Você receberia transplante de um animal para curar seu diabetes?

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Técnica inédita possibilita que transplante de órgãos entre animais de espécies diferentes – como por exemplo humanos e porcos – seja possível no tratamento de doenças. Entenda aqui.

porquinho transplante diabetes

Por Ricardo Schinaider de Aguiar, especial para o Diabeticool

Transplantes entre diferentes espécies, ou xenotransplantes, são alvos de diversas pesquisas científicas. Não depender de um doador humano para a realização de um transplante poderia salvar vidas de inúmeros pacientes em listas de espera. Evitar a rejeição, porém, é um problema difícil de ser superado. Cientistas da Northwestern University anunciaram no último mês que conseguiram transplantar, com sucesso, células produtoras de insulina de ratos para camundongos. Não apenas as células sobreviveram como não foi necessário o uso de drogas imunossupressoras para evitar a rejeição. O feito é o primeiro passo rumo ao objetivo dos cientistas: o transplante de células produtoras de insulina para seres humanos, visando uma cura para o diabetes tipo 1.

“Essa é a primeira vez que um transplante entre diferentes espécies de células produtoras de insulina foi realizado com sucesso sem o uso de drogas imunossupressoras e que permitiu às células transplantadas viverem por tempo indeterminado”, diz Stephen Miller, um dos pesquisadores envolvidos no estudo.

O grupo de células transplantadas, chamado de Ilhotas de Langerhans, contém as células produtoras de insulina, tanto para nós como para ratos e camundongos. Elas foram acompanhadas por mais de 300 dias após o transplante e produziram insulina normalmente, sem a necessidade de tratamentos com drogas para evitar a rejeição.

Esquema da localização das ilhotas de Langerhans no corpo humano.

Esquema da localização das ilhotas de Langerhans no corpo humano.

 

COMO EVITAR A REJEIÇÃO?

Evitar a rejeição era o grande desafio do estudo. Para isso, o método dos cientistas consistiu em dois processos. O primeiro deles envolveu esplenócitos, um tipo de célula de defesa do organismo. Uma amostra de esplenócitos dos ratos, os animais doadores, foi retirada, tratada com produtos químicos para causar a morte das células e injetada nos camundongos, os receptores. O processo fez com que o sistema imunológico dos camundongos reconhecesse as células dos ratos. Desse modo, o organismo dos camundongos não atacou as células dos ratos quando o transplante das Ilhotas de Langerhans foi feito.

O segundo processo se concentrou em outra célula de defesa, chamada de linfócito B, responsável pela produção de anticorpos. Quando os cientistas tentaram o transplante pela primeira vez, os linfócitos B dos camundongos produziram anticorpos contra as

células transplantadas dos ratos, levando à rejeição. Por isso, para realizar o procedimento com sucesso, foram utilizados anticorpos contra os linfócitos B para evitar o ataque às células transplantadas – método já utilizado em transplantes humanos. Quando os linfócitos voltaram a ser produzidos naturalmente após o transplante, eles não atacaram as células dos ratos. “Com esse método, 100% das células transplantadas sobreviveram indefinidamente”, diz Xunrong Luo, pesquisadora também envolvida no estudo.

 

PERSPECTIVAS NO TRATAMENTO DO DIABETES TIPO 1

A pesquisadora Xunrong Luo, envolvida na pesquisa sobre xenotransplantes.

A pesquisadora Xunrong Luo, envolvida na pesquisa sobre xenotransplantes.

Para pessoas com diabetes tipo 1, que não conseguem produzir insulina, o transplante de Ilhotas de Langerhans é uma alternativa de tratamento que ainda está em processo de aprimoramento. As taxas de sucesso vêm aumentando, porém ainda é um procedimento complexo e que requer de 2 a 3 doadores falecidos. O transplante a partir de animais de outras espécies, objetivo dos cientistas desse estudo, poderia facilitar o acesso ao procedimento. Apesar do sucesso nos experimentos, a pesquisa ainda está em estágio inicial e terá de superar as barreiras da rejeição em humanos, além de ser discutida em debates éticos.

“Sabemos que Ilhotas de Langerhans de porcos conseguem produzir insulina e controlar a glicemia de humanos”, diz Luo. “Nosso objetivo é conseguir transplantar as células dos porcos para seres humanos, mas temos que dar um passo de cada vez”.

 

Ricardo Aguiar é formado em Ciências Biológicas pela Unicamp e atualmente faz o curso de “Especialização em Divulgação Científica” no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), também pela Unicamp.

