Bomba de Insulina é a salvação para quem está com diabetes?

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Conheça as vantagens e desvantagens de utilizar bomba de insulina, um método efetivo, mas nem sempre indicado, de controlar o diabetes.

As inovações tecnológicas em relação ao diabetes surpreendem cada vez mais. Temos novos medicamentos sendo continuamente lançados no mercado, tatuagens que monitorizam a glicemia e coisas que, muitas vezes, desafiam até a nossa imaginação.

Acreditar nos avanços da tecnologia, nos dias atuais, é uma das coisas mais comuns. Como não acreditar, por exemplo, em um aparelho que cabe na palma da mão e que consegue nos conectar ao mundo inteiro, nos entreter com diversos tipos de jogos e – até mesmo! – fazer ligações telefônicas? Sim, me referi aos nossos celulares…

Da mesma forma, muitas pessoas veem as bombas de insulina como a “salvação” para quem tem diabetes. Será mesmo? Para início de conversa, vamos entender o que é uma bomba de insulina.

 

POR DENTRO DA BOMBA DE INSULINA

bombas de insulina diabetes

Bomba de insulina em uso

Um sistema de infusão continuada de insulina – o nome correto do que chamamos, vulgarmente, de “bomba de insulina” – é um aparelho eletrônico, aproximadamente do tamanho de um pager ou telefone celular, que, de acordo com sua programação, envia uma quantidade de insulina ultrarrápida continuamente para a pessoa.

Ela fica ligada à pessoa por um cateter flexível, colocado no tecido subcutâneo – mesmo lugar onde as aplicações de insulina são feitas – e pode ficar presa às roupas por meio de um clipe.

Ela pode, também, enviar doses a mais de insulina ultrarrápida se necessário, e inclusive, alguns modelos têm acesso a sensores de glicemia, que enviam a informação da glicemia aproximada para a bomba; outras têm acesso a smartphones que controlam a bomba à distância; outras mais modernas têm sistemas que, ao detectarem uma hipoglicemia, cortam o envio de insulina para a pessoa por algumas horas, e soam um alarme.

De maneira geral, pessoas com diabetes tipo 1 são as que usam a bomba de insulina, já que desde o momento do diagnóstico precisam de insulina.

 

AS VANTAGENS!

Então, oras, parece que elas são a salvação, não é? Vamos listar as vantagens

  1. Menor número de picadas para aplicação de insulina – em vez de uma picada a cada dose de insulina, o cateter é instalado uma vez a cada três dias;
  2. Flexibilidade para alterar as doses de insulina – por exemplo, colocando uma dose temporária de insulina “basal” (que é enviada lentamente) ou programando a bomba para uma dose de insulina “bolus” (enviada rapidamente), devido à alimentação diferenciada – ou até enviar doses muito pequenas de insulina com maior precisão;
  3. Maior flexibilidade no estilo de vida – por exemplo, para se alimentar ou praticar exercícios físicos;
  4. Melhor controle – na maioria das vezes, reduz o número de oscilações da glicemia.

 

 E AS DESVANTAGENS… 

Aparentemente, as bombas de insulina são aparelhos fantásticos. Mas será que tudo são flores? Vamos ver as desvantagens

  1. Ter um aparelho ligado ao corpo 24 horas por dia – não é possível tirar a bomba para dormir. As exceções são quanto aos horários de banho, determinadas atividades físicas e eventos específicos;
  2. Custo alto – não só da bomba, que muitas vezes chega próximo ao preço de um carro popular, mas também dos insumos descartáveis, como cateteres e reservatórios de insulina, que devem ser utilizados todos os meses;
  3. Risco de cetoacidose diabética em caso de mau funcionamento da bomba, obstrução do cateter ou problemas com a insulina;
  4. Necessidade de comprometimento extremo para com o aprendizado contínuo sobre diabetes. Necessidade de saber realizar perfeitamente a contagem de carboidratos, diagnosticar a causa de uma hiperglicemia e agir na causa (por exemplo, saber se você está ficando doente e tratar um “sick day”, ou dia de doença; ou identificar problemas com a bomba de insulina), entender os funcionamentos da insulina;
  5. NÃO DIMINUI A NECESSIDADE DE TESTES DE GLICEMIA – e esse é um ponto em que as pessoas ficam surpresas. A bomba de insulina precisa de acompanhamento frequente da glicemia, o que leva, muitas vezes, ao aumento do número de testes, por vezes superando seis testes ao dia (o recomendado para pessoas que buscam um bom controle do diabetes);
  6. Não “aposenta” a insulina lenta (basal), nem seringa ou caneta – uma vez que, se houver problemas com a bomba, você precisa ter um “plano B” para não ficar sem insulina!

