogadores de futebol, prefere o xadrez.</div>
<div style="background-color: #dbe9f0; border: 2px solid; border-color: #6E7F88; padding: 10px;"><strong>+ Leia mais textos de Ronaldo Wieselberg:</strong><br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-2-de-uma-decepcao-amorosa/">A História do Diabetes &#8211; Parte II</a>&#8221; &#8211; 20.01.2014<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-1-da-antiguidade-ao-seculo-xix/">A História do Diabetes &#8211; Parte I</a>&#8221; &#8211; 11.01.2014<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/exageros-no-fim-do-ano/">Exageros no Fim do Ano &#8211; como aproveitar as Festas com saúde</a>&#8221; &#8211; 31.12.2013<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/revelado-o-segredo-da-agua-de-quiabo/">Revelado o segredo da água de quiabo</a>&#8221; &#8211; 18.12.2013<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/uma-nova-forca-lutando-pelo-diabetes-por-ronaldo-wieselberg/">Uma nova força lutando pelo diabetes</a>&#8221; &#8211; 16.12.2013</div>
<p>&nbsp;</p>The post <a href="https://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-3-como-usar-a-insulina/">A História do Diabetes – Parte 3 – Como usar a insulina?</a> first appeared on <a href="https://www.diabeticool.com">DiabetiCool - Informação de Qualidade sobre Diabetes</a>.]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>A História do Diabetes – Parte 2 – de uma Decepção Amorosa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação Diabeticool]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jan 2014 13:45:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ronaldo Wieselberg]]></category>
		<category><![CDATA[Charles Herbert Best]]></category>
		<category><![CDATA[diabetes]]></category>
		<category><![CDATA[Frederick Banting]]></category>
		<category><![CDATA[glicemia]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[história do diabetes]]></category>
		<category><![CDATA[Insulina]]></category>
		<category><![CDATA[James Collip]]></category>
		<category><![CDATA[John Macleod]]></category>
		<category><![CDATA[pâncreas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acompanhe as aventuras pra lá de atribuladas de um cientista empenhado em achar as causas da doença na segunda parte da História do Diabetes! POR RONALDO WIESELBERG No último artigo, contei como o diabetes era visto até o fim do século XIX. Então, em 1891, nasceu o canadense Frederick Grant Banting, que seria o homem &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Acompanhe as aventuras pra lá de atribuladas de um cientista empenhado em achar as causas da doença na segunda parte da História do Diabetes!</em><span id="more-6610"></span></p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>POR RONALDO WIESELBERG</strong></span></p>
<p><a title="A História do Diabetes – Parte 1 – da Antiguidade ao Século XIX" href="http://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-1-da-antiguidade-ao-seculo-xix/">No último artigo</a>, contei como o diabetes era visto até o fim do século XIX. Então, em 1891, nasceu o canadense <strong>Frederick Grant Banting</strong>, que seria o homem por trás de um <strong>milagre científico</strong>.</p>
<figure id="attachment_6613" aria-describedby="caption-attachment-6613" style="width: 480px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6613" alt="Frederick Grant Banting diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/Frederick-Grant-Banting-diabetes.jpg" width="480" height="376" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/Frederick-Grant-Banting-diabetes.jpg 480w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/Frederick-Grant-Banting-diabetes-306x240.jpg 306w" sizes="(max-width: 480px) 100vw, 480px" /><figcaption id="caption-attachment-6613" class="wp-caption-text">O bonitão Dr. Frederick Grant Banting, ou “Fred” para os íntimos.</figcaption></figure>
<p>Frederick Banting era filho de um fazendeiro, o mais novo de cinco irmãos, e nasceu em Alliston, no Canadá. Uma cidadezinha rural, para falar a verdade. Ele cursou as escolas públicas da cidade, e, quando terminou os estudos, decidiu entrar para o exército canadense.</p>
<p>Bem, ele não conseguiu ingressar nas forças armadas pois sua visão era péssima. Decidiu, então, cursar uma faculdade. Escolheu o curso de Teologia, na Universidade de Toronto. Rapidamente, porém, percebeu que aquela não seria uma boa escolha para ele e se transferiu para o curso de Medicina, na mesma universidade.</p>
<p>Formou-se em 1916, e foi enviado à Primeira Guerra Mundial, na Europa, uma vez que a necessidade de médicos no campo de batalha era crescente. Ali, além de se apaixonar pela ortopedia, ele foi ferido em batalha e, mesmo ferido, passou dezesseis horas atendendo soldados, até que outro médico<strong> o amarrou à cama</strong> para que ele não prejudicasse a si mesmo.</p>
<p>Depois da guerra, Banting era um médico condecorado pelo exército canadense. Porém, isso não adiantou muito. A verdade é que a vida de Banting era uma sucessão de erros e escolhas que acabavam dando errado.</p>
