Quanto tempo vale uma vida? – Uma reflexão de Carlão Monteiro

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Nosso polêmico colunista apresenta uma história comovente sobre diabetes tipo 1 e a “falta de tempo” nos dias de hoje em sua nova crônica.

menino com diabetes tipo 1

Um texto especial por Carlão Monteiro Diabético, colunista do Diabeticool.

Começo minha coluna com uma história verídica, absurda e completamente ridícula.

Aconteceu esta semana em um hospital inglês. O paciente estava internado já havia um tempinho e mandou chamar os médicos.

Quando eles entraram no quarto, o paciente disse, furioso:

Doutores, o relógio ali na parede está dizendo que é hora de eu morrer!“.

Os médicos acharam que o homem delirava, então viraram-se para a parede e viram que o relógio digital realmente mostrava, acima das horas, a palavra “DIE”, que em inglês pode ser traduzida como “Morra!”.

Demorou uma meia hora até perceberem que alguém tinha mudado o idioma do relógio para o alemão. Nessa língua, “DIE” é o início de “Dienstag”, ou “terça-feira”! A equipe do hospital reverteu a língua do relógio para o inglês e o paciente pôde voltar a dormir sossegado, sem achar que um aparelho eletrônico estava determinando seu horário de morte.

Agora outra história, também verídica, também absurda, mas nem um pouco ridícula.

Eu sempre acompanho os zilhões de comentários que nós recebemos aqui no Diabeticool. Tento ajudar na medida do possível e responder ao maior número de perguntas. Tem algumas que me fazem pensar, tem outras que me abrem os olhos para a realidade de quem tem diabetes e vive em rincões pobres no país. Mas tem uns comentários que são de ferver o sangue, ao mesmo tempo em que partem o coração.

Vou respeitar ao máximo a privacidade da senhora que nos enviou a mensagem. Escrevo sobre ela porque sinto ser importantíssimo comentar o que aconteceu.

Leio esta semana uma mensagem de uma leitora. Ela disse que acabara de voltar do médico e que ele tinha diagnosticado seu filhinho com diabetes tipo 1. Triste e muito melancólica, ela perguntava quanto tempo de vida o filho teria. Ela perguntava pra gente quanto tempo ainda tinha de companhia com a pessoinha que mais amava no mundo. Eu fiquei completamente chocado e comovido, fiquei sem respirar por alguns instantes ao ler isso.

médicos com pouco tempo diabetesComo pode um médico diagnosticar uma criança com diabetes tipo 1 e nem mesmo se dar ao “luxo” de sentar e conversar com a mãe da criança, explicando o que é a doença e o que fazer para tratá-la??

Como pode um profissional da saúde dar uma canetada na ficha da criança e achar que seu trabalho acabou por aí?

Como pode uma mãe ter que procurar na internet quanto tempo de vida ela ainda ia ter com seu filho?

Se o paciente inglês se sentiu mal vendo o relógio anunciar sua hora de morte, imagine como se sente alguém que tem que recorrer ao Google para saber a expectativa de vida do próprio filho!

Chamei o restante da Equipe Diabeticool e mostrei a mensagem. Todos ficaram chocados. Ninguém merece ficar no escuro em relação à saúde dos filhos, não desse jeito. Respondemos à senhora que mantivesse a calma, que aprendesse tudo o que podia sobre o diabetes tipo 1 e o que fazer para cuidar da glicemia do filho, fornecendo nossos links e materiais didáticos feitos com todo o cuidado. Dissemos a verdade que ela, absurda e infelizmente, nunca ouviu: a expectativa de vida de alguém com diabetes tipo 1 tem tudo para ser exatamente normal, desde que a glicemia seja controlada SEMPRE, com todo o cuidado, desde pequenino.

Quanto tempo o médico “gastaria” explicando isso para a mãe? Quanta angústia poderia ser evitada com um pouquinho mais de humanidade no coração? Quem dera esse médico fosse que nem o relógio da 1a história, e que bastasse apenas um “puxão de orelha” para ele voltar a funcionar da maneira correta!

 

carlao monteiroCarlão Monteiro Diabético ganhou este último “sobrenome” carinhoso há mais de 20 anos, quando descobriu que teria de conviver com o diabetes. Passou a estudar muito sobre a doença, devorando todos os livros e artigos científicos que passavam pela sua frente. Neste tempo, já testou milhares de tratamentos diferentes e ouviu as mais exóticas histórias sobre curas do diabetes. Ele compartilha seu vasto conhecimento com os leitores do Diabeticool nesta coluna especial.
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  • Jéssica Ferreira

    ….tô bege com essa história!! Pobre mãe q tem q ouvir umas coias dessas, ainda mais do proprio medico qu enao dá atenção devida ara alguem que esta sofrendo!
    esse é o país da copa!