O pneuzinho diabético

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Cientistas descobrem que ter cintura grande é mais correlacionado ao desenvolvimento do diabetes do que ser obeso.

A relação entre obesidade e riscos maiores de se ter diabetes já é bem conhecida – e explorada aqui no blog (aqui, aqui, aqui, entre outros textos). Uma das maneiras mais confiáveis de se estimar as chances de uma pessoa ter diabetes tipo 2 no futuro, portanto, sempre foi o cálculo do índice de massa corporal (ou IMC, que é o peso em quilos dividido pela altura, em metros e ao quadrado). Uma equipe de pesquisadores da Unidade de Epidemiologia do Medical Research Counsil, do Reino Unido, descobriu, porém, que medir a circunferência da cintura é uma maneira ainda melhor para se prever a futura incidência da doença.

O estudo, publicado na última edição do periódico PLoS Medicine, baseou-se em dados de mais de trezentos e quarenta mil cidadãos europeus, acompanhados por um período de quinze anos. Mesmo tratando os dados a fim de se considerar a relação entre diabetes e IMC, os pesquisadores encontraram uma correlação ainda mais forte entre a circunferência da cintura e a doença. Pessoas acima do peso e com uma farta cintura – mais de 102 cm para homens e acima dos 88 cm para mulheres – têm chances iguais ou maiores de desenvolver diabetes tipo 2 do que indivíduos obesos.

Explicações

A doutora Claudia Langenberg, uma das autoras do estudo, explica: “O diabetes tipo 2 é uma doença séria e progressivamente mais comum. Mais de um terço da população adulta do Reino Unido está acima do peso e sob riscos maiores de ter diabetes, mas estas pessoas não são monitoradas sistematicamente para estes riscos. Nossas descobertas sugerem que, tendo uma circunferência na cintura grande, elas são tão propensas a desenvolver a condição quanto se fossem obesas.

Nós não sugerimos trocar o IMC como indicador principal de saúde, porém nossos resultados mostram que medir o tamanho da cintura em pacientes acima do peso permite aos médicos enxergar em detalhes esse grande grupo de pessoas e identificar aquelas com maiores riscos de ter diabetes. Estas pessoas podem, então, receber conselhos sobre como melhorar seu estilo de vida, o que pode reduzir os riscos de desenvolver a doença”.

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