Glucagon, o “irmão mau” da insulina, pode ajudar diabéticos

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Hormônio com função de aumentar a quantidade de açúcar no sangue pode ser a base de novas terapias para controlar o diabetes. Entenda nesta reportagem!

O pâncreas pode ser um órgão pequenino, porém produz alguns dos hormônios mais importantes do corpo humano, como a insulina e o glucagon.

O pâncreas pode ser um órgão pequenino, porém produz alguns dos hormônios mais importantes do corpo humano, como a insulina e o glucagon.

O pâncreas é um órgão do corpo humano que todo diabético certamente conhece. É ele que abriga as células que produzem a insulina, necessária para abaixar a quantidade de açúcar no sangue. Estas células que produzem a insulina se chamam células beta. Além delas, o pâncreas é lar também para as células alfa, de ação diametralmente oposta às beta. As células alfa produzem o glucagon, hormônio que atua no fígado e faz a quantidade de açúcar no sangue subir, e que é importantíssimo para dar energia ao corpo quando estamos em jejum. Agora, cientistas descobriram que a ação do glucagon no cérebro é bem maior do que se pensava, o que pode abrir novos caminhos terapêuticos para o tratamento do diabetes. Vamos entender o que está acontecendo!

Cientistas do General Research Institute em Toronto, no Canadá, acreditam que o glucagon é um dos mais importantes fatores na hora de baixar a quantidade de açúcar no sangue. A conclusão está em artigo científico na mais recente edição da revista Nature Medicine. A idéia é a seguinte: enquanto a insulina diminui a glicemia ao transportar o açúcar do sangue para as células, a ação normal do glucagon no cérebro ‘avisa’ o corpo quando há uma quantidade alta de açúcar no sangue, impedindo que o fígado libere ainda mais açúcar acumulado.

Em pessoas com diabetes, esta comunicação mediada pelo glucagon e com ação numa região cerebral chamada de hipotálamo possivelmente está comprometida, o que pode ajudar a fazer com que o organismo perca o balanceamento correto das taxas de açúcar no sangue.

Em outras palavras, o hormônio que aumenta a glicemia quando atua no fígado é o mesmo que controla a quantidade de açúcar no sangue quando atua no cérebro. Vê-se o quão complexo é o corpo humano e suas interações bioquímicas!

 

AS DESCOBERTAS DA CIÊNCIA

Os pesquisadores canadenses descobriram uma via de sinalização molecular, a da proteína quinase A, que pode reverter a ação ‘errada’ do glucagon em diabéticos, fazendo-a voltar para o normal. Segundo eles, isto abre portas na busca por uma cura do diabetes.

“Remédios que buscam aumentar a ação do glucagon no cérebro e/ou bloquear a ação do glucagon no fígado podem regular os níveis de açúcar em diabéticos”, disse Tony Lam, cientistas especialista em obesidade e diabetes e líder do novo estudo.

“Eu acredito que, mais para a frente, tratar o diabetes com terapia baseada no glucagon vai ser tão efetivo quanto a insulinoterapia”, revelou.

 

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