<p>Banting tinha uma namorada desde antes da guerra, chamada Edith. Ele havia prometido, antes da guerra, se casar com ela quando tivesse condições de sustentá-la. Porém, após a guerra, Banting não conseguia encontrar emprego.</p>
<p>Durante algum tempo, ele trabalhou como médico residente no Hospital para Crianças Doentes de Toronto (Toronto’s Hospital for Sick Children), junto de alguns médicos que conheceu nas trincheiras. Ele não foi convidado a permanecer como médico, depois de algum tempo, e teve que deixar o hospital.</p>
<p>Nesse meio tempo, Edith tinha se formado na universidade e estava se destacando no mundo acadêmico como linguista e professora. Frederick, por outro lado, estava comendo o pão que o diabo amassou com farinha estragada. Sem emprego, ele havia torrado suas últimas economias em um anel de noivado para Edith.</p>
<p>A coisa é que Edith tentou entender Frederick. Ela se dispôs, inclusive, a sustentá-lo até que ele estabelecesse uma carreira sólida como médico – coisa raríssima no começo do século XX! – mas ele não aceitou, motivado por seu orgulho. Estando em cidades distantes, Edith prosperando e Frederick cada vez mais sem saída, o relacionamento deles começou a dar sinais de problemas.</p>
<p>Durante duas vezes, Edith devolveu o anel de noivado para Frederick. Ele tentou uma atitude de quase desespero e comprou uma casa, no norte do estado de Toronto, em uma cidadezinha chamada London. Ele esperava que, tendo uma casa, que também serviria como consultório, seria mais fácil para Edith decidir se mudar para perto dele, e assim, cumprir a promessa de casamento. A casa foi comprada com dinheiro que Frederick emprestou do próprio pai, num total de 7800,00 dólares canadenses – nessa época, essa era uma soma bastante grande de dinheiro!</p>
<p>A terceira vez que Edith e Fred romperam o noivado, foi definitiva. Ele pediu que ela devolvesse o anel de noivado e enterrou no jardim de casa, para que não pudesse mais entregá-lo nem voltar atrás.</p>
<p>Com suas consultas, Fred conseguia dinheiro suficiente para não morrer de fome. No primeiro mês, conseguiu quatro dólares – sim, QUATRO dólares – de um alcoólatra desesperado. Naquela época, de Lei Seca, a única maneira de conseguir álcool por meios legais era com prescrição médica.</p>
<p>No segundo mês, conseguiu 37 dólares. No terceiro mês, 48 dólares. No quarto mês, 66 dólares. A situação estava crítica.</p>
<p>Pobre Fred. Médico desiludido, sem companheira, empobrecido, com terrores da guerra. <strong>Como este homem se tornaria uma das maiores personalidades do mundo</strong>?</p>
<p>Eis que, então, surgiram algumas oportunidades. Uma delas veio do professor Frederick Miller, da Universidade de Toronto, ofereceu a Banting um cargo de professor de Fisiologia e Cirurgia. A verdade é que Banting não era muito qualificado para essas aulas, mas o aumento de oito dólares semanais no salário foi o suficiente para que ele garantisse a Miller que sempre estaria à frente dos alunos. Banting aceitou temporariamente o cargo.</p>
<p>A outra oportunidade era viajar com uma companhia petrolífera para o norte do Canadá, em busca de novos poços de petróleo. Esta opção foi o “chamado selvagem” que Fred sempre quis, e ele estava tentado a aceitá-la em definitivo.</p>
<p>O irmão mais velho de Fred, Ken Banting, foi enviado pela família com a triste missão de botar juízo na cabeça do mais novo. É claro que, sendo ele fazendeiro, como o pai, não aceitou bem a notícia de que Fred tinha rompido definitivamente o noivado e venderia a casa para, provavelmente, viajar com a companhia petrolífera. Ele, então, pressionou o irmão mais novo para que tomasse vergonha na cara e vendesse, também, o anel de noivado, e assim pagasse a dívida com o pai.</p>
<figure id="attachment_6614" aria-describedby="caption-attachment-6614" style="width: 460px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6614" alt="casa de Banting diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/casa-de-Banting-diabetes.jpg" width="460" height="340" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/casa-de-Banting-diabetes.jpg 460w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/casa-de-Banting-diabetes-325x240.jpg 325w" sizes="(max-width: 460px) 100vw, 460px" /><figcaption id="caption-attachment-6614" class="wp-caption-text">Em algum lugar deste quintal, Banting procurava um anel durante a madrugada. A casa pode ser visitada, até hoje, em 442 Adelaide Street N., London, Canadá.</figcaption></figure>
<p>Enfim, podemos ver, agora, o glamuroso Dr. Frederick Banting escavando o chão do quintal, às onze da noite do dia 30 de outubro de 1920. Ele já tinha usado três fósforos para manter a maldita vela acesa, mas parecia que aquela chama tremeluzente piorava as coisas. A procura pelo anel estava demorando um bocado, e ele ainda não havia preparado a aula do dia seguinte – sobre a função do pâncreas no metabolismo de carboidratos.</p>
