Medindo a glicemia…com luz!

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Pesquisadores alemães afirmam que, em poucos anos, será possível medir a glicemia utilizando uma técnica que envolve apenas luz e som – seria o fim das picadas?

Por Ricardo Schinaider de Aguiar, especial para o Diabeticool

Um dos maiores incômodos para muitos diabéticos na hora de controlar os níveis de glicose é picar o dedo para tirar uma gota de sangue. Buscando outras formas de se medir a glicemia, cientistas alemães da Universidade de Frankfurt exploraram, com sucesso, uma nova técnica que utiliza luz e som. O processo é totalmente não invasivo e indolor. “Nosso estudo abre a fantástica possibilidade de que pacientes de diabetes possam, no futuro, controlar seus níveis de glicose no sangue sem precisarem das picadas”, diz Werner Mantele, um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto.

Em apenas 3 anos poderemos ter no mercado uma maneira revolucionária de medir a glicemia.

Em apenas 3 anos poderemos ter no mercado uma maneira revolucionária de medir a glicemia.

 

COMO FUNCIONA A LEITURA DA GLICEMIA VIA “LUZ & SOM”?

O método, chamado espectroscopia fotoacústica, consiste em emitir um tipo específico de laser na pele do paciente. A luz atravessa a pele e é absorvida pelas moléculas de glicose dessa região, que estão entre a pele e os vasos sanguíneos. Quando isso acontece, um som bastante característico, apelidado pelos cientistas de “a doce melodia da glicose”, é produzido e detectado. Ao analisar esse ruído, os pesquisadores são capazes de determinar a concentração de glicose nessa área da pele, em uma profundidade de aproximadamente um centésimo de milímetro. Segundo Mantele, essa concentração pode ser utilizada para indicar a glicemia do paciente, sem picadas e sem dor.

Para testar a nova técnica, voluntários não diabéticos foram recrutados e permaneceram em jejum até seus níveis de glicose no sangue diminuírem. Em seguida, eles beberam uma solução de água com açúcar para a glicemia aumentar e voltar ao normal. Durante todo o procedimento, os voluntários eram avaliados por um glicosímetro tradicional e pelo novo método. Os resultados, de acordo com os pesquisadores, foram promissores. As medidas utilizando lasers e sons mostraram ter uma sensibilidade que permitiria à técnica ser usada como meio confiável de se medir a glicemia.

Ondas sonoras e de luz carregam grandes esperanças para diabéticos de todo o mundo.

Ondas sonoras e de luz carregam grandes esperanças para diabéticos de todo o mundo.

 

SUPERANDO DESAFIOS

As dificuldades desse método estão nas variações de temperatura e umidade da pele, que podem interferir no resultado. O grupo alemão desenvolveu um modelo que parece superar esses problemas e, em parceria com uma empresa também alemã, pretende ter um produto final nos próximos três anos. Por enquanto, o protótipo ainda está em estágio experimental e precisaria ser aprovado por agências regulatórias para ser vendido comercialmente.

 

Ricardo Aguiar é formado em Ciências Biológicas pela Unicamp e atualmente faz o curso de “Especialização em Divulgação Científica” no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), também pela Unicamp.

 

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  • Suely Negreiros

    Fascinada pela descoberta, embora eu não seja diabética, torço muito pela ciência que a estuda.

  • Jéssica Ferreira

    Achei s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l!! Tomara que saia logo um medidor desse tipo pra gente!!!

  • Carla Azevedo

    Boa noite,
    Sou a Carla Azevedo, aluna do Instituído Politécnico de Bragança e estou a fazer um projeto em que o tema é medir a glicemia no sangue sem picada e este projeto consiste em fazer um estudo nesta área. Gostaria de saber se era possível ajudarem- me a entrar em contacto com o Pesquisador Tim Fisher para o esclarecimento de algumas dúvidas. Agradeço resposta, cumprimentos.

  • Oi, Carla, tudo bem?
    Claro que podemos ajudá-la. Além do Tim Fisher, cientista que entrevistamos no final do ano passado, já publicamos outras matérias relacionadas à medição de glicemia sem picadas, como por exemplo esta, esta e mais esta!

    Por motivos de segurança, pedimos para que nos envie um e-mail para webmaster@diabeticool.com. Poderemos passar o contato do sr. Fisher por lá.

    Um abraço,
    Equipe Diabeticool