Insulina Lantus gratuita está com os dias contados

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Estudo científico defende que governos troquem a insulina Lantus, de longa duração (e preferida pelos diabéticos) pela NPH, muito mais barata.

Um artigo científico publicado este mês na revista Applied Health Economics and Health Policy pode influenciar o governo de Minas Gerais a parar de fornecer gratuitamente a insulina glargina (Lantus) em favor dos análogos NPH (como a Humulin). A insulina Lantus é preferida pelos usuários diabéticos, uma vez que possui efeito terapêutico de longa duração (20 a 24 horas) e diminui as chances de ocorrerem os temíveis episódios de hipoglicemia.

Enquanto isso, a insulina NPH é de ação intermediária, sendo comum os pacientes terem que injetá-la ao menos duas vezes ao dia. Além disso, a NPH deve ser homogeneizada antes da aplicação e possui indíces variáveis de absorção dependendo do usuário – todos estes fatores que a tornam mais complicada para uso.

O principal “problema” da insulina glargina é o preço. De acordo com levantamento realizado pelo Diabeticool, o custo por mL da insulina Lantus é praticamente o dobro dos análogos NPH.

O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), buscou na literatura científica informações que justificassem o uso da insulina Lantus ao invés da NPH. De acordo com os autores, não há evidências de que um tipo de insulina seja melhor que o outro em relação ao controle da glicemia e à ocorrência de episódios de hipoglicemia em diabéticos do tipo 1.

insulina lantus e o governo de minas diabetes

O QUE MOTIVOU O ESTUDO

Os cientistas mencionam no artigo que os custos associados à compra da insulina Lantus pelo estado de Minas Gerais subiram, em média, 291% nos últimos anos, devido ao aumento no número de casos de diabéticos que entraram na Justiça para adquirir, gratuitamente, o tipo especial de insulina. Além disso, os autores notam que a diferença de preço entre a Lantus e a NPH chega a 536%.

+ SAIBA MAIS: “Diabéticos na Justiça – uma reportagem especial

Uma vez que é muito mais caro comprar a insulina Lantus do que a NPH e que a eficiência das duas é a mesma, os autores do trabalho concluem: “Nós, portanto, recomendamos às autoridades do estado [de Minas Gerais]excluir a insulina glargina [da lista de medicamentos oferecidos de graça] ou renegociar uma redução de preços com o fabricante”.

Ainda na conclusão do estudo, os pesquisadores afirmam que seus resultados poderão ser usados nos tribunais para “combater possíveis ações judiciais” – referindo-se às ações de diabéticos que exigem o fornecimento da insulina Lantus pelo governo.

 

ATUALIZAÇÃO (16/04/2014): Mesmo com as conclusões do estudo comentado acima, os diabéticos brasileiros conquistaram, há poucos dias, o direito de receber gratuitamente a insulina Lantus. Leia em “Agora é Lei: Lantus vai ser fornecida em todo o país pelo SUS“.

 

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