<p>Fred tinha um livro enorme sobre o assunto, e mal o tinha folheado. Endocrinologia, oras! Que coisa mais idiota, pensava ele. Passar a vida estudando algum sebo que veio de uma glândula escondida no corpo&#8230; Ele considerava isso ridículo! A beleza estava no corte, na sutura e em qualquer coisa que pudesse envolver um serrote em uma sala de operações. O estereótipo do ortopedista.</p>
<p>Por fim, ele encontrou o anel. Tendo uma das missões cumpridas, decidiu ler alguma coisa para a aula do dia seguinte.</p>
<p>Esbarrou, então, com um artigo – considerado por ele como extremamente chato – do norte-americano Moses Barron, chamado “A Relação das Ilhotas de Langerhans [hoje, chamadas de ilhotas pancreáticas] com o Diabetes com Referências Especiais a um Caso de Litíase Pancreática [pedra no ducto das enzimas do pâncreas]”.</p>
<p>Aqui, cabe uma explicação. A primeira, sobre o título dos artigos científicos: sim, todos são longos, aparentemente chatos e complicados, e sempre dizem exatamente sobre o que o artigo vai falar. A segunda, sobre o <a href="http://www.diabeticool.com/o-que-e/pancreas/">pâncreas</a>.</p>
<p>Esse órgão, que fica atrás do estômago, é uma glândula de função dupla. Isso significa que ele produz secreções diferentes: algumas endócrinas – lançadas no sangue, e sendo chamadas de “hormônios” – e outras exócrinas – lançadas em uma cavidade, no caso, no começo do intestino delgado por um ducto, sendo chamadas, então, de “enzimas pancreáticas”. A parte que se refere ao diabetes, já se sabia que era a parte endócrina.</p>
 Todos nós somos assim, por dentro. A diferença é que as veias não são azuis&#8230; O pâncreas é aquela massa amarela em formato de “L” atrás do estômago.
<p>O artigo lido dizia que, em um caso raro, um cálculo – uma pedra, enfim – havia entupido o ducto do pâncreas até o intestino delgado. Com isso, na necropsia – eca, quando abriram a barriga do morto! – perceberam que a parte exócrina – lembra, a parte das enzimas? – havia atrofiado. Apenas a parte das ilhotas pancreáticas havia restado, intacta. Então, concluía o autor, os achados eram consistentes com outros experimentos, e indicavam que alguma secreção das ilhotas pancreáticas tinha uma relação íntima com o diabetes.</p>
<p>Em algum momento depois da leitura do artigo, Fred caiu no sono, à mesa, em cima do livro. Às duas da manhã, ele acordou, sozinho.</p>
<p>Não, ele não estava babando no livro. Também não tinha um ladrão dentro de casa. A coisa é que uma ideia havia brotado em sua mente. Algo, não se sabe de onde, havia surgido e apontava para um caminho que, até onde ele sabia, ninguém havia percorrido antes.</p>
<p>Vinte e cinco palavras (em inglês), cheias de erros causados pelo sono.</p>
<p>“<em>Diabetis</em> (sic) <em>ligar ductos pancreáticos dos cachorros. Manter cachorros vivos até a parte exócrina atrofiar. Tentar isolar a secreção das ilhotas restantes e diminuir a glicosurea</em> (sic).”</p>
<figure id="attachment_6616" aria-describedby="caption-attachment-6616" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6616" alt="nota de Banting diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/nota-de-Banting-diabetes.jpg" width="600" height="463" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/nota-de-Banting-diabetes.jpg 600w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/nota-de-Banting-diabetes-311x240.jpg 311w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6616" class="wp-caption-text">A nota original do Fred, para que ele lembrasse de suas ideias.</figcaption></figure>
<p>Depois disso, ele decidiu dormir na cama. E dormiu até a manhã seguinte.</p>
<p>A ideia era mais ou menos a seguinte&#8230; Pela interrupção dos ductos do pâncreas, por cirurgia, Fred conseguiria que a parte exócrina do pâncreas atrofiasse ao longo do tempo, deixando apenas as ilhotas, intactas. Então, ele tentaria isolar o tecido preservado e a secreção que existisse ali. Essa secreção parecia aliviar os sintomas do diabetes em animais, e seria injetada em outro animal, que teria seu pâncreas removido cirurgicamente para que tivesse um diabetes “cirúrgico”.</p>
<p>Não era exatamente uma ideia nova. Lydia de Witt, em 1906, teve a mesma ideia. Um estudante, chamado Ernest Scott, tinha chegado à mesma conclusão de que as enzimas do pâncreas atrapalhavam a secreção quando injetadas. E o romeno Nicolas Paulesco já havia conseguido, inclusive, um extrato que ele chamou de “pancreína” que diminuía a glicemia de cachorros – o problema é que o trabalho de Paulesco não foi publicado em inglês.</p>
<p>Outro problema com os trabalhos anteriores é que eles falhavam em conseguir reproduzir o efeito em larga escala, o que impossibilitava testes estatísticos e a comprovação de resultados. Se Frederick Banting soubesse disso, provavelmente desistiria da ideia que teve.</p>
<p>Para nós, 382 milhões de pessoas com diabetes ao redor do mundo, a sorte é que Fred não sabia praticamente nada sobre o assunto.</p>
<p>~</p>
