Hormônios diminuem apetite e podem prevenir o diabetes

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Nova pesquisa descobre uma combinação de hormônios que reduz o apetite e que é promissora para ser usada como tratamento do diabetes.

Por Ricardo Schinaider de Aguiar*, especial para o Diabeticool

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Um novo estudo, que se baseou na combinação de dois hormônios já conhecidos, é promissor para o desenvolvimento de tratamentos não apenas de obesidade, mas também do diabetes. O método consiste na redução do apetite, efeito que os pesquisadores do Imperial College, de Londres, obtiveram através da combinação dos hormônios glucagon e glucagon-like peptide 1 (GLP-1).

Ambos os hormônios utilizados na pesquisa desempenham papéis fundamentais na regulação da glicemia. O glucagon tem o efeito contrário ao da insulina, ou seja, aumenta os níveis de glicose no sangue. Já o GLP-1 estimula a liberação de insulina, reduzindo a glicemia, e atua também no cérebro, gerando uma sensação de saciedade que reduz o apetite. Nesse estudo, voluntários receberam a aplicação de uma combinação dos dois hormônios e, após 90 minutos, receberam uma refeição. Durante todo o processo, os níveis de glicose e hormônios no sangue, e até mesmo a quantidade de oxigênio consumida, foram medidos e comparados aos de voluntários que receberam a aplicação dos hormônios separadamente e de voluntários que receberam apenas uma solução salina, como controle.

Os resultados da pesquisa revelaram que os voluntários que receberam a combinação dos hormônios ingeriram, em média, 13% menos calorias do que todos os outros grupos. Além disso, o estudo demonstrou que a aplicação dessa combinação é segura e não causou efeitos colaterais. O próximo passo para os pesquisadores será a realização de um estudo em maior escala e durante um período maior de tempo, para analisar se os efeitos podem ser mantidos a longo prazo.

“Nós verificamos que os voluntários tratados com a combinação de glucagon e GLP-1 consumiram uma quantidade significativamente menor de comida. Esses resultados corroboram os dados obtidos com experimentos em animais, sugerindo que a combinação desses hormônios pode ser promissora no desenvolvimento de novos tratamentos para obesidade e diabetes”, diz Stephen Bloom, pesquisador que coordenou o estudo. “A redução de 13% em ingestão de calorias é grande para qualquer padrão, mas nosso estudo é apenas um aperitivo. Um tratamento futuro, para ser efetivo, precisará reduzir o apetite a longo prazo. Nosso meta, então, é estabelecer se os resultados podem ser mantidos e se levam, de fato, a uma perda de peso”.

 

Ricardo Aguiar é formado em Ciências Biológicas pela Unicamp e atualmente faz o curso de “Especialização em Divulgação Científica” no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), também pela Unicamp.

 

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  • Amanda da Cruz Bataioli

    sou diabetica desde nova descobrimos ja quando eu tinha 08 anos de idade, agora ja tenho 15 anos e queria saber sobre essa nova pesquisa q voces estao fazendo, depois de pronta e ter obtido resultados bons vai cheegar ao Brasil?

  • Ricardo Schinaider de Aguiar

    A pesquisa ainda está em fase de testes e pode demorar até ser concluída e se tornar, de fato, um novo tratamento para o diabetes. Mas caso os resultados se confirmem e um tratamento baseado neles seja desenvolvido, é bastante provável que esse novo método para se tratar o diabetes chegue ao Brasil.