Como a falta de dinheiro dificulta tratar o diabetes

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Pesquisa norte-americana mostra que, quando o dinheiro está curto, o controle do diabetes é ruim mesmo na presença de bons médicos.

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Cuidar do diabetes é uma tarefa enorme: exige dedicação, paciência e muito esforço. E não é só isso: em boa parte dos casos, exige, também, bastante dinheiro. Um novo trabalho científico, realizado por pesquisadores do Massachusetts General Hospital, em Boston, EUA, mostra que a falta de recursos financeiros por parte do diabético pode se traduzir em problemas graves de saúde mesmo que ele receba cuidados médicos de qualidade.

O estudo foi publicado na mais recente edição da revista científica JAMA Internal Medicine.

Mais de 400 diabéticos norte-americanos foram analisados na pesquisa. Todos eles passaram por consultas médicas em centros de saúde dos EUA, inclusive em locais especializados em diabetes. Porém, apesar de receberem tratamento de primeiro mundo, 46% dos pacientes apresentavam controle insatisfatório das metas de glicemia.

Os cientistas buscaram entender o fenômeno em termos econômicos. Se as consultas médicas eram boas, será que problemas de dinheiro estariam influenciando negativamente a saúde das pessoas?

 

QUANDO RAIZ A PROBLEMA ESTÁ NO BOLSO

Dos cerca de 400 voluntários, 19% afirmaram não ter dinheiro suficiente para se alimentar bem todos os dias, ou seja, comprar comida natural e nutritiva. Alimentar-se bem é parte essencial da rotina de quem está com diabetes, uma vez que refeições desbalanceadas, repletas de carboidratos e gorduras, geram efeitos negativos no curto e no longo prazo, além de dificultarem o controle da doença.

Além disso, quase 30% dos voluntários disseram não ter dinheiro suficiente para comprar os medicamentos necessários todos os meses. Outros problemas de instabilidade financeira foram observados em pelo menos 15% dos participantes do trabalho.

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De acordo com as análises dos pesquisadores, estes problemas financeiros estão correlacionados a uma pior qualidade de vida e a um controle do diabetes deficiente nos pacientes. Quem relatou dificuldades em se alimentar bem, por exemplo, apresentou controle glicêmico pior; aqueles que acusaram não ter dinheiro para comprar medicamentos eram muito mais propensos a visitar os serviços de emergência hospitalar, devido a complicações do diabetes descontrolado.

De acordo com os pesquisadores, o estudo mostra que os serviços públicos de saúde não devem apenas focar em oferecer mais médicos à população; eles devem, também, ajudar a suprir necessidades do paciente que estão além do consultório médico. “Em particular, a insegurança alimentar e uso insatisfatório de medicamentos devido ao custo são alvos promissores no combate ao diabetes no mundo real”, afirmam os cientistas.

 

CUIDAR DO DIABETES CUSTA CARO, TANTO AQUI QUANTO LÁ FORA

Apesar de muitos países oferecerem serviços públicos de saúde, como é o caso do SUS brasileiro, na maioria das vezes a ajuda governamental não é suficiente para garantir o bom controle da doença, obrigando o diabético a investir grandes somas todos os meses em medicamentos, tiras de medição e acessórios que ajudem a garantir mais saúde.

Um estudo da Sociedade Brasileira de Diabetes divulgado em 2012 apontou que, em média, um diabético que utiliza o SUS para atendimentos básicos ainda assim desembolsa mais de R$5 mil por ano no controle da doença. Caso opte por atendimento privado, os custos saltam para mais de 12 mil reais anuais.

 

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