<p>No dia seguinte, após sua aula, Fred correu para falar sobre sua ideia para o professor Miller. Após acalmar Fred e entender sua ideia, os olhos de Miller brilharam. O professor John J. R. Macleod tinha sido recentemente contratado pela Universidade de Toronto, e era o chefe do departamento de Fisiologia. Macleod era uma das maiores autoridades em metabolismo no mundo, à época. E, para facilitar as coisas, o departamento tinha recebido um investimento de um milhão de dólares para pesquisa. Miller mandou Banting falar com Macleod.</p>
<p>Durante a conversa entre Fred Banting e John Macleod, o entusiasmo de Fred foi contido pelo academicismo de John. Alguns pontos que Fred sequer havia pensado pareciam barrar todo o trabalho. Não que John fosse mau caráter, mas, não havia motivos para investir em uma pesquisa que claramente fracassaria se não fosse bem estruturada. John Macleod, então, deu uma missão a Fred Banting: enviar uma proposta, por escrito, do que faria em seu trabalho, dos métodos e materiais que precisaria, e o que esperava encontrar com aquilo.</p>
<figure id="attachment_6617" aria-describedby="caption-attachment-6617" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6617" alt="Frederick Banting e John MacLeod diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/frederick-banting-e-John-MacLeod-diabetes.jpg" width="500" height="275" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/frederick-banting-e-John-MacLeod-diabetes.jpg 500w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/frederick-banting-e-John-MacLeod-diabetes-415x228.jpg 415w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-6617" class="wp-caption-text">Frederick Banting, à esquerda; John Macleod, à direita.</figcaption></figure>
<p>Aquilo desanimou muito nosso amigo Fred. A proposta da companhia petrolífera parecia ainda mais sedutora, porém, Fred escreveu uma carta com a proposta e colocou no correio. Três dias depois, John respondeu à proposta, autorizando Fred a começar a pesquisa.</p>
<p>Animado com a possibilidade de uma aventura no norte do Canadá, Fred não respondeu à autorização de John por um mês. Respondeu apenas quando soube que a companhia não levaria médico nenhum à expedição.</p>
<p>Quando o trabalho começou, Fred Banting foi apresentado a Charles Best – chamado carinhosamente de “Charley” –, um estudante de medicina que era fantástico com bioquímica, e John Macleod considerou a ideia de apresentá-lo aos modos cirúrgicos de Fred.</p>
<p>Ao longo do verão, Fred e Charley trabalharam bastante. Eles encontravam problemas com a anatomia dos cachorros – uma vez que só tinha estudado a anatomia humana! – e principalmente, com as condições de esterilização da sala de operações, que não eram as adequadas. Alguns dos cachorros morreram por infecções, outros por perda de sangue. Porém, conseguiram um sucesso.</p>
<p>Após realizar as técnicas necessárias, Fred e Charley conseguiram um pâncreas cujas ilhotas estavam intactas. Processaram-no e obtiveram um líquido castanho-rosado. Medindo a <a href="http://www.diabeticool.com/o-que-e/glicemia/">glicemia</a> do cachorro com diabetes antes e depois da aplicação do extrato, perceberam que a glicemia era normalizada pelo extrato. Às seis da tarde, os dois trancaram o laboratório, e voltaram na manhã seguinte.</p>
<p>O cachorro estava em coma, pela falta das injeções do extrato. Assim que conseguiram medir a glicemia, perceberam que ela estava muito acima do normal, e o cachorro tinha uma infecção. Infelizmente, ele acabou não resistindo.</p>
<p>Repetiram o procedimento em outro cachorro, desta vez, passando a noite inteira com o animalzinho. Cada vez que o extrato era injetado, a glicemia caía. Depois de quatro dias vivo, sem o pâncreas, e recebendo as injeções, o cãozinho morreu com uma infecção.</p>
<p>Em 13 de agosto de 1921 – curiosamente, exatos 70 anos antes de eu nascer&#8230; – Fred e Charley realizaram um experimento com um “grupo controle”, técnica de estatística para confirmar os resultados de um experimento, por exemplo. Retiraram os pâncreas de dois cachorros, e mantiveram um deles sem o extrato. O cãozinho sem extrato morreu dois dias depois, enquanto a cadelinha com extrato não apenas sobreviveu, mas desenvolveu um afeto todo especial por Fred e Charley. Eles a chamaram de Marjorie.</p>
<p>Com a sobrevivência de Marjorie por mais de vinte dias, sem pâncreas – a cadelinha sobreviveu por mais de sessenta dias, até que o extrato se esgotasse –, recebendo o extrato, John considerou que a pesquisa estava correndo bem. Era hora de incluir a última parte da equipe: alguém que pudesse isolar a substância, que estava sendo chamada por Fred e Charley de “isletina”.</p>
<p>James Collip era professor de Farmacologia na Universidade de Toronto, e foi o indicado por John Macleod para isolar a substância do extrato pancreático. O curioso é que, a partir desse momento, Fred sentiu seu trabalho ameaçado por John.</p>
