Quem tem diabetes pode tomar cerveja?

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Entenda o que a Ciência tem a dizer sobre o consumo da popular bebida por diabéticos.

cerveja saude diabetes

Os diabéticos apreciadores de uma loira gelada receberam uma ótima notícia no final de 2011, quando uma pesquisa espanhola revelou que a cerveja possui componentes benéficos no combate à doença. Até então, cerveja era um tabu, um assunto proibido no mundo do diabetes. Muitos médicos receavam ter que contraindicar um alimento tão bem cotejado; afinal de contas, a maior parte das cervejas é feita com teor relativamente alto de açúcares (e as cervejas com menos açúcares costumam ser mais caras), e portanto seria mais adequado que diabéticos mantivessem distância da bebida. Porém, o estudo espanhol revelou que certos componentes da cerveja podem ajudar no controle da glicemia e na prevenção de inflamações – e que, no fundo, a cerveja era tão boa quanto o vinho para a saúde no geral.

De acordo com uma reportagem de Veja da época:

A cerveja foi elevada ao status do vinho no que diz respeito aos benefícios à saúde. Um novo estudo espanhol comprovou que tomar uma caneca da bebida por dia combate diabetes, evita ganho de peso e previne contra hipertensão. Além de ter graduação alcoólica baixa, a cerveja contém ainda ácido fólico, vitaminas, ferro e cálcio – nutrientes que protegem o sistema cardiovascular.

“Nesse estudo, nós conseguimos banir alguns mitos. Sabemos que a cerveja não é a culpada pela obesidade, já que ela tem cerca de 200 calorias por caneca – o mesmo que um café com leite integral”, destaca a médica Rosa Lamuela, uma das responsáveis pela pesquisa feita em parceria entre a Universidade de Barcelona, o Hospital Clínico de Barcelona e o Instituto Carlos III de Madri.

Os especialistas afirmam também que a cerveja não é a responsável pelo aumento da gordura abdominal. A culpa, na verdade, seria dos aperitivos gordurosos, como salgadinhos e frituras, que grande parte das pessoas consome junto à bebida.

 

A matéria ainda informa que as quantidades diárias recomendadas pela pesquisa eram de dois copos pequenos para mulheres e três para homens.

Ou seja, levando-se em conta os carboidratos presentes na bebida e tomando-a com moderação, a cerveja pode ser uma deliciosa ajuda no tratamento do diabetes. Ainda mais quando consideramos as contribuições que uma nova pesquisa, desta vez realizada nos EUA, forneceu sobre o papel da cerveja no organismo de quem está com diabetes.

 

Fermentando as boas novas

Um estudo divulgado na edição deste mês da revista científica Angewandte Chemie International Edition (não à toa, uma publicação alemã!), conduzido por Werner Kaminsky, professor de química da Universidade de Washington, traz boas promessas para os amantes da cerveja. O professor e sua equipe conseguiram decifrar com exatidão as estruturas de moléculas chamadas de humulonas. As humulonas são derivados do lúpulo, ingrediente básico de todas as cervejas, e conferem à bebida seu sabor amargo característico.

Kaminsky utilizou um processo conhecido como cristalografia de raios X para determinar a “forma” das moléculas de humulonas e de seus derivados, gerados durante o processo de fermentação. As estruturas observadas são importantíssimas para pesquisadores que buscam maneiras de incorporar estas substâncias em novos fármacos.

Em outras palavras, até então sabia-se que a cerveja possuía substância benéficas à saúde, inclusive para diabéticos. A pesquisa de Kaminsky permite que, agora, cientistas possam usar estas substâncias benéficas no desenvolvimento de remédios, potencializando, assim, sua ação.

No artigo, os autores escrevem que “o consumo excessivo de cerveja não pode ser recomendado a fim de propagar a boa saúde, [porém] humulonas isoladas e seus derivados podem ser prescritos, com benefícios documentados à saúde.”

É sempre uma boa notícia saber que há chances de novos medicamentos para o diabetes serem criados. Porém, o que será mais agradável ao paladar: uma pílula de humulonas…ou o “tratamento  natural”, à base de uma boa e gelada cerveja?

foto cerveja diabetes

Prost!

 

Para entender a cristalografia

Os cientistas americanos utilizaram uma técnica chamada de “cristalografia de raios X” para visualizar a estrutura das pequeninas moléculas de humulonas. Quando se pretende observar bem de perto elementos tão pequenos quanto moléculas, não há câmera fotográfica ou microscópio capaz de ajudar os pesquisadores. Deve-se adotar outras estratégias de visualização, como a cristalografia.

O nome da técnica lembra “cristal”, e não é à toa. O primeiro passo que os cientistas devem fazer nesta técnica é criar um cristal puríssimo, composto somente pelo elemento que se queira estudar. No caso, os alemães criaram um cristal 100% feito de humulonas.

Este cristal puro é, então, colocado em uma câmara, com paredes especiais. Ali, lançam-se raios X sobre o cristal.

Quando tiramos chapas de raio X por motivos de saúde, percebemos que estes raios são capazes de atravessar algumas partes do organismo (tecidos mole) e outras não (ossos, que é o que surge na foto). Da mesma maneira, os raios X atravessaram o cristal de humulona, porém foram “rebatidos” quando encontram certos elementos das moléculas do cristal (elétrons). As paredes especiais da câmara conseguem captar a exata direção em que os raios X foram desviados.

Imagem de um resultado de cristalografia (utilizando técnicas antigas): os pontos negros representam os "desvios" sofridos pelos raios X ao se chocarem com o cristal analisado.

Imagem de um resultado de cristalografia (utilizando técnicas antigas): os pontos negros representam os desvios sofridos pelos raios X ao se chocarem com o cristal analisado.

Através de complexos cálculos matemáticos, para os quais são necessários computadores bastante poderosos, os pesquisadores conseguem determinar a estrutura das moléculas que compõe o cristal a partir das “rebatidas” que os raios X sofrem ao se chocar com ele.

Uma técnica tão complexa, que gera informações tão precisas sobre a Natureza, certamente merece um gostoso – e saudável! – brinde!

 

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