Escócia trata diabéticos em clínica virtual

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Habitantes de uma das regiões mais isoladas do mundo não precisarão sair de casa para cuidar do diabetes.

Imagine viver em uma das regiões mais bonitas e menos povoadas do planeta, como as Highlands (ou “Terras Altas”) da Escócia. Por um lado, é difícil querer sair do lugar quando se tem à volta belas cordilheiras, rios de águas transparentes e florestas deslumbrantes. Porém, por outro lado, quando se tem algum problema de saúde, é bem difícil conseguir socorro próximo. Ainda mais quando se é diabético e precisa-se de acompanhamento contínuo e atento. Criativo, o governo escocês inventou uma maneira inovadora de oferecer serviços de saúde aos diabéticos destas áreas remotas.

As Highlands escocesas situam-se ao norte do país e são lar para cerca de 200 mil pessoas. Destas, pelo menos 1000 são diabéticas tipo 1 e 1300 tipo 2. Como a população vive esparsa em uma área gigantesca, as Highlands são uma das regiões com menor densidade populacional do mundo. É muito comum ver fotos de casinhas isoladas, com montanhas e vales ao redor, mas nenhum outro indício de civilização.

Provavelmente é difícil encontrar um bom médico se você morar por aqui…

Uma ex-moradora da região conta que levava mais de uma hora e meia para chegar até o hospital mais próximo. De carro.

Sabendo destes problemas, o governo escocês iniciará um projeto piloto a partir do próximo mês. A idéia é fornecer meios virtuais de acompanhamento do diabetes para quem mora nas Highlands, evitando longos deslocamentos (tanto de pacientes quanto de médicos) e aumentando a velocidade dos tratamentos. Do conforto de casa, os moradores poderão escolher a sua maneira preferida de entrar em contato com os profissionais da saúde: telefone, sms, e-mail ou videoconferência. Os doutores poderão responder às dúvidas dos pacientes e terão à sua disposição uma equipe médica completa fornecendo suporte diagnóstico.

Cautelosa quanto a possíveis críticas ao projeto, Sandra MacRury, professora de diabetes na University of the Highlands and Islands, afirmou que o projeto é um complemento às consultas cara-a-cara com médicos. Porém, se for provado que funciona bem, ela garante que os pacientes poderão escolher por receber, no futuro próximo, todos os seus cuidados remotamente. Isto é, desde que o diabetes esteja sob controle.

Caso prove ser um sucesso, o projeto piloto poderá ser expandido para toda a população das remotas Terras Altas. O que nos faz pensar o que governantes criativos não poderiam imaginar se realmente estivessem dispostos a cuidar da saúde da população de outras áreas remotas e de difícil acesso, como a nossa Amazônia. A tecnologia, dando asas à criatividade e à inovação, certamente já existe.

 

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