Devo deixar meu filho adolescente ir ao médico sozinho?

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Pais de crianças com diabetes tipo 1 sofrem quando chega a adolescência e surge o desejo por autonomia para cuidar da saúde. O que fazer numa hora dessas?

medica e paciente diabetes

Um dilema que preocupa boa parte dos pais de crianças com diabetes tipo 1 é saber quando é hora de deixá-las cuidar com mais autonomia da própria saúde. Como o diabetes tipo 1 é uma condição que costuma surgir cedo na vida, as crianças ficam acostumadas desde pequenas a receber atenção maior por parte dos pais, que se preocupam em manter a boa saúde dos filhos. Porém, conforme crescem e chegam à adolescência, é muito comum os jovens diabéticos tipo 1 se rebelarem contra a interferência dos pais em suas vidas. Como aliar a maior autonomia dos filhos com a preocupação dos pais de que eles saibam como controlar bem a própria glicemia?

Sociedades médicas internacionais focadas na saúde de jovens diabéticos, como a International Society for Pediatric and Adolescent Diabetes, sugerem uma saída para este dilema: reconhecer que os filhos cresceram ao permitir que vão sozinhos às consultas com profissionais da saúde. Países como o Reino Unido e a Austrália adotam tal premissa no sistema público de saúde.

Mas será que deixar os adolescentes conversarem sozinhos com o médico é uma boa idéia? O que os pais acham disso? Uma pesquisa publicada no Journal of Adolescent Health buscou as respostas.

Cientistas do The Royal Children’s Hospital, na Austrália, prepararam um questionário sobre o assunto e o distribuíram aos pais de jovens diabéticos que se consultam em uma clínica local.

De acordo com os dados obtidos, os pesquisadores constataram que apenas 13% dos pais disseram que seus filhos já haviam se consultado sozinhos. O número é baixo e pode mostrar que os filhos não se importam em ter os pais ao lado deles durante a consulta, ou que os pais forçam sua presença na sala do doutor.

mãe e filho criança diabetes

No começo, cuidar até que é fácil. Mas quando os filhos crescem a história é outra…

MEDOS

Quando perguntados sobre quais seriam as desvantagens de deixar os filhos se consultarem sozinhos, 62% dos pais disseram que temem não serem informados de detalhes importantes da saúde dos jovens. 41% acham que não saber de primeira mão o plano de tratamento do filho é a maior desvantagem, e 34% acreditam que os jovens não se lembrarão, sozinhos, das orientações médicas.

“Nossos resultados sugerem que jovens com diabetes tipo 1 não estão se consultando privativamente com freqüência. Isto pode ser devido a: pais ou adolescentes negando consultas privativas; médicos com pouco tempo e/ou sem as habilidades necessárias; ou a uma cultura de incerteza quanto ao valor da consulta privada”, afirmam os autores do trabalho.

Pesquisas científicas já mostraram que o envolvimento dos pais no tratamento do diabetes é fortemente associado a melhores índices de controle glicêmico nos filhos. Porém, outras pesquisas comprovam que um envolvimento exagerado dos pais na saúde de adolescentes gera crises familiares, e estas são o estopim para uma má administração do diabetes.

Duas coisas são claras: a participação dos pais no tratamento de saúde dos filhos é fundamental – e a pesquisa sugere que, de certa forma, é bem recebida pelos adolescentes. Todavia, é necessário que os pais saibam reconhecer que as crianças estão crescendo, e que, com isto, elas pedem por espaço (e, de fato, precisam dele), assim como por maiores responsabilidades. É uma tarefa complicada aliar o afeto paternal à distância que os adolescentes pedem; mas é o tipo de desafio que bons pais estão mais do que acostumados a superar.

 

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