Da ficção científica à realidade

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Quando a ficção científica inspira a ciência, e não o contrário, grandes idéias podem gerar avanços ainda mais notáveis.

Se você é um leitor adepto de ficção científica ou cinéfilo inveterado, já deve ter se deparado com inúmeras cenas como as do filme Viagem Insólita (1987), nas quais um cientista é reduzido a um tamanho mínimo e inoculado no organismo de uma pessoa e utiliza-se de um veículo, também reduzido, para navegar pelo seu interior. Agora, já imaginou se algo próximo deste cenário pudesse ser utilizado para diagnosticar ou até mesmo tratar de enfermidades?

Cartaz do filme

Em janeiro deste ano, pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital (BWH) obtiveram êxito ao testar uma cápsula endoscópica capaz de se movimentar dentro do organismo, o que poderia prover aos médicos um controle sem precedentes ao fotografar o interior do corpo humano. A cápsula, inspirada pela ficção científica, foi concebida para ser administrada oralmente, como um comprimido.

Uma vez que o endoscópio tenha adentrado o trato digestivo do paciente, o médico pode “conduzir” a cápsula através do corpo utilizando um aparelho de ressonância magnética para fotografar as áreas específicas de seu interesse. Estas fotos podem ser enviadas por tecnologia sem fio para um computador para que sejam visualizadas.

Atualmente já existem cápsulas endoscópicas em uso para diagnóstico, mas os médicos não têm nenhum controle sobre quais áreas serão fotografadas, bem como qual trajetória a cápsula irá desenvolver no organismo, já que sua movimentação e posicionamento são aleatórios, seguindo os movimentos peristálticos do trato digestivo. A capacidade de dirigir uma cápsula, determinar sua posição, apontar uma câmera e tirar fotos de áreas específicas de preocupação é um grande salto tecnológico, e apresenta um enorme potencial para a medicina.

“Nosso objetivo é desenvolver esta cápsula para que seja usada para enviar imagens em tempo real e permita aos médicos fazer um diagnóstico durante um procedimento único, com pouco desconforto ou risco para o paciente”, disse Noby Hata, pesquisador no Departamento de Radiologia da BWH e líder da equipe de desenvolvimento da cápsula endoscópica, em conferência à imprensa. “Idealmente, no futuro seríamos capazes de utilizar esta tecnologia para liberar medicamentos ou realizar outros tratamentos, como cirurgia a laser, diretamente em tumores ou lesões no aparelho digestivo.”

Isso pode representar um grande alívio para pacientes com problemas gastrointestinais. Sabe-se, hoje, que cerca de 75% dos diabéticos apresentam algum tipo de problema digestivo ou neuropatia gastrointestinal. Maiores informações sobre a cápsula endoscópica podem ser lidas neste artigo (em inglês), e informações sobre complicações gástricas e diabetes podem ser conferidas neste portal (meramente informativo).

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