PERFIL DE UM CAMPEÃO: Pedalando contra o diabetes tipo 1

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Conheça a inspiradora história de Phil Southerland, fundador de uma equipe de ciclismo que conta apenas com atletas com diabetes tipo 1.

Phil Southerland diabetes

Por Ricardo Schinaider de Aguiar, especial para o Diabeticool

Phil Southerland foi diagnosticado com diabetes tipo 1 quando tinha apenas 7 meses de vida. Seus pais foram informados naquela ocasião que era improvável que seu filho vivesse por mais de 25 anos. Hoje com 30 anos, Phil já está aposentado de uma vitoriosa carreira como ciclista. Mais importante do que suas vitórias nas pistas de ciclismo, porém, são suas vitórias fora dela. Phil promove educação e conscientização sobre o diabetes tipo 1 e é o fundador da equipe Novo Nordisk, um grupo de ciclistas que lutam contra, e vencem, a doença.

Phil começou a pedalar com 12 anos de idade, quando sua motivação eram simples barras de chocolate. Por ter diabetes, Phil não podia comer grandes quantidades delas devido ao perigo em potencial do açúcar para seu corpo. Entretanto, ele notou algo interessante: as injeções de insulina pareciam fazer maior efeito após seus passeios de bicicleta pelos bairros de Atlanta, sua cidade natal. “Eu comecei a pedalar para poder comer”, diz Phil. “Eu era apenas um menino, explorando a vizinhança e matando o tempo para poder comer outra barra”. A bicicleta não tardou a se transformar em uma paixão para Phil. Aos 19 anos, e com excelente saúde, ele já competia pela universidade onde estudava.

 

A FORMAÇÃO DA EQUIPE

Em 2003, após vencer um importante campeonato, Phil foi procurado por um outro ciclista, chamado Joe Eldridge. “Ele me disse que eu era uma inspiração para ele. Assim como eu, Joe tinha diabetes e estava tendo dificuldades com sua saúde”, conta Phil. Eles se tornaram amigos e, sob influência de Phil, Joe conseguiu controlar sua doença. Foi então que Phil teve uma ideia: montar uma equipe de ciclismo apenas com atletas portadores de diabetes tipo 1. “Eu achava que a bicicleta poderia ser uma forma poderosa para transmitir uma mensagem”, diz ele. Em 2005, a Team Type 1 foi fundada e, dois anos depois, venceu a Race Across America, competição de ciclismo de quase 5 mil quilômetros. Para monitorar a glicemia durante as corridas, os ciclistas usam pequenos implantes sob a pele que transmitem informações continuamente para um monitor localizado no bolso de suas camisas. Se os níveis de glicose no sangue ficarem muito altos ou muito baixos, o monitor avisa o atleta, que sempre carrega consigo uma dose de insulina e pode aplicá-la quando necessário sem precisar parar de pedalar.

No ano passado, a empresa farmacêutica Novo Nordisk, responsável pelo desenvolvimento do primeiro tratamento com insulina sintética para diabéticos, se tornou a patrocinadora da equipe de Phil. Atualmente, o time Novo Nordisk tem mais de 100 membros em todo o mundo, incluindo uma equipe de ciclismo feminina e triatletas, que juntos competirão em mais de 500 provas em 2013.

Representantes da equipe Novo Nordisk, primeira do mundo a ter apenas atletas com diabetes.

Representantes da equipe Novo Nordisk, primeira do mundo a ter apenas atletas com diabetes.

 

MUDANDO O DIABETES

Em 2011, Phil fundou o Diabetes Sports Research Institute, instituto de pesquisa que busca instruir sobre o diabetes e esportes e escreveu o livro “Not Dead Yet” (Ainda Não Morto, em tradução livre), onde conta a história de sua vida e sua missão, que está estampada nas camisas de sua equipe – “mudando o diabetes”.

“Quando era criança, não conhecia nenhum atleta profissional com diabetes, e ter a doença poderia significar um impedimento para assinar um contrato”, diz Phil. “Hoje, suas chances de virar profissional se você tem diabetes são basicamente as mesmas do que um atleta não diabético”.

Apesar de não existirem muitas pesquisas clínicas sobre a relação entre atividades físicas e o diabetes tipo 1, Phil acredita na importância do exercício para evitar complicações de saúde associadas à doença e trabalha com médicos para divulgar sua mensagem. “Vivemos em uma sociedade onde há uma pílula para tudo”, diz Phil. “Acho que todo médico deveria falar aos seus pacientes, diabéticos ou não, para se exercitarem. O exercício é um remédio que nunca é prescrito. Nós usamos camisas com a mensagem “Mudando o Diabetes”, e é isso que esperamos fazer”.

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Ricardo Aguiar é formado em Ciências Biológicas pela Unicamp e atualmente faz o curso de “Especialização em Divulgação Científica” no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), também pela Unicamp.

 

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  • Jairo Hildebrando da Silva

    Sou diabetico e acho brilhante a ideia de receitar exercicios fisicos para o controle do diabetes. Nós diabeticos parecem que não somos muito afeitos aos exercicios mesmo sabendo que eles ajudam em muito o contre dessa doença infeliz que vai minando a vida da pessoa aos pouquinhos. Tomara que mais grupos apareçam para ajudar e incentivar-nos a controlar esta enfermidade. Comecei fazer exercicio insprado por um jogador de futebol que deu uma entrevista dizendo que eraa diabetico e conseguia controlar a doença através dos exercicios a que era submetido. Boa sorte a todos e bons exercicios.