Como achar um diabético com um microscópio

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Chineses descobrem que diabéticos e não-diabéticos possuem seres vivos bem diferentes morando dentro de seus corpos.

Estamos nos referindo, mais especificamente, à rica fauna de bactérias que habitam o sistema digestivo humano. Estes microscópicos seres vivos são tão numerosos que acredita-se que existam cerca de 1000 espécies vivendo nas nossas entranhas. Para cada célula humana, são 10 microorganismos compartilhando espaço no estômago, intestinos e demais órgãos internos. E isto é bom, uma vez que as bactérias nos ajudam a digerir alimentos e liberar nutrientes.  A não ser que estejamos doentes e debilitados, o tipo e a quantidade de bactérias mantêm-se constante entre todas as pessoas. Isto é, desde que ela não seja diabética.

Uma pesquisa publicada na última edição da aclamada revista científica Nature, realizada no instituto BGI-Shenzhewn, na China, descobriu que a fauna bacteriana de diabéticos tipo 2 é tão diferente daquela de pessoas saudáveis que este fato pode ser usado para identificar quem tem ou não a doença.

Vamos às diferenças! Em pessoas com diabetes tipo 2, os cientistas encontraram menor produção de butirato pelas bactérias, menor metabolismo de cofatores e motilidade comprometida. Calma, vamos explicar cada ponto! O butirato é uma molécula ligada à facilidade na digestão de alimentos e produção de enzimas digestivas. Além disso, ela é importante na manutenção saudável dos tecidos do trato digestivo, em seu desenvolvimento e reparo. Já os cofatores são compostos químicos que atuam como “ajudantes” em vários processos celulares. Motilidade é um termo que se refere à facilidade das células em se mover, mudar de formato ou se dividir. Ou seja, os três elementos são muito importantes na manutenção de um sistema digestivo ativo e sadio, o que nos leva a imaginar que os voluntários diabéticos do estudo possivelmente apresentavam maiores índices de problemas gástricos e de nutrição.

Além disso, os chineses também notaram componentes “estranhos” nos tratos digestivos dos diabéticos. Foram identificadas proteínas e patógenos oportunistas que afetam vários processos do metabolismo das células, como resistência à medicamentos e o stress oxidativo.

O Ph.D. Junjie Qin, líder do estudo, disse que seu trabalho vem mostrar que conclusões anteriores, as quais sustentavam que as diferenças de fauna bacteriana entre seres humanos eram devidas somente a efeitos do ambiente, devem ser revistas.

 

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