Tamanho (do pâncreas!) é documento

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Pela primeira vez, cientistas notam que o tamanho do órgão pode indicar se uma pessoa terá ou não diabetes tipo 1.

Quando uma pessoa tem diabetes tipo 1, o sistema de defesa de seu organismo, por algum motivo que ainda ninguém entende, destruiu as próprias células beta do pâncreas, produtoras de insulina. Sem a insulina, não há transporte eficiente de açúcar da corrente sangüínea para as outras células do corpo, e ele se acumula no sangue, aumentando a glicemia. A partir deste momento, instala-se o diabetes. Se os efeitos da destruição progressiva das células beta já são bastante danosos, imagine o que acontece quando se nasce com um pâncreas menor do que o normal, e que, portanto, possui naturalmente menos destas células…

Um estudo realizado por profissionais da Universidade da Flórida, nos EUA, percebeu que os pâncreas de pessoas com diabetes tipo 1 e daquelas com altos riscos de adquirir a condição diferiam consideravelmente em tamanho quando comparados com os órgãos de não-diabéticos. No trabalho, foram pesados os pâncreas de 164 doadores de órgãos. Aqueles com altos riscos de desenvolver o tipo 1 apresentavam órgãos 25% menores do que o padrão normal, e os pâncreas de diabéticos tipo 1 tinham, em média, metade do tamanho de um saudável.

De acordo com Martha Campbell-Thompson, diretora do centro de patologia da Rede Pancreática de Doadores de Órgãos com Diabetes (nPOD, na sigla em inglês), a descoberta foi uma surpresa. A Rede Pancreática é um grande projeto norte-americano de distribuição de órgãos de doadores para vários centros de excelência em estudos pelo país, a fim de estimular descobertas acerca do diabetes. Isto é importante porque, como afirmou Martha, antigamente as pesquisas sobre o diabetes tipo 1 eram realizadas com camundongos, mas hoje em dia já se sabe que existem diferenças demais entre a doença em humanos e nos demais animais, por isso trabalhar com pâncreas de homens e mulheres é fundamental.

Teodora Staeva, diretora da ONG que financiou o estudo, explica o escopo do projeto: “Graças à valiosa e crescente coleção de amostras de pâncreas e de outros tecidos da nPOD, nosso time de pesquisadores pôde examinar, pela primeira vez, o peso dos pâncreas de pessoas em risco de desenvolver diabetes tipo 1. A descoberta levanta questões significantes sobre o desenvolvimento e progressão da condição.”

Equipamento de ressonância magnética pode ser utilizado no futuro para “pesar” o pâncreas.

Com base nestas novidades, o próximo passo dos pesquisadores é medir o tamanho do pâncreas de uma maneira menos invasiva, em pessoas vivas. Para isto, estuda-se a utilização de tecnologias como as imagens de ressonância magnética. “Isto pode realmente mudar algumas das idéias que temos sobre o diabetes tipo 1”, afirmou Martha. “Ao entendermos como ele se desenvolve, podemos pensar em novas maneiras de tratá-lo.”

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