Diabetes em Grandes Eventos – como cuidar do diabetes em shows, festivais e estádios

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Em época de grandes festivais como o Rock in Rio, Ronaldo Wiselberg explica como cuidar bem do diabetes em meio à toda bagunça da multidão.

 diabetes em grandes eventos

É bem sabido por nós, pessoas com diabetes, que a doença não tira férias. Não importa se estamos doentes, se estamos bem, se estamos praticando atividade física ou em um show de rock – ela está ali! Então vamos pensar no que devemos fazer para que o diabetes não nos afete nesses momentos?

 

DICAS PARA CURTIR GRANDES EVENTOS NUMA BOA

Em primeiro lugar – e mais importante do que tudo – não esqueça seu monitor de glicemia, insulina e/ou medicação oral e correção para hiperglicemia em grande quantidade.

Não dá pra ter uma “sensação estranha” e não ter como medir para saber o que fazer. Se for uma hipoglicemia e você se pautar pelos sintomas de “hiperglicemia” – por exemplo, irritação, ou muita sede (lembrando que estamos pulando em um show de rock!) – e aplicar insulina, as conseqüências serão bastante graves – indo desde perder o resto do evento até à morte.

Um adendo é importante: se tiver algum sintoma e, “por algum acaso do destino”, não tiver como medir (as tiras do aparelho acabaram, você foi roubado…), aja como se aquilo fosse uma hipoglicemia, uma vez que os riscos de uma hipoglicemia são em curto prazo, e, se tiver que escolher, é “menos pior” ter uma hiperglicemia por curto espaço de tempo – o melhor mesmo seria medir para saber como proceder, né?!

RESUMO: NÃO ESQUEÇA SEU KIT PÂNCREAS E, NA DÚVIDA, MEÇA!

torcida de futebol e diabetes

Muita gente se pergunta se deve falar que tem diabetes nestes eventos, e a resposta é fácil: SIM, DEVE.

Não precisa dizer de cara, nem para todo o mundo, mas tenha sempre consigo uma carteirinha de identificação, com nome completo, telefone de algum familiar, telefone do seu médico e qual tratamento você usa para seu diabetes. Assim, caso questionem alguma coisa – ou caso você passe mal –, na maioria das vezes essa identificação soluciona as dúvidas. Não foram poucas as vezes em que tive que explicar o porquê de eu precisar de um “agente perfuro-cortante” no evento, mas, ao explicar que tenho diabetes e começar uma aula para o segurança que está na porta, é o suficiente para liberarem a entrada.

RESUMO: SEMPRE TENHA CONSIGO UMA IDENTIFICAÇÃO DE QUE VOCÊ TEM DIABETES!

diabetes na primeira fila dos shows

Estar na primeira fila de shows é uma emoção única, por isso quem chega primeiro guarda lugar até o final. Mesmo assim, cuidar da saúde não deve deixar de ser prioridade!

‘FATALISMO’ QUE VALE A PENA!

Já dizia um filósofo da Antiguidade, de quem eu gosto muito – ok, o nome é “Sêneca”, e as idéias são o “fatalismo”, para quem quiser saber mais – que você sempre deve esperar o pior. Assim, quando ele acontecer, você já estaria preparado, e não se perderia naquele choque. Então, claro, além de esperar o pior para o diabetes, sempre se prepare para o pior.

De maneira geral, eu sempre espero que tenha muitas hipoglicemias, que eu perderei o monitor de glicemia, que sempre ficarei sem fitas para medir, que vão quebrar minha caneta de insulina… Portanto, sempre levo um dinheiro extra para comprar comida – que fica escondido em lugares pouco convencionais, como dentro da meia do pé direito… –, me informo sobre os lugares onde comprar comida, levo fitas extra por precaução, e bastante correção para hipoglicemia, em lugares diferentes – bolso esquerdo, bolso direito… – e, se percebo que minhas correções estão no fim, antes de ter outra hipoglicemia, já corro comprar algo para estoque. Assim, se qualquer uma dessas coisas acontecer, eu já sei como agir e posso curtir o evento sabendo que a chance de uma surpresa acontecer é bem pequena!

RESUMO: PREVINA-SE CONTRA A PIOR DAS SITUAÇÕES!

 

Não tem como a gente se esquecer do diabetes. Então, em vez de esperar acontecer o problema, a palavra para todos os eventos é prevenir!

Bons eventos e até a próxima!

ronaldo wieselberg perfil diabeticoolRonaldo José Pineda Wieselberg tem diabetes há mais de 20 anos. É estudante de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSCSP), auxiliar de coordenação do Treinamento de Jovens Líderes em Diabetes da ADJ Diabetes Brasil e Jovem Líder em Diabetes pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), com trabalhos sobre diabetes premiados e apresentados no Brasil e no exterior. Apesar de ter o mesmo nome de vários grandes jogadores de futebol, prefere o xadrez.
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