Diabetes tipo 1 acomete principalmente crianças e adolescentes até 14 anos

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Do jornal Estado de Minas:

O pequeno Eduardo Abras de Sena tinha apenas 2 anos quando apresentou os primeiros sintomas que indicariam um quadro de diabetes tipo 1. A sede incontrolável foi o primeiro sinal de que algo estava errado com o menino. “Ele bebia 200ml de água a cada 20 minutos e começou a urinar com muita frequência”, relembra a mãe de Eduardo, Luciana Barros Abras de Sena. Profissional da área de saúde, a fisioterapeuta logo associou o comportamento do filho ao diabetes. “Fomos ao pediatra e ao endocrinologista pediátrico, que solicitou exame de sangue.”

O resultado revelou glicemia em jejum igual a 498mg/dL, valor cinco vezes maior que o nível considerado ideal, que é de no máximo 99mg/dL. Internado às pressas sob o risco de entrar em estado de coma, o garoto teve os níveis de glicemia estabilizados, mas passou a conviver com uma rotina complexa. Quase dois anos depois do diagnóstico, ele segue uma dieta rigorosa baseada na contagem de carboidratos dos alimentos. Além disso, teve de aprender a lidar com uma média de cinco aplicações de insulina e oito medições de glicose diariamente.

Casos como o de Eduardo têm se tornado cada vez mais frequentes em todo o mundo e alimentam uma estatística preocupante. Somente em Minas, estima-se que 136.615 pessoas convivam com o diabetes tipo 1, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde. O número representa 10% do total de casos de diabetes registrados em território mineiro. Os outros 90% são compostos por pacientes com o tipo 2 da doença e também por mulheres diagnosticadas com diabetes gestacional. Mas o fato de os casos de diabetes tipo 1 representarem apenas um décimo dos diagnósticos não diminui a gravidade da situação.

O diabetes tipo 1 acomete principalmente crianças e adolescentes, e é uma das doenças endócrinas e metabólicas mais comuns entre menores de 14 anos, de acordo com estudo divulgado no início de janeiro pela Federação Internacional de Diabetes, que revelou também crescimento de pelo menos 3% no número de casos registrados no mundo anualmente.

A doença ainda intriga os especialistas, que não descobriram o fator que desencadeia o diabetes tipo 1. Sabe-se, no entanto, que é uma enfermidade autoimune. Por alguma razão ainda ignorada, o sistema imunológico do indivíduo passa a não reconhecer as células produtoras de insulina (hormônio responsável por regular o metabolismo da glicose no organismo) e as elimina do pâncreas. O resultado da ausência de insulina são níveis elevados de glicose no sangue, o que leva o paciente a um quadro de diabetes tipo 1.

Segundo a doutora em clínica médica e coordenadora do Ambulatório de Diabetes da Santa Casa de Belo Horizonte Janice Sepúlveda Reis, a doença pode surgir em qualquer fase da vida, mas 80% dos casos aparecem ainda na infância. De acordo com a especialista, os sintomas surgem assim que as células do pâncreas começam a ser destruídas. “A pessoa começa a sentir muita sede e urina muito. Também há bastante perda de peso em pouco tempo e fraqueza.”

Ficar atento aos sinais é fundamental para que o paciente receba atendimento médico antes que os níveis de glicose no sangue cheguem a níveis críticos, o que pode provocar o coma ou mesmo levar à morte. “O nível de glicemia acima de 126mg/dL, em jejum, já indica o diabetes”, afirma a especialista, que ressalta a importância de se repetir o teste antes da confirmação do diagnóstico.

 

HORMÔNIO SINTÉTICO

Confirmado o quadro de diabetes tipo 1, o paciente vai depender permanentemente da aplicação de insulina, já que ainda não há cura conhecida para a doença. O hormônio sintético vai suprir a carência do componente original no organismo do diabético e regular o metabolismo da glicose. Em média, o diabético tipo 1 faz uso de insulina cinco vezes ao dia, mas o número de aplicações pode variar de acordo com a quantidade de refeições consumidas. Aliado à aplicação do hormônio, é fundamental que seja feita a medição da glicose com regularidade. Isso garante que os níveis se mantenham normalizados.

A aplicação do medicamento é indolor, desde que feita da forma correta, com base em orientação profissional. Como parte significativa dos doentes são crianças, o cuidado é ainda mais importante, pois evita traumas. Para tornar o momento menos desagradável e amenizar o incômodo, os pais podem recorrer ao próprio imaginário das crianças. Para Eduardo, por exemplo, as agulhas que provocam as picadinhas diárias têm nome. A perfuração para aplicação da insulina é feita pela “abelhinha”. Já a “formiguinha” é a responsável pela medição regular da glicose. “O médico dele usou os termos uma vez e eu os adotei em casa. É uma forma lúdica de avisá-lo de que é hora da medicação”, conta Luciana.

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