<p>Em vez de estabelever uma colaboração, Fred e Charley entraram em uma competição não-declarada com James para ver quem isolaria primeiro a substância então chamada de isletina. James ganhou a competição, e não tripudiou. Agradeceu a Fred, Charley e John a oportunidade de trabalhar e continuou estudando as propriedades da isletina.</p>
<p>Em dezembro de 1921, a isletina foi isolada.</p>
<p>Aquele Natal foi difícil para Fred. Enquanto John, Charley e James tinham suas famílias, esposas ou noivas, Fred estava sozinho. Estava praticamente zerado em termos financeiros. Nos meses anteriores, conseguira algum dinheiro fazendo algumas operações de amígdalas e vendendo alguns instrumentos cirúrgicos. Mas agora, não tinha mais nada.</p>
<p>Ele preparava suas modestas refeições em um fogareiro no laboratório, quase diariamente, a não ser aos domingos, quando conseguia um jantar grátis na paróquia de St. James, onde fora aluno. Ele não se atreveria a pedir dinheiro à família, uma vez que dificilmente entenderiam – passavam o ano planejando colheitas, nada relacionado a pesquisas abstratas!</p>
<p>Mesmo passando as festas de fim de ano sozinho, observando pela janela de seu quarto os compradores indo e voltando das lojas, quase à mercê do desespero, algo mantinha Fred firme em seu propósito. Ele sentia que sua missão de vida, de ajudar as pessoas, estava cada vez mais próxima&#8230;</p>
<figure id="attachment_6618" aria-describedby="caption-attachment-6618" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6618" alt="banting macleod collip e herbert best diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/banting-macleod-collip-e-herbert-best-diabetes.jpg" width="600" height="920" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/banting-macleod-collip-e-herbert-best-diabetes.jpg 600w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/banting-macleod-collip-e-herbert-best-diabetes-157x240.jpg 157w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6618" class="wp-caption-text">Os quatro “descobridores”: Banting, o idealizador; Macleod, o orientador; Collip, aquele que isolou; Best, aquele que forneceu a bagagem teórica a Banting.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<div style="background-color: #b8d4e2; border: 2px solid; border-color: #6E7F88; padding: 10px;"><img loading="lazy" class="alignright size-full wp-image-6190" alt="ronaldo wieselberg perfil diabeticool" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool.jpg" width="166" height="167" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool.jpg 166w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 166px) 100vw, 166px" /><span style="color: #424c52;"><strong>Ronaldo José Pineda Wieselberg</strong></span> tem diabetes há mais de 20 anos. É estudante de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSCSP), auxiliar de coordenação do Treinamento de Jovens Líderes em Diabetes da ADJ Diabetes Brasil e Jovem Líder em Diabetes pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), com trabalhos sobre diabetes premiados e apresentados no Brasil e no exterior. Apesar de ter o mesmo nome de vários grandes jogadores de futebol, prefere o xadrez.</div>
<div style="background-color: #dbe9f0; border: 2px solid; border-color: #6E7F88; padding: 10px;"><strong>+ Leia mais textos de Ronaldo Wieselberg:</strong><br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-1-da-antiguidade-ao-seculo-xix/">A História do Diabetes &#8211; Parte I</a>&#8221; &#8211; 11.01.2014<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/exageros-no-fim-do-ano/">Exageros no Fim do Ano &#8211; como aproveitar as Festas com saúde</a>&#8221; &#8211; 31.12.2013<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/revelado-o-segredo-da-agua-de-quiabo/">Revelado o segredo da água de quiabo</a>&#8221; &#8211; 18.12.2013<br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/uma-nova-forca-lutando-pelo-diabetes-por-ronaldo-wieselberg/">Uma nova força lutando pelo diabetes</a>&#8221; &#8211; 16.12.2013</div>
<p>&nbsp;</p>The post <a href="https://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-2-de-uma-decepcao-amorosa/">A História do Diabetes – Parte 2 – de uma Decepção Amorosa</a> first appeared on <a href="https://www.diabeticool.com">DiabetiCool - Informação de Qualidade sobre Diabetes</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>A História do Diabetes – Parte 1 – da Antiguidade ao Século XIX</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação Diabeticool]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jan 2014 18:56:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ronaldo Wieselberg]]></category>
		<category><![CDATA[Apollinaire Bouchardat]]></category>
		<category><![CDATA[Areteu]]></category>
		<category><![CDATA[Buqrat]]></category>
		<category><![CDATA[diabetes]]></category>
		<category><![CDATA[Galeno]]></category>
		<category><![CDATA[Hesy-Rá]]></category>
		<category><![CDATA[história do diabetes]]></category>
		<category><![CDATA[Papiro de Ebers]]></category>
		<category><![CDATA[Paracelso]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Langerhans]]></category>