 

Ou seja, pelo que vimos, a bomba de insulina não é a “varinha mágica” que vai acabar com os problemas do diabetes.

Em casos em que a pessoa está revoltada com o fato de ter diabetes – seja por não aceitar o diabetes, seja por não se adaptar às mudanças necessárias, etc – ela raramente vai se adaptar à bomba – e nesse caso, a bomba de insulina pode não ser a estratégia mais efetiva.

Vamos pensar… se a pessoa já está revoltada e quer se distanciar do fato de ter diabetes… ter acoplado a seu corpo um aparelho que o tempo todo a lembra de que tem diabetes, aumentar a necessidade de picar os dedos para monitorar a glicemia, e ter que entender sobre sua alimentação, funcionamento de insulina, ter sempre um plano B, estar atento às mudanças da glicemia… será mesmo que vai ajudar a superar a revolta?

É, provavelmente, não. Mas, claro, a ideia de controlar a glicemia pode, sim, influenciar positivamente e inclusive ajudar a superar a revolta. Porém, estes são a minoria dos casos.

 

VOCÊ ESTÁ PRONTO PARA UTILIZAR A BOMBA DE INSULINA?

De acordo com o Joslin Diabetes Center – centro de referência em diabetes dos Estados Unidos, afiliado à Faculdade de Medicina de Harvard – a pessoa que quer colocar a bomba de insulina deve fazer a si mesma as seguintes perguntas:

  • Você está pronto para ter conectado ao corpo, o tempo todo, um dispositivo do tamanho de um celular?
  • Você tem expectativas realistas sobre o que é a bomba de insulina?
  • Você está comprometido com o fato de ter que monitorar a glicemia várias vezes ao dia?
  • Você está decidido a contar carboidratos e entender os efeitos da insulina e da atividade física no seu organismo?
  • Você tem uma equipe de saúde multiprofissional – médico, enfermeira, nutricionista, educador físico, psicólogo – que estão familiarizados com bombas de insulina?

É fácil responder “sim”, rapidamente, a todas estas perguntas – principalmente quando a pessoa não conhece a fundo esses temas. Porém, sugerimos que tente cumprir essas “especificações” sem a bomba, ou seja, monitorar várias vezes a glicemia, contar carboidratos corretamente, entender o funcionamento do organismo, entender a equipe multiprofissional… E, então, responder novamente, de cabeça fria, às perguntas.

Philippe Aumond Camille Boivin jacob tatuagem diabetes

O casal Philippe Aumond e Camille Boivin, do Canadá, tatuou bombas de insulina em suporte ao filhinho Jacob, um jovem diabético tipo 1 que passou a utilizar o aparelho.

A mesma coisa se aplica aos sensores de glicemia. Apesar de bastante úteis, é importante lembrar que muitas das vantagens e desvantagens são as mesmas das bombas, e que eles não diminuem a necessidade de testes, uma vez que precisam de calibração constante, já que não medem exatamente a glicose no sangue.

Os sensores medem a glicose presente no líquido que banha as células, e portanto, têm uma concentração de glicose um pouco diferente da glicemia real – e por isso, precisam de calibração. Além disso, é preciso entender como funciona a tendência da glicemia mostrada no sensor – por exemplo, se a tendência é de baixar, será que eu devo diminuir a insulina ou comer algo? Somente sua equipe de saúde saberá orientá-lo corretamente.

 

Então, a mensagem final é: nem sempre as bombas de insulina são a salvação. Elas requerem dedicação e entendimento do diabetes por parte da pessoa que utilizá-las.

Discuta com a sua equipe de saúde sobre as vantagens e desvantagens de usá-la.

Forte abraço, e até a próxima!

ronaldo wieselberg perfil diabeticoolRonaldo José Pineda Wieselberg tem diabetes há mais de 20 anos. É estudante de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSCSP), auxiliar de coordenação do Treinamento de Jovens Líderes em Diabetes da ADJ Diabetes Brasil e Jovem Líder em Diabetes pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), com trabalhos sobre diabetes premiados e apresentados no Brasil e no exterior. Apesar de ter o mesmo nome de vários grandes jogadores de futebol, prefere o xadrez.
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