Insulina funciona de maneira diferente de dia e à noite

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Estudo inédito revela como o relógio biológico dita o funcionamento de um dos nossos mais importantes hormônios.

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Para nós humanos, é muito fácil saber a qualquer momento que horas são: checamos relógios, celulares, a hora no computador, olhamos para a posição do sol… Nosso corpo também precisa ficar de olho no horário, já que seu funcionamento interno varia de acordo com o período do dia. Durante as horas de luz, nosso metabolismo e muitos dos processos químicos trabalham de maneira diferente do que à noite. Para manter controle sobre estes fatores, possuímos “relógios internos”, compostos por uma intrincada relação de genes e moléculas, os quais respondem à variação de luz no ambiente e às nossas atividades.

+ Para saber mais: Fomos feitos para dormir bem

Tão complexo e abrangente mecanismo deve possuir um número bem grande de “peças”, componentes que os cientistas continuam desvendando, e deve também influenciar boa parte das moléculas que atuam no organismo. Uma destas moléculas sempre chamou a atenção dos pesquisadores: a insulina.

A insulina é um dos hormônios mais ativos e potentes do metabolismo humano, de importância fundamental no diabetes, e era quase certo que o nosso relógio interno influía de maneira intensa também em seu funcionamento. O problemas é que isto era mera hipótese: ninguém até então havia provado que a insulina era, de fato, “peça” do relógio.

A história mudou na semana passada. Pela primeira vez, cientistas foram capazes de comprovar o papel da insulina na “maquinaria” do relógio biológico. O estudo foi feito por pesquisadores do Centro Médico da Universidade Vanderbilt, no Tennessee, Estados Unidos, e publicado na edição do dia 21 do periódico científico Current Biology.

“As pessoas suspeitavam que a resposta de nossas células à insulina tinha um ritmo circadiano [ou seja, respondiam ao relógio biológico], mas nós somos os primeiros a ter de fato medido isto”, disse o professor de Fisiologia Molecular e Biofísica Owen McGuinness, um dos autores do projeto.

 + Para saber mais: Os relógios internos, a alimentação e o diabetes

 

A insulina de dia e de noite

Estudar camundongos, que possuem maior atividade à noite, permitiu aos cientistas comparar a atividade da insulina com aquela dos humanos, normalmente mais ativos durante o dia. Os processos internos de funcionamento da insulina são praticamente idênticos nas duas espécies, o que ajuda a dar uma importante perspectiva humana ao trabalho.

A descoberta da equipe da Universidade Vanderbilt foi a de que durante os períodos de maior atividade do corpo, os tecidos tornam-se mais sensíveis à insulina; durante os períodos de sono ou descanso, os tecidos ficam mais resistentes à ação da insulina.

Vale frisar que a insulina é o hormônio responsável por retirar o açúcar da corrente sangüínea e o entregar aos tecidos do corpo, fornecendo a eles energia.

O que a pesquisa indica é que, durante as horas de maior atividade, o açúcar é utilizado para fornecer energia ao corpo. Nos períodos de descanso, quando os tecidos tornam-se mais resistentes à insulina, o açúcar deixa de ser usado principalmente como fonte de energia e é, ao invés, convertido em gordura – que nada mais é que uma forma de estocar energia para uso no futuro. (Faz todo o sentido, não é mesmo?)

Universidade Vanderbilt, nos EUA.

Universidade Vanderbilt, nos EUA.

Quando o relógio biológico dos camundongos era destruído (através de técnicas genéticas e ambientais), ou seja, quando o organismo não era mais capaz de dizer quando era dia e quando era noite, qual era a ação da insulina? Nestes casos, os cientistas perceberam que os animais pareciam estar eternamente presos em um estado de resistência à insulina. Com isto, ganharam mais peso e mais rapidamente do que o habitual. Quando os pesquisadores fizeram o relógio interno voltar a funcionar normalmente, houve imediata melhora na sensibilidade à insulina e no ganho de peso.

A resistência à insulina e o sobrepeso são fatores de risco para o desenvolvimento de diversas doenças, entre elas o diabetes tipo 2. De acordo com os cientistas, a pesquisa ajuda a explicar por que as taxas de diabetes e obesidade são tão grandes entre quem trabalha em turnos noturnos e quem sofre de problemas para dormir.

Shu-qun Shi, aluno de pós-graduação envolvido na pesquisa, resume: “Nosso estudo confirma que não é apenas o quê você come e quanto você come que são importantes para um estilo de vida saudável, mas que o “quando” você come é muito importante também”.

 

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  • Renata Fialho

    Quer dizer então que além de cuidar da alimentação quem tem a Diabetes independente de ser Tipo 1 ou 2 devem cuidar dos horários que irão se alimentar?Devem ter mais rigor nos horários para que a insulina trabalhe no organismo à favor em vez de contra? Ggostaria de saber mais sobre estes horários.
    Aguardo.

  • Jose Araujo

    Antes de mais, parabéns aos cientistas que vêm confirmar a minha tese, contudo acho que deveriam estudar mais os harmônios secretados pelas glandulas situadas no cerebro.
    Os horarios da alimentação nos diabeticos faz parte da terapeutica, assim como uma alimentação regulada no contrôl dos hidratos de carbono, gorduras e protainas, esta última por causa dos rins, não esquecendo o exercicio fisico e psicologico, os estados psicologicos são importantissimos no control da diabetes 1 ou 2.
    Faça um mapa onde aponte os horarios 8 h; 10h; 12h; 16h; 19h; 22h, respeite os HC por cada refeição e os horarios assim como a sua medicação e terá de certeza um optimo control na diabetes.