Dormir pouco muda muito o nosso corpo

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Estudo indica que poucas horas de sono por noite modifica processos importantes do organismo – podendo até mesmo ter influência no diabetes tipo 2.

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Adolescentes são o grupo que, no geral, dorme menos horas por noite. Como isto afeta sua saúde?

Já imaginou poder comparar a maneira como o corpo de uma mesma pessoa funciona sob duas situações diferentes: após ela passar uma semana dormindo gostosamente (até 10 horas por noite) e depois de uma semana com menos de seis horas de sono? Será que nosso corpo “sentiria”, por dentro, esta mudança nos padrões de sono?

Foi exatamente esta questão que uma equipe de cientistas da Universidade de Surrey, na Inglaterra, resolveu investigar, com a ajuda de 26 voluntário, de idades entre 23 e 31 anos. O estudo foi publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A pesquisa revela que foram encontradas, sim, diferenças no funcionamento interno do organismo de acordo com o número de horas dormidas. E que estas variações são super abrangentes e importantes para a nossa saúde.

 

A genética do sono

Os cientistas ingleses descobriram que, após a semana na qual os voluntários dormiram pouco (ou seja, por seis horas ou menos), a atividade de 711 genes mostrava grandes diferenças – 444 deles tiveram ação suprimida e 267 indicaram maior atividade.

Como os genes são os responsáveis por dar as instruções para a produção de proteínas, e as proteínas são peças fundamentais do funcionamento das nossas células, a falta de sono alterou de maneira acentuada a bioquímica do organismo. Os genes analisados são envolvidos com o sistema imune, o metabolismo, a resposta inflamatória e ao stress, e também com o controle do relógio biológico; portanto, é provável que todas estas atividades tenham sido também alteradas de maneira considerável.

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O efeito do dormir pouco no corpo

De acordo com os cientistas, modificações no funcionamento de genes envolvidos com processos tão importantes do corpo humano, como o metabolismo e a inflamação, poderiam dar início a – ou até mesmo piorar – patologias como a obesidade e o diabetes tipo 2.

Disse o professor Colin Smith, um dos autores do trabalho: “[Os resultados] são de apenas uma semana de restrição de sono, que foi de cinco horas e meia ou seis horas por noite. Muitas pessoas dormem este tanto durante semanas, meses e talvez até anos, então nós não temos idéia do quão pior as coisas podem ser.” O problema, de acordo com o cientista, é que os processos desencadeados pelas alterações nos genes podem danificar tecidos e células, levando à gradativa piora da saúde.

“É bastante claro que dormir é um fator crítico para a reconstrução do organismo e para a manutenção de um estado funcional. [Sem ele], todos os tipos de danos parecem surgir.”, completou Collins. “Se nós não formos capazes de repôr e substituir novas células, isto resultará em doenças degenerativas”.

 

Revelações

Muitos especialistas em saúde entrevistados pela mídia internacional notaram a importância deste estudo, salientando o quão interessante é saber o grande número de genes cuja atividade é modificada pelo sono. Porém, eles notam que, caso uma pessoa esteja acostumada a dormir pouco todas as noites, é possível que os efeitos observados na ativação dos genes seja também modulado, evitando o aparecimento de doenças.

Seja como for, o trabalho da Universidade de Surrey corrobora parte das conclusões de outro estudo comentado pelo Diabeticool no ano passado, o qual também relaciona dormir pouco com o desenvolvimento de diabetes tipo 2 (leia em “Um bom motivo para colocar a molecada na cama“, de 1.10.2012)

 

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  • Edelvaz Soares Ferreira

    Maravilhosas explicações, pois com certeza, muitos de nós,
    não damos a devida importância ao sono !

  • Geni Dariva

    Entendi a necessidade. Gostei do conteúdo.