		<category><![CDATA[tratamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sabia que o diabetes já era conhecido lá no Egito Antigo? Você consegue imaginar como os médicos da época de Cristo tratavam a doença? Descubra mil curiosidades nesta série especial! POR RONALDO WIESELBERG A maioria das pessoas acredita que o diabetes é uma doença recente, devido à enorme quantidade de casos que surgem ano após &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Sabia que o diabetes já era conhecido lá no Egito Antigo? Você consegue imaginar como os médicos da época de Cristo tratavam a doença? Descubra mil curiosidades nesta série especial!</em><span id="more-6428"></span></p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>POR RONALDO WIESELBERG</strong></span></p>
<p>A maioria das pessoas acredita que o diabetes é uma doença recente, devido à enorme quantidade de casos que surgem ano após ano – de acordo com os dados mais recentes da IDF (<em>Federação Internacional de Diabetes)</em>, já somos 382 milhões, sendo que 46% não sabem que têm diabetes.</p>
<p>A verdade é que o diabetes é uma doença muito antiga. Para falar a verdade, ela sempre existiu, mas como os pacientes morriam muito rápido – já que pouco se sabia de medicina e de qualquer eventual tratamento – não tivemos relatos até cerca de 1500 antes de Cristo.</p>
<p>O primeiro relato que se tem do diabetes é de um papiro da Terceira Dinastia Egípcia, que data de 1552 a.C., no qual o médico Hesy-Rá, no Papiro de Ebers, menciona uma doença que causava poliúria – muito xixi –, polidípsia – muita sede –, e polifagia – muita fome –, além de ter uma perda de peso rápida. Os curandeiros da época também notaram que a urina dessas pessoas atraía formigas, mas não sabiam dizer o porquê.</p>
<p>O tratamento recomendado pelos médicos daquela época era completamente natural: óleo de rosas, geleia da carne de cobra, coral vermelho em pedaços, amêndoas doces e até mesmo esterco de cabra cozido em leite. É necessário dizer que NÃO FUNCIONA! Os médicos da época classificaram a doença como uma das mais difíceis de se viver.</p>
<figure id="attachment_6429" aria-describedby="caption-attachment-6429" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6429" alt="diabetes no egito antigo" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/diabetes-no-egito-antigo.jpg" width="600" height="508" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/diabetes-no-egito-antigo.jpg 600w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/diabetes-no-egito-antigo-283x240.jpg 283w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6429" class="wp-caption-text">Imagem do papiro de Ebers, indicando o paciente que toma muita água (polidípsia).</figcaption></figure>
<p>O pai da Medicina árabe, Buqrat, também relatou alguns casos de uma misteriosa doença, que era resumida em “grande quantidade de urina e definhamento da pessoa”. A expectativa de vida, naquela época de 460 a.C., para uma pessoa com esse quadro, raramente passava de um mês. Buqrat foi um médico comparado a Hipócrates, o pai da Medicina ocidental, que também inspirou Areteu e Galeno, nossas próximas figuras históricas.</p>
<p>Areteu foi um médico nascido na Capadócia – região da atual Turquia – que pode ser considerado o “pai” do diabetes. Ele foi o primeiro, no primeiro século depois de Cristo, a descrever com perfeição os sintomas da doença, e também credita-se a ele o “batizado” da doença, chamando-a de diabetes, a partir da palavra grega que significa “sifão”, indicando a principal característica diagnóstica: o grande fluxo de xixi. A descrição dada por ele foi de que o diabetes era “<em>uma doença terrível, não muito frequente nos homens, caracterizada pelo derretimento da carne e dos membros e sua expulsão pela urina</em>”.</p>
<p>Depois dele, Galeno, um dos maiores médicos da Antiguidade, discutiu o diabetes em muitas de suas obras. Mesmo tendo visto apenas dois casos da doença, ele a caracterizou como <em>diarrhoea urinosa</em>, ou seja, “diarreia de urina” e <em>dipsakos</em>, ou seja, “a doença da urina”. Baseando-se nos sintomas, ele diagnosticou o diabetes erroneamente como uma doença dos rins. As obras de Galeno influenciaram a medicina até a Idade Média.</p>
<figure id="attachment_6430" aria-describedby="caption-attachment-6430" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6430" alt="galeno tratando diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/galeno-tratando-diabetes.jpg" width="600" height="508" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/galeno-tratando-diabetes.jpg 600w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/galeno-tratando-diabetes-283x240.jpg 283w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6430" class="wp-caption-text">Galeno, que também foi médico dos Gladiadores, em Roma, tratando de um paciente ferido.</figcaption></figure>
