Dieta drástica reverte diabetes

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Ingerir apenas 30% da quantidade normal de calorias por dia resulta em ganhos rápidos à saúde, incluindo reversão do diabetes tipo 2

O diabetes tipo 2 é uma condição médica típica de países desenvolvidos, relacionada aos maus hábitos alimentares comuns à vida moderna. A ingestão costumeira de alimentos altamente calóricos – e a obesidade decorrente disso – aumenta consideravelmente as chances de se adquir a doença. Foi pensando nessa associação que estudos recentes foram conduzidos na Europa e mostraram que, sob uma dieta rigorosíssima, é possível em pouco tempo não apenas diminuir os acúmulos prejudiciais de gordura no organismo, mas também equilibrar as taxas de glicose no sangue, de fato remitindo o diabetes.

Dietas atrozes podem trazer mais benefícios à saúde do que apenas a perda de peso

Dois trabalhos, um holandês e o outro realizado por uma equipe da Newcastle University, no Reino Unido, estudaram as conseqüências de se manter portadores de diabetes sob uma dieta de cerca de 600 quilocalorias diárias. “Isso significa que essas pessoas estavam morrendo de fome”, alerta David Samadi, do hospital Mount Sinai de Nova York. Apesar das taxas calóricas diárias recomendadas variarem bastante, especialmente de acordo com o modo de vida adotado, indica-se a ingestão de 2000 kcal para mulheres e 2500 kcal para homens. A dieta extrema dos estudos foi baseada em alimentos líquidos e três porções de vegetais que não contêm amido (como brócolis, tomate e cenoura) por dia.

As mudanças no metabolismo e na constituição dos pacientes aconteceram rapidamente. Uma semana após o início da dieta, as taxas de açúcar no sangue equilibraram-se a níveis normais, comparáveis àqueles de não-diabéticos. Após um mês, o acúmulo de gordura ao redor do coração, vilão de diversas doenças cardíacas, retornou a valores saudáveis. Durante e pós a dieta, ademais, o conteúdo de gordura no fígado e pâncreas, fator associado a maiores riscos de se ter o diabetes, também diminuiu consideravelmente. No caso da pesquisa britânica, oito dos onze diabéticos conseguiram manter os níveis de açúcar em valores normais durante os três meses seguintes ao fim da dieta.

Os cientistas levantam vários poréns a estes resultados aparentemente milagrosos. Não se sabe ainda por quanto tempo os efeitos serão sentidos, nem como as taxas de glicose se comportarão nos meses e anos posteriores ao fim da dieta extrema – acredita-se que, com o natural ganho de alguns quilos pós-privação intensa, os resultados benéficos esvaneçam. Além disso, tão radical dieta não é absolutamente recomendada pelos médicos, a não ser que seja acompanhada rigorosamente por nutricionistas.

Maiores informações podem ser encontradas nesta matéria e neste vídeo (ambos em inglês).

Imagem: Ambro/FreeDigitalPhotos.net

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