Como criar novos soldados na luta contra o diabetes

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Pesquisa revolucionária reprograma células do pâncreas, alterando suas funções mais básicas para aumentar a produção de insulina.

A Ciência é uma atividade que exige concentração, muitos estudos, disciplina, rigor … e também uma boa dose de criatividade! Quando existem milhares de pesquisadores ao redor do mundo estudando um mesmo assunto – no caso, como curar o diabetes -, sempre surgirão maneiras inusitadas e inteligentes de resolver o problema. Uma nova possibilidade de tratamento para o diabetes, tanto o tipo 1 quanto o tipo 2, vem chamando a atenção nos últimos dias devido à uma técnica inovadora e à tecnologia de ponta utilizada.

Caso dê certo, esta nova terapia poderá, no futuro, resolver de maneira original o grande problema de quem está com diabetes: a falta de insulina no sangue.

Imagem do revolucionário trabalho, mostrando ilhotas do pâncreas: os espaços em vermelho indicam células alfa e o branco significa que há expressão de elementos de células beta. Quando uma mesma ilhota possui tanto o vermelho quanto o branco, a reprogramação foi feita com sucesso!

Imagem do revolucionário trabalho, mostrando ilhotas do pâncreas: os espaços em vermelho indicam células alfa e o branco significa que há expressão de elementos de células beta. Quando uma mesma ilhota possui tanto o vermelho quanto o branco, a reprogramação foi feita com sucesso! (Explicamos abaixo com mais detalhes!)
Fonte: Nuria Bramswig, Perelman School of Medicine, University of Pennsylvania

 

Entendendo o “alfa e beta” do pâncreas

A insulina, hormônio que retira o açúcar da corrente sangüínea e o “entrega” às células do corpo, é produzida no pâncreas. Mais especificamente, quem produz a insulina são células especiais do pâncreas, chamadas de células beta. Além das células beta, existem diversas outras células com funções especializadas no pâncreas. Uma delas são as células alfa.

O trabalho das células alfa é aumentar a quantidade de açúcar no sangue, o que é bastante ruim para quem já tem estes níveis elevados, como os diabéticos. Elas fazem isso produzindo um hormônio chamado de glucagon. O glucagon estimula a liberação, no sangue, de açúcar acumulado em reservas do corpo.

Diabéticos, no geral, possuem atividade menor das células beta e maior das células alfa. Isto significa que, no final das contas, tudo conspira para que a sua glicemia atinja taxas altíssimas! Já pensou se fosse possível aumentar a quantidade de células beta no pâncreas, para que mais insulina seja produzida, e ao mesmo tempo diminuir a quantidade de células alfa, fazendo com que menos açúcar fosse liberado no sangue?

Foi isto que uma equipe de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, conseguiu fazer.

O pesquisador Klaus Kästner, líder do projeto de reprogramação celular para tratar o diabetes.

O pesquisador Klaus Kästner, líder do projeto de reprogramação celular para tratar o diabetes.

 

A técnica de recrutamento do professor Klaus

Uma estratégia clássica de grupos de pesquisa em diabetes espalhados pelo planeta é tentar aumentar o número de células beta no pâncreas dos pacientes. O resultado, com alguma sorte, seria o de bloquear o avanço da doença. Para isto, já foram testadas técnicas com células-tronco e reprogramação de células adultas. O problema, porém, é que é muito difícil gerar, em laboratório, um número grande de células beta eficientes.

Em vista disto, a equipe liderada por Klaus Kãstner – professor de genética e membro do Instituto de Diabetes, Obesidade e Metabolismo da Escola Perelman de Medicina da Universidade da Pensilvânia – resolveu adotar uma estratégia diferente.

As “instruções” para que uma célula beta seja uma célula beta, e uma célula alfa aja como uma célula alfa, estão contidas no DNA da pessoa. Exatamente o mesmo DNA – as mesmas informações – está presente nos dois tipos celulares. O que acontece é que apenas uma parte destas instruções é “lida” por cada uma das células. Por exemplo, para funcionarem, as células beta “lêem” as informações do DNA sobre “como ser uma célula beta”; se uma célula alfa quiser “ler” estas mesmas informações, encontrará dificuldades, uma vez que este trecho do DNA se encontrará bloqueado para elas.

O que os cientistas fizeram foi remover este bloqueio ao DNA, permitindo que as instruções de células beta pudessem “funcionar” em células alfa. Após certos tratamentos químicos nas células alfa, uma considerável parte delas mudou suas atividades e se transformou, efetivamente, em células beta!

“Esta seria uma situação duplamente benéfica aos diabéticos – eles teriam mais células beta, produtoras de insulina, e menos células alfa, produtoras de glucagon”, disse o professor Kästner. Sobre a idéia de como fazer a pesquisa, ele afirmou que “De certa maneira, parece que as células alfa humanas estão em um estado (epigenético) “plástico”. Nós pensamos que poderíamos utilizar este fato para reprogramar as células alfa para o fenótipo de células beta, para que houvesse a produção da tão necessitada insulina”.

De fato, sua idéia deu certo. Os resultados são preliminares, mas enchem de esperanças a criativa equipe de cientistas, além de milhões de diabéticos mundo afora. O estudo foi publicado online na mais recente edição do periódico Journal of Clinical Investigation.

 

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  • silvana alencar

    Espero que encontrem uma solução para que em dibetes tanto a 1 como a 2.

  • Renata Fialho

    Que FELICIDADE e ESPERANÇA vocês da Diabeticool nos trazem junto aos Médicos/Pesquisadores, posso dizer que todos estão sendo ABENÇOADOS por ENERGIAS POSITIVAS e AMOR…Cada dia que abro meu e-mail tenho á ESPERANÇA de poder dizer aos diabéticos que conheço que brevemente terá cura…Meu enteado tem apenas 11 anos e toda uma vida pela frente, imaginem ele sem a diabetes Tipo 1??? Será tudo de melhor para ele e para nós que lutamos junto para que um dia tenha cura…Muito Obrigada e que continuem as pesquisas e logo à cura se Deus assim quiser…Abraços!

  • Geni Dariva

    Estou esperançosa de que esta pesquisa seja realmente realidade em seus resultados. Tem muita gente diabética e está sofrendo um bocado por isso.
    Os alimentos não poderiam ser armas para os diabéticos, mas o são.
    Obrigada pelos estudos e pelo carinho científico.

  • Angelina Ramos

    O meu filho tem 11 anos e tem Diabetes tipo 1 há 2 anos e meio, não imagino a sua vida toda dependente. É o meu sonho, que eu acredito que se vai realizar. Bem hajam