Novidade no transplante de células produtoras de insulina

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Uma alternativa para tratar o diabetes tipo 1 é transplantar no diabético células que geram insulina. Um avanço tecnológico inédito promete facilitar o método.

sistema imune diabetes tipo 1

Quando nosso sistema imune entra em parafuso e passa a atacar o próprio corpo, é hora de revidar com a mais alta tecnologia científica!

O diabetes tipo 1 é causado por um ataque – o qual ninguém ainda entende por que acontece – do sistema imune contra as próprias células que produzem insulina. Com isto, a quantidade de insulina no corpo vai diminuindo com o tempo, a quantidade de açúcar no sangue aumenta e instala-se o diabetes. Uma terapia que surgiu há poucos anos é o transplante de células produtoras de insulina – chamadas de células-beta. Já que o corpo está destruindo as próprias células-beta, que tal adicionar novas para suprir a produção de insulina? O problema é que, para que este transplante dê certo, é necessário que o sistema imune seja “desligado” temporariamente através de potentes agentes químicos, para que ele não destrua as novas células. Este procedimento de “desligamento” traz muitos efeitos colaterais negativos aos pacientes. Um novo trabalho, porém, traz esperanças de que esta realidade seja coisa do passado.

Cientistas de São Francisco, nos EUA, e Seul, na Coréia do Sul, conseguiram implantar células-beta saudáveis em camundongos diabéticos tipo 1 sem o uso de medicamentos para “desligar” o sistema imune.

Na prática, a descoberta abre a perspectiva de um futuro tratamento para diabéticos no qual novas células-beta serão implantadas com maior tranqüilidade, fazendo com que o corpo volte a produzir insulina naturalmente – e tudo isto sem o paciente passar por um tratamento químico danoso.

 

SEGREDOS DOS NOSSOS MECANISMOS DE DEFESA

camundongo pesquisa cientifica diabetes

Camundongos diabéticos tipo 1 foram os heróis da nova pesquisa.

Para quem gosta de detalhes científicos, o segredo de sucesso da nova pesquisa consistiu em dois passos. No primeiro, os camundongos diabéticos receberam um medicamento chamado de ciclofosfamida, utilizada no tratamento do câncer. Este medicamento mata apenas um tipo de célula do sistema imune (a saber, as células T efetoras).

O segundo passo foi injetar nos camundongos células T regulatórias, que ajudam o sistema imune a modular a resposta aos ataques contra o organismo.

Este coquetel, é importante salientar, não “desliga” o sistema imune como um todo, apenas um pedaço dele, apenas algumas células específicas. Com isto, a saúde dos camundongos manteve-se muito melhor do que quando são submetidos às substâncias tóxicas antigas.

 

NOVIDADES PARA OS HUMANOS

Dos camundongos utilizados no estudo, um impressionante número de 70% deles aceitou, sem rejeições, as novas células-beta implantadas. Elas mantiveram-se funcionando ao longo do tempo e ajudaram os animais a voltar a controlar a glicemia, eliminando, assim, o diabetes. Com isto, os bichinhos não precisaram tomar medicamentos imunossupressores, que normalmente são dados a recebedores do transplante por toda a vida.

Os cientistas já começaram a testar a alternativa terapêutica em humanos. Eles já recrutaram diabéticos tipo 1 para exames clínicos, que devem começar nas próximas semanas.

Para novidades sobre esta novidade empolgante para quem está com diabetes tipo 1, fique ligado aqui no Diabeticool.

 

ATUALIZAÇÃO: Já que houve grande interesse pela matéria, aqui está a publicação científica – de leitura extremamente técnica, avisamos de antemão – que traduzimos em linguagem mais acessível no texto acima: “Attenuation of Donor-Reactive T Cells Allows Effective Control of Allograft Rejection Using Regulatory T Cell Therapy“.

 

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