<p>No Ocidente, esse foi o máximo de informações que conseguimos até o século XI, até que o pensamento científico foi retomado lentamente. Porém, os estudos a respeito do diabetes continuaram no Oriente, mais precisamente, na Índia.</p>
<p>Susruta, um dos maiores médicos indianos da antiguidade, durante o período entre os séculos V e VI notou o mesmo quadro de urina em grande quantidade, em geral, adocicada, grudenta ao toque, e tremendamente atrativa às formigas. O nome dado para essa doença, na Índia, foi de “<em>madhumeha</em>”, que significa “urina melada”. Outros médicos, na China e no Japão também perceberam esse quadro à mesma época, e também perceberam que os pacientes que tinham esse quadro eram mais propensos a desenvolver outras doenças, como algo que se assemelha à tuberculose.</p>
<p>Na Índia, ainda, os médicos conseguiram descrever dois tipos diferentes de diabetes. Um deles afetava pessoas mais jovens, que emagreciam rapidamente e morriam em questão de semanas. Outro tipo era mais comum em indivíduos mais velhos, em geral mais gordos, que não emagreciam tanto, demoravam mais para morrer, e eram propensos às outras doenças da época. Hoje, conhecemos, respectivamente, esses dois tipos de diabetes como “tipo 1” e “tipo 2”.</p>
<p>No século XI, o médico persa Avicena, em sua obra “O Cânone da Medicina”, relata o apetite anormal dos pacientes com essa doença, além de ter sido o primeiro a notar algumas coisas relacionadas às complicações, uma vez que os pacientes com a doença chamada de “diabetes” tinham um tipo de gangrena diferente e prejuízo das funções sexuais. Ele recomendava como tratamento uma mistura de sementes, como tremoço e feno-grego. Funcionava tanto quanto o cocô de cabra com leite.</p>
<p>A coisa é que Avicena também encontrou outra doença, muito parecida com a anterior. Também eram pacientes que bebiam muita água e faziam muito xixi, mas a urina destes pacientes não atraía formigas e eles não tinham tanta fome. Hoje, conhecemos esse tipo de diabetes como “diabetes insipidus”, que está relacionado com um hormônio chamado vasopressina, ou hormônio antidiurético.</p>
<p>Até o século XI, o diagnóstico do diabetes era feito por uma classe chamada de “provadores de água”. Essa classe tinha a missão de provar a urina dos pacientes, e, caso fosse adocicada, o paciente era diagnosticado. Muitos dos pacientes, porém, não tinham a urina adocicada, e acabavam não sendo diagnosticados e morrendo por “causas desconhecidas”.</p>
<p>Tivemos pouco progresso em relação ao diabetes até o século XVI, quando Paracelso, um médico suíço, estudou a doença. Ele esquentou a urina de uma pessoa diagnosticada com diabetes até evaporar toda a água. No fundo do recipiente ficou um pozinho branco. Ele, erroneamente, disse que era sal, e concluiu que “o sal do corpo fazia os rins terem sede, retinham a água e aumentavam a quantidade de urina, de maneira a eliminar o sal”. O tratamento que ele recomendava era exercício físico – particularmente andar à cavalo – o que tinha relativo sucesso. Paracelso foi o primeiro na história a considerar o diabetes uma doença generalizada, e não apenas de um órgão.</p>
<figure id="attachment_6431" aria-describedby="caption-attachment-6431" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6431" alt="paracelso diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/paracelso-diabetes.jpg" width="600" height="508" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/paracelso-diabetes.jpg 600w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/paracelso-diabetes-283x240.jpg 283w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6431" class="wp-caption-text">Paracelso – médico e alquimista brilhante, confundiu glicose com sal.</figcaption></figure>
<p>Depois disso, com o progresso da ciência e estudos da Fisiologia Humana, o diabetes também teve maior entendimento. Em 1674, Thomas Willis chamou o diabetes de “mal da urina”, e postulou que a doença tivesse início no sangue. Ele dizia que o “quilo” era maldigerido, e se acumulava no sangue. Os rins, então, expulsavam aquilo pela urina.</p>
<p>Durante esse mesmo período, alguns estudos chegaram bem perto de descobrir a causa principal do problema. Um dos estudos, que envolvia a remoção parcial do pâncreas de um cachorro, causou um quadro muito parecido com o do diabetes. Mais um estudo mostrou uma análise do pó encontrado por Paracelso, concluindo que era algum tipo de açúcar. Outro, separou os tipos de diabetes reconhecidos à época, que já tinham sido descritos pela primeira vez por Avicena: diabetes <em>mellitus</em>, do grego, “doce como mel”, devido ao sabor adocicado da urina e diabetes <em>insipidus</em>, do grego, “insípido, sem sabor”, devido à falta de sabor da urina, além de relatar algo que se parecia com uma retinopatia e o cheiro de fruta estragada diante de alguns pacientes – que hoje sabemos ser característico da presença de cetonas.</p>
