Quem tem diabete precisa ter cuidados especiais com a pele

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Pessoas com qualquer um dos dois tipos de diabete estão mais propensas a sofrer uma série de doenças de pele que, se não tratadas, podem resultar, em casos mais graves, em amputação. Veja como evitar esses sérios problemas.

O diabete se expande pelo mundo num ritmo tão acelerado que em breve pode ganhar o funesto status de epidemia. No mundo todo, são 347 milhões de diabéticos, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). Aqui no Brasil, 7,4% da população sofre com a doença, de acordo com pesquisa do Ministério da Saúde realizada em 2012. São números elevados e preocupantes porque o diabete é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e a principal causa de cegueira e falência dos rins, por exemplo. Não menos importante é a relação entre o distúrbio e a amputação de membros, do qual ele é o maior responsável.

A relação se explica porque todas as células do corpo são afetadas pelo alto índice glicêmico do diabético, incluindo as da pele. Essas alterações fazem com que haja maior propensão a sofrer lesões e à incidência de doenças como infecções por fungos e bactérias na pele. Se não forem observados e tratados corretamente, esses problemas podem evoluir e resultar em amputação.

 

Por que a pele do diabético é diferente?

Existem dois tipos de diabete. O tipo 1 é uma doença autoimune manifestada mais frequentemente entre crianças e adolescentes. Nela, a parte do pâncreas que produz insulina é atacada pelo próprio organismo e a pessoa precisa de doses diárias de insulina. O tipo 2, o mais comum na população, é uma doença crônica caracterizada pela resistência à ação da insulina e pela queda na sua produção. Os fatores de risco para o seu surgimento são obesidade, sedentarismo, herança genética, hipertensão, tabagismo, ovário policístico, e colesterol e triglicérides altos.

Nos dois casos, a ausência ou insuficiência de insulina faz com que a glicose não entre nas células e o açúcar fica de fora, sobrando na circulação. “A insulina é muito importante para a pele porque ajuda, por exemplo, no crescimento dos queracinócitos, as células da pele”, explica a dermatologista Flávia Ravelli, de São Paulo. Para a pele, essa alta taxa glicêmica, portanto, acarreta diversas consequências, como explicam, a seguir, Flávia e a endocrinologista Denise Reis Franco, de São Paulo.

 

Mais fina e menos elástica

Com o crescimento dos queracinócitos prejudicado, a pele perde espessura e elasticidade.

Cicatrização lenta

A glicemia alta provoca uma reação inflamatória nos vasos sanguíneos. “Enquanto nos vasos grandes a possível consequência dessa inflamação é a doença cardiovascular, no caso dos vasos pequenos, que nutrem a pele, ela prejudica a irrigação”, explica Denise. Assim, a cicatrização de lesões na pele é mais lenta.

Perda de sensibilidade

Os nervos, embebidos em glicose e sem irrigação sanguínea adequada, ficam mais macios e não funcionam perfeitamente. O efeito é a perda de parte da sensibilidade da pele, além de coceiras generalizadas e da sensação de agulhamento (como se a pele estivesse sendo espetada).

Infecções

“No diabético, o sistema imunológico não funciona corretamente, o que aumenta a chance de infecções”, diz Flávia. Elas podem ser causadas tanto por bactérias quanto por fungos, como é o caso das micoses e frieiras.

Acantose nigricans

Quando o organismo não consegue gerar insulina, paradoxalmente começa a produzir uma substância chamada fator de crescimento de insulina. Ela provoca a acantose nigricans, doença de pele na qual as regiões de dobras, como pescoço e axilas, ficam escurecidas.

Dermatites

A função de barreira para evitar a perda de água pelo organismo não funciona corretamente no diabético. O resultado é uma pele desidratada, propensa ao surgimento de dermatites.

Vitiligo

“Quem sofre de diabete tipo 1 tem mais chances de desenvolver outra doença autoimune”, afirma Denise. É o caso do vitiligo, doença de pele na qual o próprio organismo ataca as células de pigmentação da pele e causa manchas brancas pelo corpo.

Pé diabético

A pele do diabético, portanto, está mais propensa a sofrer lesões e infecções de todo tipo. A combinação desse fator com outro, a sensibilidade cutânea deficiente, pode culminar num problema gravíssimo: o pé diabético. “Uma simples pedra no sapato pode machucar a pele e a pessoa não percebe porque tem pouca sensibilidade nas extremidades”, explica Flávia. “A lesão evolui para uma infecção e, como a pele não recebe irrigação suficiente para recuperar o tecido lesionado, a infecção vai avançando até atingir músculo, gordura e até os ossos”. Quando a situação chega a esse ponto, o pé precisa ser amputado para que a infecção não se espalhe pelo corpo.

 

Como se prevenir

Examine a pele

A principal medida de prevenção é examinar a pele, sobretudo dos pés, pela manhã e à noite. Procure por micoses entre os dedos, pequenas lesões e feridas pelo corpo e, se encontrá-las, vá ao médico assim que possível.

Hidrate-se

Beba bastante água e use hidratante para a pele todos os dias para evitar a desidratação. “Um bom ritual diário é lavar os pés com água e sabão, secar bem e espalhar hidratante hipoalergênico, sem cheiro e dermatologicamente testado. Com esse procedimento, o diabético já vai acabar fazendo a inspeção da pele”, sugere Flávia.

Cuide dos sapatos

Use calçados confortáveis, de preferência os produzidos especialmente para diabéticos. Antes de calçar, cheque cada um em busca pedrinhas ou qualquer alteração na palmilha que possa machucar a sola dos pés.

Procure um podólogo

Se possível, contrate um serviço especializado para cortar as unhas. Um simples corte ou “bife” arrancado durante o processo pode acarretar em infecção.

Fonte: M de Mulher

 

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