 

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  • Andrea dos Santos

    Que loucura, minha gente!! Eu aceitaria numa boa participar desse tip de transplante. Eu faria de tudo para me livrar de injeções diárias de insulina.

  • Vale tudo, aceito tudo e qualquer coisa para me librar desta doença maldita…

  • natalia jablonski zanetti

    Se eu tivesse chance faria transplante de animal para curar meu diabetes.

  • rita Valdenira

    Eu aceitaria mas pena pq sou diabetico tipo 2. e parce que não existe transplante para que tem tipo 2?

  • Maria de Lourdes Barbosa de Menezes

    Meu esposo e filho sofre com esta praga de doença, eu asseitaria tudo para ve-los livre. Deus dar a capacidade aos médicos para esta evolução

  • afonso

    Eu sou diabético tipo 2 é de ficar um pouco triste não aver para este tipo. Mas fico feliz saber que podem ajudaros de tipo 1 um abraço até sempre

  • Efigenia Maria Pereira Marins

    Qualquer tentativa é válida para a cura dessa doença terrível. Só quem tem a doença sabe como ela acaba com individuo de forma
    lenta e silenciosa.

  • Jéssica Lima

    Claro que faria esse transplante, não aguento mais essas injeções diarias de insulina….

  • DALVA MARQUES14 AGOSTO 2013

    EU ACEITARIA QUALQUER TIPO DE TRATAMENTO PARA ME LIVRAR DESSA DOENÇA DIABÓLITA QUE NOS LIMITA DE QUASE TUDO. MAS,DEUS É MAIOR E

    DARA SABEDORIA AO HOMEM PARA CHEGAR A CURA,

  • ROSÂNGELA MARIA FERREIRA RIBEIRO

    O pai da minha filha é diabético, faz uso da insulina, mas está com as pernas inchadas e escuras. Seria muito bom se ele pudesse ficar bom com o transplante! Ele é médico e sofre com esta doença que levou sua mãe precocemente depois de ter as duas pernas amputadas.

  • paulo roberto bastos

    sou diabetico,estou nessa tambem sendo para melhorar, fico feliz por saber que sempre existe uma luz no fundo do tunelllll

  • odimar pereira de melo

    eu infelizmente tenho diabetes, se essa questão garante a cura tou dentro, podem dar maiores informaçoes

  • odimar pereira de melo

    SE ESSE TIPO DE TRANSPLANTE GARANTE A CURA, TO DENTRO

  • sou RANGEL LOPES RABELO de Marabá/PA

    Sou diabético , aceitaria fazer esse transplante, pois sou louco para me livrar dessa doença.

  • claudia medeiros

    sim estou pronta pra qualquer coisa

  • Iara Marques

    Eu participaria de tudo para me livrar dessa doença….
    Só quem tem sabe… tenho tipo 2 e tomo insulina todos os dia…
    Deus… ajude esses médicos para que eles possam nos ajudar!

  • ossamat

    Dependendo de todas as variáveis envolvidas poderia até fazer sim , mas sou bem resolvido com minha deficiência hormonal e ela me fez ser o ser humano que sou , então não tenho o que reclamar , caso surja algo, ótimo, se não surgir, vivo um dia após o outro ,sem problema

  • Ernani murilo de souza lemos jr.

    Sim,Sim,Sim.tudo e todos contra as Doenças, senhor nosso DEUS, nos capacite, para que consigamos sucesso contra as doenças.

  • maria carleandia

    Reso todos os dias para que tenha uma solucao dessa para o tipo 2,fiquei sabendo a pouco tempo que tenho essa doenca e foi uma grande tristeza.e sim faria com maior satisfacao do mundo.

  • lu

    primeiramente dou os parabens aos médicos cientistas que não cessam de buscar ,quem sabe,a cura.Por outro lado a falta de informação de um modo geral ,pode piorar a situação,mas esta página na internet faz uma grande diferença na minha vida,pois ela me dá esperança.Um forte abraço a todos

  • Flavio Tomás Gonçalves

    Faria parte desta experiencia com prazer , pois para me livrar das injeções de insulina faria qualquer coisa.

  • luciany gomes

    Eu sempre acreditei q um dia encontrariam a cura para essa doença confio muito na ciência, tenho diabetes desde os 15 anos hj tenho 31 anos e ja estou muito fraca nunca cuidei direito tomo insulina td bagunçado, e teria sim vontade de ser voluntaria, para essa experiencia, me coloco a disposição dos cientistas para esse feito inedido da medicina.