Remédio usado para diabetes poderá evitar Mal de Alzheimer

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Pesquisadores brasileiros descobriram que a insulina, usada para controlar o diabetes, pode ser boa para a formação de novas memórias do cérebro.

Pesquisadores brasileiros descobriram que um remédio já usado no tratamento do diabetes poderá, no futuro, evitar o Mal de Alzheimer. O estudo foi publicado por uma revista científica americana.

Os professores Sérgio Ferreira e Fernanda de Felice identificaram uma estreita relação entre duas doenças que afetam milhões de pessoas: diabetes e Alzheimer. Nos dois casos, as células do corpo e do cérebro se tornam resistentes à insulina, um hormônio produzido no pâncreas.

A insulina é essencial para controlar a quantidade de glicose, de açúcar no sangue. E, segundo os pesquisadores, também para o bom funcionamento do cérebro, incluindo o hipocampo, que é a porta de entrada para a formação de novas memórias.

Hoje, alguns diabéticos usam um medicamento chamado liraglutida para estimular a produção de insulina e normalizar o funcionamento das células. Mas ainda não tinha sido testado para o tratamento do alzheimer.

Os pesquisadores se perguntaram se o medicamento que já vem sendo usado para combater o diabetes, que afeta o pâncreas, o fígado e os músculos, poderia também ser usado nas células do cérebro, os neurônios.

Os testes realizados nos laboratórios da Universidade Federal do Rio de Janeiro tiveram resultados extremamente positivos. Dezenas de camundongos com os sintomas de Alzheimer recuperaram a memória e a capacidade de aprender.

Mychael, um dos pesquisadores, conta que os camundongos doentes, com a memória afetada, sempre examinam os objetos colocados na caixa como se fosse a primeira vez. Já os que recebem a droga percebem a novidade.

“Ele tende a explorar mais esse objeto novo. Porque o animal é curioso, ele já lembra também e já conhece o objeto antigo. Ao todo, 80%, 90% dos casos nos observamos uma reversão da perda de memória nos animais que tinham sintoma da doença de Alzheimer”, explica Mychael Lourenço, neurocientista da UFRJ.

Segundo os pesquisadores, a liraglutida pode devolver a capacidade de ação da insulina no cérebro, prejudicada pela presença de substâncias tóxicas que impedem as conexões entre células nervosas.

“Embora a insulina ainda esteja presente, o neurônio é incapaz de ouvir aquele sinal. É como se a campainha estivesse ali, mas não tocasse. O que nos vimos é que esses medicamentos permitem que os neurônios fiquem imunes a ação dessa toxina e continuem se comunicando apropriadamente entre eles”, explica Sergio Ferreira, coordenador da pesquisa – UFRJ.

Fonte: G1

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