O Diabetes pelo Mundo: Zimbabwe

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Com a aproximação do Dia Internacional do Diabetes, governo zimbabwiano alerta que o diabetes está afetando mais pessoas do que a AIDS no país.

Raramente vê-se alguma notícia na mídia sobre o Zimbabwe, um pequeno país de 12,5 milhões de habitantes no sul da África. Quando é notícia, geralmente trata-se do governo do presidente Robert Mugabe, no poder há mais de 30 anos!, cometendo mais uma atrocidade contra os direitos humanos ou então alguma notícia preocupante sobre o avanço da AIDS e do HIV por lá. A saber, 13,7% da população zimbabwiana têm AIDS – a 5a maior taxa do mundo – e necessita constantemente de auxílio da comunidade internacional para viver em melhores condições. Mesmo assim, existe uma doença que afeta muito mais pessoas no país, porém é pouquíssimo discutida, até mesmo lá: o diabetes.

A Associação Zimbabwiana de Diabetes, dando início às ações em comemoração do Dia Internacional do Diabetes, no mês que vem, avisou que os níveis de diabetes tipo 2 no país já atingiram proporções alarmantes e culpou o consumo de “alimentos refinados” por isso. De acordo com o presidente da associação, Ngoni Chigwana, em 2005, 10% da população era diabética; hoje, apenas sete anos depois, o número já ultrapassa os 30%.

Qual o motivo?

Pode parecer estranho que um país vitimado pela fome crônica, e que recebe ajuda de programas de erradicação de miséria e fome da ONU, tenha taxas tão altas de diabetes tipo 2, condição geralmente associada à obesidade e dieta rica em gorduras e carboidratos. De acordo com o doutor Elopy Sibanda, que trabalha em um hospital da capital zimbabwiana, o motivo para isso é que a imensa maioria dos recursos do governo para a saúde é destinada a programas de combate à AIDS. Além disso, explica o médico, muito pouco é feito a fim de educar os zimbabwianos sobre as sérias conseqüências para a saúde de condições como pressão sangüínea alta e doenças cardíacas e renais, fatores de risco para o diabetes tipo 2.

O ministro da saúde do Zimbabwe garante que o governo está dando atenção para campanhas educativas sobre doenças não-transmissíveis, como o diabetes, e que o foco delas se concentra em comunidades isoladas e nas pessoas que estão migrando do meio rural para o urbano. Dada a situação de risco do país, é ver para crer.

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