Diabetes em cachorros e em humanos: quais são as semelhanças e as diferenças?

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Pesquisa descobre que há grandes diferenças entre o diabetes dos cachorros e o nosso, mas encontra, também, similaridades surpreendentes.

diabetes em cachorros

Cães sempre foram amigos do homem, mais são ainda mais amigos do homem com diabetes! Isto porque estes animais deram sua contribuição desde os primeiros experimentos que buscaram entender a condição, e agora voltam à cena como auxiliares da Ciência nos estudos sobre o diabetes em humanos.

Cachorros também adquirem diabetes – e inclusive podem ser tratados com insulina, assim como seus donos. Porém, existem diferenças entre o diabetes em cães e em humanos. Por exemplo, sabemos que o diabetes tipo 1 costuma surgir cedo na vida de uma pessoa, ainda na infância. Já em cães, o DM1 aparece na meia-idade. Outra diferença: o diabetes tipo 1 humano é uma doença auto-imune (saiba mais sobre isto), mas não há evidência alguma que comprove que o tipo 1 canino seja, também, auto-imune.

Cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, e da Escola de Medicina Baylor se uniram para compreender melhor “como funciona” o diabetes em cães, buscando semelhanças e diferenças com os humanos. A busca, relatada na última edição da revista PLOS ONE, traz revelações surpreendentes.

 

DIABETES EM CÃES E HUMANOS: SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS

Os pesquisadores analisaram a fundo o pâncreas dos cachorros. O pâncreas é o órgão-chave para entender o diabetes. Nele residem as células beta, produtoras da insulina. É a falta ou mau funcionamento da insulina que gera o excesso de açúcar no sangue característico do diabetes.

cachorro remedios diabetesSegundo a pesquisa, a principal diferença entre cães e humanos é que o pâncreas de um cachorro diabético apresenta uma redução drástica no número total de células. Não são apenas as células beta que morem; outros tipos celulares, como as células alfa, também. No nosso caso, mesmo pessoas que estão com diabetes tipo 1 há várias décadas ainda mantêm os outros tipos celulares ativos no pâncreas.

 

Outra diferença: em humanos não-diabéticos, as células beta correspondem a ~50% do pâncreas endócrino. Em cães não-diabéticos, 80%! Este número maior de células beta talvez explique por que o diabetes tipo 1 só aparece mais tarde na vida canina…

Mas nem tudo é diferente. Os cientistas descobriram, também, que em cachorros a organização das células beta dentro do pâncreas é mais similar à humana do que em camundongos, o modelo clássico de estudo da doença.

Tanto cachorros quanto humanos podem ter diabetes tipo 1 ou tipo 2.

O tipo mais comum de diabetes nos cachorros é o tipo 1. Já nos seres humanos, o tipo 1 corresponde a apenas 10% dos casos – quase todos os outros casos podem ser associados ao diabetes do tipo 2!

“Agora que sabemos mais sobre a doença em cachorros – particularmente como eles são mais parecidos com humanos do que camundongos – , eles se tornam mais atraentes como modelos [de estudo do diabetes]”, revelou Jake Kushner, chefe da seção de diabetes pediátrica na Escola de Medicina Baylor e um dos autores do estudo.

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A pesquisa também poderá ajudar criadores de cães e evitar, no futuro, a doença em filhotes.

“Espero que uma análise genética possa eventualmente identificar cachorros com tendência ao diabetes; a partir daí faríamos recomendações de cruzamento para diminuir a incidência e a prevalência da doença nestes animais”, disse Rebecka Hess, professora na Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, e autora do trabalho.

 

 

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