Diabetes e a Aventura Gelada

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Expedição inédita ao Polo Sul esbarra em um inesperado problema: o diabetes tipo 2 do líder da aventura.

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A equipe da expedição antártica posa com o príncipe Charles. Sir Fiennes é o homem de vermelho ao lado do herdeiro do trono bretão.

O dia 31 de março marca o início do tenebroso inverno no Polo Sul, um período de frio intenso e clima imprevisível. A data indica ainda o primeiro dia de uma expedição que pretende, pela primeira vez na história, atravessar os 3.000km do continente antártico durante uma época tão perigosa do ano. Um dos mais célebres participantes da jornada não poderá desbravar o continente gelado a pé e terá que dar apoio à equipe a partir do conforto e calor do seu lar. Tudo indica que o motivo desta situação não de todo ruim é o diabetes tipo 2.

O Sir Ranulph Fiennes, um veterano explorador britânico de 68 anos, é uma das estrelas da expedição antártica. O objetivo da aventura é arrecadar cerca de 30 milhões de reais (£10m) para a ONG Seeing is Believing, que ajuda a prevenir e tratar problemas oculares, em especial a cegueira.

Ranulph estava na Antártida na última semana, treinando a travessia em seus esquis. Tudo corria bem até o aventureiro se deparar com um pedaço do terreno coberto por neve amolecida, o que dificulta a caminhada. Para piorar a situação, uma forte nevasca cobriu de branco o horizonte…e o equipamento que prendia os esquis aos seus pés ficou frouxo. Em uma situação destas, só há uma coisa a fazer: tentar prender novamente os esquis e sair do lugar o mais rápido possível.

Foi assim que o veterano explorador agiu. Como possui mãos bastante grandes, Ranulph encontrou dificuldades em apertar os equipamentos enquanto usava luvas. Então, retirou-as. A temperatura ao seu redor chegava a -33 graus.

O nobre e aventureiro Ranulph Fiennes.

O nobre e aventureiro Sir Fiennes.

Quem acha estranho retirar as luvas em uma temperatura destas não conhece Sir Fiennes. O velhinho já havia feito a mesma coisa em situações bem mais complicadas – como em uma expedição ao Everest, na qual deixou os dedos à mostra em uma temperatura de -50 graus. Segundo ele, nenhuma conseqüência grave havia ocorrido desde então.

Porém, nos últimos dias, na Antártida, a situação foi diferente. Conta Ranulph: “Eu não fiquei nem mesmo vinte minutos [sem as luvas], então percebi que uma mão, e não as duas, estava completamente branca, e neste ponto é tarde demais para se fazer qualquer coisa. (…) Alguma coisa na circulação daquela mão começou a dar errado no passado bem recente.”

Retirar as luvas em uma temperatura tão baixa causou o congelamento dos dedos de Sir Ranulph – uma situação médica severa que geralmente resulta em amputação. O aventureiro visitou recentemente um cirurgião vascular para tentar entender o porquê deste fato inédito em sua vida ter acontecido.

De acordo com o médico, exames de sangue recentes indicaram que Ranulph estava pré-diabético – e é bem possível que os problemas de circulação decorrentes do diabetes tipo 2 tenham prejudicado o fluxo de sangue normal de suas mãos, favorecendo o congelamento. O britânico fará novos testes de saúde assim que chegar em casa, a fim de provar a teoria.

+ Saiba mais!: “Quais são os efeitos do diabetes no corpo humano?

“Eu comecei a trabalhar nesta expedição há cinco anos. Eu estive trabalhando em tempo integral e sem receber por cinco anos. [A situação] é frustrante, mas incontornável. Eu farei o melhor possível neste caso colocando minhas energias inteiramente no time da expedição.”, afirmou o abatido explorador.

Atravessar o Polo Sul é uma tarefa difícil até mesmo para quem está acostumado com a aventura!

Atravessar o Polo Sul é uma tarefa difícil até mesmo para quem está acostumado com a aventura!

O excesso de açúcar no sangue, característica do diabetes, pode causar problemas de circulação ao diminuir o diâmetro dos vasos sangüíneos, impedindo uma passagem eficaz do sangue. Placas de complexos baseados em açúcar podem, também, se formar nos vasos, diminuindo ainda mais o fluxo. Além disso, o diabetes aumenta os riscos de infecção nos vasos, o que também piora a circulação.

Por tudo isto, nunca é demais lembrar: manter a glicemia em níveis adequados é fundamental! Ter sob controle a quantidade do açúcar no sangue é uma ajuda e tanto para a saúde e previne as conseqüências desagradáveis do diabetes. E também evita congelamento de dedos – vai que você decida fazer uma exploração pelo Polo Sul durante o inverno, não é mesmo?!

 

 

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