Medicina Tradicional Chinesa: um método válido para tratar o diabetes?

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Cientistas estudam a eficiência de métodos naturais milenares de cura do diabetes. Será que eles realmente funcionam?

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Um estudo científico bem interessante foi publicado no final de fevereiro na respeitada revista PLOS One. Nele, cientistas australianos se uniram a colegas chineses a fim de estudar a eficiência de métodos tradicionais de medicina da China no tratamento de diabetes. Estes métodos, naturais, utilizam folhas de plantas locais para curar enfermidades. Eles descobriram que, de fato, a experiência milenar dos chineses parece ter, sim, um efeito positivo na melhora da glicemia.

O diabetes é conhecido e tratado pelos chineses há mais de 2000 anos. Por lá, a condição é conhecida como “Xiaoke“, e uma pílula com este nome é vendida no comércio popular com o intuito de curar o diabetes. Esta pílula contém uma mistura de sete ervas e glibenclamida, uma substância utilizada por farmacêuticas modernas em remédios anti-diabéticos convencionais. Pesquisas prévias haviam notado que as “pílulas Xiaoke” pareciam realmente baixar a glicemia de pessoas que estão com diabetes – porém, todos os estudos foram realizados na China e nenhum deles seguiu parâmetros científicos rigorosos, o que poderia sugerir enviesamento dos estudos.

Sabendo disto, o novo trabalho científico seguiu protocolos convencionais de obtenção de dados. Cientistas da Universidade de Queensland, na Austrália, e da Universidade de Pequim, na China, estudaram 800 adultos que estavam com diabetes tipo 2. Metade deles tomou a pílula Xiaoke e a outra metade ingeriu apenas glibenclamida. Desta forma organizado o experimento, a diferença de resultados entre os dois grupos deixaria explícita a eficiência do composto de ervas presente nas pílulas tradicionais chinesas.

Embalagem de uma das "pílulas Xiaoke", populares na China no tratamento de diabetes.

Embalagem de uma das “pílulas Xiaoke”, populares na China para o tratamento de diabetes.

Após 48 semanas de tratamento, os resultados obtidos foram conclusivos: quando a glibenclamida é tomada em conjunto com as ervas chinesas, os voluntários passaram por três vezes menos episódios de hipoglicemia e sentiram menos sintomas do diabetes (como fatiga e aumento do apetite) do que aqueles tratados apenas com glibenclamida.

O doutor Sanjoy Paul, da Universidade de Queensland, comentou a importância da descoberta: “A medicina tradicional da China tem sido usada há muito tempo para tratar o diabetes naquele país e ao redor do mundo, porém até agora havia falta de evidências acerca da segurança e eficácia do tratamento. Esta ausência de conhecimento científico causou ceticismo e diversas críticas.”

“Uma grande parte das populações vivendo em países em desenvolvimento dependem da medicina natural (baseada em plantas) para cuidados básicos de saúde. As descobertas deste estudo podem melhorar a oferta de serviços de saúde de qualidade para pessoas que, de outra maneira, não teriam acesso a tratamentos”, explicou Sanjoy.

 

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