Qual a relação entre efeito sanfona e diabetes tipo 2?

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O ganha-e-perde de peso tem uma influência direta na saúde e nos riscos de diabetes tipo 2. Saiba mais sobre o assunto aqui!

Perder peso, ganhar peso, perder peso de novo e… ganhar novamente. Este é o famoso efeito sanfona que assusta qualquer um que esteja buscando eliminar definitivamente os quilinhos a mais.

Que existe uma relação bem estabelecida com o ganho de peso e o desenvolvimento de Diabetes tipo 2, ninguém duvida mais. Até o momento o que as pesquisas nos mostram é que o Diabetes tipo 2 é uma doença multifatorial, ou seja, é causada pela herança genética da pessoa, associada aos hábitos sedentários e ao ganho de peso. O resultado é um processo chamado resistência insulínica – quando o pâncreas produz insulina a mais na tentativa de controlar os níveis de açúcar no sangue, mas esta quantidade em excesso de insulina acaba não funcionando como deveria. No final das contas: sobra insulina que não funciona efetivamente, e o Diabetes tipo 2 surge. Com o passar do tempo, as células produtoras de insulina – as células Beta do pâncreas, vão entrando em fadiga/falência e a pessoa precisará aplicar insulina como medicação, na tentativa de controlar seus níveis de açúcar.

Quando perdemos peso, perdemos gordura mas também perdemos massa muscular, infelizmente, em algum grau. Quando engordamos tudo de volta, ganhamos apenas massa de gordura. Repetindo este processo diversas vezes, cada vez mais teremos mais massa de gordura e menos massa magra. A questão é que a massa muscular faz parte da estrutura do nosso corpo. São os músculos que dão sustentação ao nosso esqueleto, fortalecendo tendões e evitando quedas. Mas, além dessa parte mais arquitetural, os músculos armazenam entre suas fibras glicose, que é utilizada quando precisamos fazer alguma atividade física.

Quando os músculos precisam repor esta glicose, eles a capturam da corrente sanguínea sem precisar da insulina que o pâncreas produz. A vantagem disso é que o pâncreas precisa produzir menos insulina em quem tem boa massa muscular, um processo que é chamado de sensibilidade à insulina. Para entender melhor, é como se nas pessoas que tem massa muscular mais desenvolvida e que praticam exercícios a insulina funcionasse melhor, poupando o pâncreas. E pâncreas menos estressado é igual a menor risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2.

É também nos músculos que armazenamos gordura, e em volta deles também. Quando praticamos atividade física, estimulamos os nossos músculos a utilizarem esta gordura como fonte de energia, e consequentemente, diminuímos o percentual de gordura no corpo, se a dieta for adequada também. São os músculos responsáveis por grande parte do consumo de calorias do nosso corpo, o nosso gasto energético. E são eles os grandes responsáveis pela manutenção do peso.

Menos músculo, mais gordura, este é um dos caminhos que leva ao desenvolvimento do Diabetes tipo 2, chamado fenômeno da Sarcobesidade. E o que fazer então para evitar o efeito sanfona e todos os seus riscos?

Bem, aí vai a velha fórmula de reeducação alimentar, atividade física e redução de alimentos com alto teor de carboidratos simples – pão branco, arroz branco, açúcares… alimentos de alto índice glicêmico que levam à piora da resistência insulínica. Lembre-se que evitar e resistência insulínica é o primeiro passo para se manter longe do Diabetes tipo 2, e quanto mais longe, melhor!

Por Dra. Andressa Heimbecher Soares, endocrinologista, especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Médica colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da niversidade de São Paulo (USP).Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Membro Ativo da Endocrine Society.

Fonte: A Tribuna – MT

 

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