Extrato de orégano pode ajudar a controlar a diabetes tipo 2

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Estudos feitos por pesquisadores do interior de São Paulo demonstram que substâncias presentes na planta mantêm equilibrados os níveis de glicose no sangue.

Pesquisadores do interior de São Paulo descobriram que substâncias presentes no orégano podem ajudar a controlar a diabetes tipo 2. Diferente da diabetes tipo 1, em que os pacientes afetados não produzem insulina e precisam fazer a aplicação diária do hormônio, a diabetes tipo 2 é causada por uma disfunção na absorção de glicose. “A pessoa até produz insulina, mas o hormônio não age de forma eficiente na regulação dos níveis de glicose no sangue”, afirma o pesquisador Wilson Cunha. Ele é quem coordena o estudo com a especiaria junto a um grupo do Laboratório de Pós-Graduação em Ciências da Universidade de Franca (Unifran).

Para fazer a extração das moléculas do orégano a equipe usa uma metodologia específica, da qual foi solicitada patente em 2010. “Esse extrato, então, é rico em algumas das substâncias presentes no orégano. Por isso, a simples ingestão da planta não é suficiente para fazer baixar os níveis de glicemia dos pacientes.” O pesquisador explica que tudo depende da concentração dos compostos com potencial para o tratamento, que no produto seco ou  in natura é muito menor. Segundo Cunha, são várias as substâncias que compõem o extrato, mas pode-se dizer que o carro-chefe da solução é o ácido rosmarínico, encontrado em grande quantidade no orégano.

Hoje, para manter a diabetes tipo 2 sob controle, além de exercícios físicos e dietas balanceadas, os pacientes têm à disposição medicamentos que agem segundo diferentes mecanismos. Cunha cita alguns exemplos: “existem aqueles que estimulam a secreção de insulina, outros que diminuem a resistência à sua ação e os que reduzem a velocidade de digestão de carboidratos.” Em relação ao orégano, ele diz que estudos sobre o mecanismo de atuação ainda não foram concluídos.

De acordo com Cunha, até agora sabe-se que o extrato age na diminuição da glicemia e é eficiente na manutenção de níveis equilibrados de glicose no sangue. “Muitos pacientes relatam que com os medicamentos disponíveis no mercado a glicemia abaixa muito, não fica em um nível basal, e isso causa reações adversas como tontura e indisposição. Com o extrato de orégano não houve uma queda drástica da glicemia das cobaias”, completa.

Todos os estudos foram embasados na observação e análise de experimentos feitos com ratos de laboratório. “Fizemos testes com três grupos de ratos diabéticos. Um dos grupos a gente tratou com o extrato de orégano; outro com um medicamento disponível no mercado, à base de clorpropramida [que estimula a secreção de insulina], e um terceiro com placebo.” O acompanhamento foi feito durante 40 dias e contou com medições diárias da glicemia de todos os ratos participantes.

O próximo passo da pesquisa é determinar de que forma as substâncias presentes no orégano agem na diminuição do teor de glicose no sangue. “Por enquanto, suspeitamos que o ácido rosmarínico e outras substâncias presentes no extrato atuem junto às células beta do pâncreas. Essas células são responsáveis por sintetizar e secretar insulina e a ação do extrato parece regularizar a função delas quanto à produção do hormônio.” Para chegar a uma conclusão definitiva, no entanto, o pesquisador diz que é preciso continuar investigando o processo. “Temos essa suspeita porque depois dos 40 dias de tratamento com o extrato os ratos voltaram a produzir insulina normalmente. Isso nos faz acreditar que pessoas que descobrem a doença em uma fase inicial poderiam ter a possibilidade de reverter o quadro, mas para afirmar isso categoricamente precisamos seguir com os estudos.”

Fonte: Revista Globo Rural

 

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