<p>Durante o século XVII, de maneira geral, concluiu-se que o problema com o diabetes era a dieta. Decidiram, então, estudar a dieta com maior atenção. Descobriram, então, que o consumo de carboidratos prejudicava os pacientes com diabetes, e decidiram cortá-los da dieta, trocando os carboidratos, como pão e batatas, por carnes e alimentos gordurosos. A maioria dos pacientes respondeu bem a esse tratamento&#8230; Por algum tempo. Curiosamente, um médico francês tinha uma terapia de “reposição”. Como a pessoa com diabetes perdia muita glicose pela urina, ela devia, então, repor tudo o que perdeu comendo o máximo de açúcar que conseguisse. Não durou muito tempo.</p>
<p>Em 1869, o alemão Paul Langerhans observou ao microscópio algumas células que não tinham as mesmas conexões que as outras células do pâncreas, não ficavam da mesma cor na preparação e pareciam enclausuradas entre as outras. Ele se limitou a descrever o que viu, sem pensar em nenhuma hipótese para o funcionamento delas. Coube, então, ao francês Edouard Laguesse, em 1893, sugerir que as “ilhotas de Langerhans” – hoje chamadas de ilhotas pancreáticas! – eram um tecido que secretava alguma coisa, e que seriam indispensáveis ao funcionamento do organismo.</p>
<figure id="attachment_6432" aria-describedby="caption-attachment-6432" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-6432" alt="Apollinaire Bouchardat diabetes" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/Apollinaire-Bouchardat-diabetes.jpg" width="600" height="508" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/Apollinaire-Bouchardat-diabetes.jpg 600w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2014/01/Apollinaire-Bouchardat-diabetes-283x240.jpg 283w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6432" class="wp-caption-text">Apollinaire Bouchardat é a prova de que o bom pesquisador encontra algo bom até nas tragédias.</figcaption></figure>
<p>O tratamento mais efetivo até então para o diabetes surgiu em 1871. Durante a Guerra Franco-Prussiana, o racionamento de comida foi inevitável, e muitos franceses morreram de fome. Um médico, porém, chamado Apollinaire Bouchardat, percebeu que os pacientes com diabetes tinham uma vida quase igual à dos outros habitantes: a urina aparentava menos glicose, e eles estavam tão magros quanto o resto da população – nada muito animador, mas, foi um fator de semelhança bem-vindo.</p>
<p>Surgiu, então, o chamado “tratamento de inanição”. A quantidade de alimento seria suficiente apenas para manter a pessoa com diabetes viva, e a pessoa deveria se exercitar, já que a terapia de exercício já havia se mostrado satisfatória. Cada deslize alimentar poderia realmente matar a pessoa. Com esse tratamento, a pessoa emagreceria drasticamente, ficando pele e osso, mas sobreviveria. Por pelo menos um ano após o diagnóstico, um aumento de quase cinco vezes a expectativa anterior.</p>
<p>No final do século XIX, porém, algo aconteceu. No Canadá, em 1891, em uma fazenda ao norte de Toronto, nascia Frederick Banting. Com ele, ocorreria o que foi chamado de “milagre da medicina”&#8230;</p>
<p><strong>+ GOSTOU DA PRIMEIRA PARTE? ENTÃO NÃO PERCA <a title="de uma amoroso" href="http://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-2-de-uma-decepcao-amorosa/">A CONTINUAÇÃO DA HISTÓRIA</a> DO DIABETES!</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="background-color: #b8d4e2; border: 2px solid; border-color: #6E7F88; padding: 10px;"><img loading="lazy" class="alignright size-full wp-image-6190" alt="ronaldo wieselberg perfil diabeticool" src="http://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool.jpg" width="166" height="167" srcset="https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool.jpg 166w, https://www.diabeticool.com/wp-content/uploads/2013/12/ronaldo-wieselberg-perfil-diabeticool-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 166px) 100vw, 166px" /><span style="color: #424c52;"><strong>Ronaldo José Pineda Wieselberg</strong></span> tem diabetes há mais de 20 anos. É estudante de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSCSP), auxiliar de coordenação do Treinamento de Jovens Líderes em Diabetes da ADJ Diabetes Brasil e Jovem Líder em Diabetes pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), com trabalhos sobre diabetes premiados e apresentados no Brasil e no exterior. Apesar de ter o mesmo nome de vários grandes jogadores de futebol, prefere o xadrez.</div>
<div style="background-color: #dbe9f0; border: 2px solid; border-color: #6E7F88; padding: 10px;"><strong>+ Leia mais textos de Ronaldo Wieselberg:</strong><br />
&#8220;<a href="http://www.diabeticool.com/exageros-no-fim-do-ano/">Exageros no Fim do Ano &#8211; como aproveitar as Festas com saúde</a>&#8221; &#8211; 31.12.2013<br />
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<p>&nbsp;</p>The post <a href="https://www.diabeticool.com/a-historia-do-diabetes-parte-1-da-antiguidade-ao-seculo-xix/">A História do Diabetes – Parte 1 – da Antiguidade ao Século XIX</a> first appeared on <a href="https://www.diabeticool.com">DiabetiCool - Informação de Qualidade sobre Diabetes</a>.]]></content:encoded>
					
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