Novembro Azul: Alerta para diabetes e alcoolismo

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A cada três mortes registradas no país, duas são de homens.

A coordenadora Estadual de Atenção Psicossocial da SES, Sony Petris (Foto: divulgação)

O lavrador aposentado José Fernandes Lopes, 75, não frequentava uma unidade de saúde há mais ou menos 13 anos. Ele mesmo afirmava que tinha uma “saúde de ferro”. Porém, há uma semana, um corte no lhe tirou o sossego, trazendo uma notícia nada agradável. “Estou com diabetes e só descobri fazendo os exames. Na lavoura, cortei o pé e demorou muito para cicatrizar. Meu pé está roxo e muito dolorido. Há um tempo não vou ao médico. Achava que minha saúde sempre era boa, mas, agora, tenho que me cuidar”, informou o lavrador, durante internação no Pronto Socorro do Hospital de Urgências de Sergipe (HUSE).

De acordo com uma pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde (MS), a cada três mortes registradas no país, duas são de homens. A falta da realização de exames preventivos associada aos fatores de risco, como aumento da ingestão de sal, obesidade, uso abusivo de álcool e sedentarismo, faz com que muitos homens fiquem mais predispostos a adquirir doenças como diabetes e hipertensão.

Segundo a gerente da área técnica de Controle da Diabetes da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Stella Gouveia, em Sergipe estima-se que 4,2% da população masculina adulta, com 18 anos ou mais, pode desenvolver diabetes. Isso representa um número de 28.300 homens no estado.

“Quando falamos em Diabetes, não é apenas o diagnóstico precoce que certamente minimizará as complicações. Uma vez que se inicia o tratamento adequado, fazendo a prevenção da doença, o paciente pode ter uma vida tranquila. É preciso que todos mudem os hábitos de vida com a adoção cotidiana de práticas corporais e atividade física, alimentação saudável, abandono do tabagismo e de bebidas alcoólicas em excesso. O homem, principalmente, necessita de um olhar especial, uma vez que existe uma grande resistência na procura por serviços de saúde preventivos, além de alternativas para uma vida mais saudável”, ressalta Stela Gouveia.

 

Alcoolismo

Outra patologia que atinge bastante os homens é o alcoolismo. A dependência do álcool é uma condição frequente e atinge cerca de 5% a 10% da população adulta brasileira. No ano de 2011, houve 1.300 internações hospitalares ocasionadas pelo uso de álcool no estado de Sergipe. Entre os tipos de drogas mais consumidas, o álcool apresenta-se em primeiro lugar.

A coordenadora Estadual de Atenção Psicossocial da SES, Sony Petris, explica que a passagem da forma moderada de beber ao ato de beber excessivamente ocorre de forma lenta e, em geral, leva vários anos.

“Nem todo consumo de álcool é considerado alcoolismo. O alcoolismo é considerado como doença pela Organização Mundial da Saúde e pode ser definido como o consumo excessivo, duradouro e compulsivo de bebidas alcoólicas, que provoca um quadro de dependência. São diversos os fatores que podem levar ao alcoolismo: origem biológica, psicológica, sociocultural”, explica.

A coordenadora destaca ainda que o alcoolismo pode causar danos para o convívio social. “Os danos sociais e morais diferem de indivíduo para indivíduo e são subjetivos. Porém, comportamentos anti-sociais, violência doméstica, ruptura de relacionamentos, problemas no trabalho, como alterações na percepção, reação e reflexos, aumentando a chance de acidentes, são provenientes do abuso de álcool. É uma doença que provoca muito sofrimento para o usuário, familiar e amigos”, enfatiza.

Ainda segundo Sony Petris, a população masculina ainda resiste em procurar cuidado, principalmente o de prevenção. Segundo estudos, somente 15% das pessoas, homens, que apresentam problemas relacionados com o uso de álcool buscam tratamento para o alcoolismo.

“Em muito dos casos, isso acontece por uma questão cultural. O álcool faz parte da cultura da população brasileira e acrescenta-se a isso a crença de que o usuário tem que “controlar” o uso de álcool, que consegue parar quando assim o desejar, o que faz com que, na maioria das vezes, quando busca ajuda é porque apresenta problemas físicos relacionados ao uso excessivo e abusivo”, enaltece Sony Petris.

Fonte: InfoNet

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