Bomba de Insulina é a salvação para quem está com diabetes?

3

Conheça as vantagens e desvantagens de utilizar bomba de insulina, um método efetivo, mas nem sempre indicado, de controlar o diabetes.

As inovações tecnológicas em relação ao diabetes surpreendem cada vez mais. Temos novos medicamentos sendo continuamente lançados no mercado, tatuagens que monitorizam a glicemia e coisas que, muitas vezes, desafiam até a nossa imaginação.

Acreditar nos avanços da tecnologia, nos dias atuais, é uma das coisas mais comuns. Como não acreditar, por exemplo, em um aparelho que cabe na palma da mão e que consegue nos conectar ao mundo inteiro, nos entreter com diversos tipos de jogos e – até mesmo! – fazer ligações telefônicas? Sim, me referi aos nossos celulares…

Da mesma forma, muitas pessoas veem as bombas de insulina como a “salvação” para quem tem diabetes. Será mesmo? Para início de conversa, vamos entender o que é uma bomba de insulina.

 

POR DENTRO DA BOMBA DE INSULINA

bombas de insulina diabetes

Bomba de insulina em uso

Um sistema de infusão continuada de insulina – o nome correto do que chamamos, vulgarmente, de “bomba de insulina” – é um aparelho eletrônico, aproximadamente do tamanho de um pager ou telefone celular, que, de acordo com sua programação, envia uma quantidade de insulina ultrarrápida continuamente para a pessoa.

Ela fica ligada à pessoa por um cateter flexível, colocado no tecido subcutâneo – mesmo lugar onde as aplicações de insulina são feitas – e pode ficar presa às roupas por meio de um clipe.

Ela pode, também, enviar doses a mais de insulina ultrarrápida se necessário, e inclusive, alguns modelos têm acesso a sensores de glicemia, que enviam a informação da glicemia aproximada para a bomba; outras têm acesso a smartphones que controlam a bomba à distância; outras mais modernas têm sistemas que, ao detectarem uma hipoglicemia, cortam o envio de insulina para a pessoa por algumas horas, e soam um alarme.

De maneira geral, pessoas com diabetes tipo 1 são as que usam a bomba de insulina, já que desde o momento do diagnóstico precisam de insulina.

 

AS VANTAGENS!

Então, oras, parece que elas são a salvação, não é? Vamos listar as vantagens

  1. Menor número de picadas para aplicação de insulina – em vez de uma picada a cada dose de insulina, o cateter é instalado uma vez a cada três dias;
  2. Flexibilidade para alterar as doses de insulina – por exemplo, colocando uma dose temporária de insulina “basal” (que é enviada lentamente) ou programando a bomba para uma dose de insulina “bolus” (enviada rapidamente), devido à alimentação diferenciada – ou até enviar doses muito pequenas de insulina com maior precisão;
  3. Maior flexibilidade no estilo de vida – por exemplo, para se alimentar ou praticar exercícios físicos;
  4. Melhor controle – na maioria das vezes, reduz o número de oscilações da glicemia.

 

 E AS DESVANTAGENS… 

Aparentemente, as bombas de insulina são aparelhos fantásticos. Mas será que tudo são flores? Vamos ver as desvantagens

  1. Ter um aparelho ligado ao corpo 24 horas por dia – não é possível tirar a bomba para dormir. As exceções são quanto aos horários de banho, determinadas atividades físicas e eventos específicos;
  2. Custo alto – não só da bomba, que muitas vezes chega próximo ao preço de um carro popular, mas também dos insumos descartáveis, como cateteres e reservatórios de insulina, que devem ser utilizados todos os meses;
  3. Risco de cetoacidose diabética em caso de mau funcionamento da bomba, obstrução do cateter ou problemas com a insulina;
  4. Necessidade de comprometimento extremo para com o aprendizado contínuo sobre diabetes. Necessidade de saber realizar perfeitamente a contagem de carboidratos, diagnosticar a causa de uma hiperglicemia e agir na causa (por exemplo, saber se você está ficando doente e tratar um “sick day”, ou dia de doença; ou identificar problemas com a bomba de insulina), entender os funcionamentos da insulina;
  5. NÃO DIMINUI A NECESSIDADE DE TESTES DE GLICEMIA – e esse é um ponto em que as pessoas ficam surpresas. A bomba de insulina precisa de acompanhamento frequente da glicemia, o que leva, muitas vezes, ao aumento do número de testes, por vezes superando seis testes ao dia (o recomendado para pessoas que buscam um bom controle do diabetes);
  6. Não “aposenta” a insulina lenta (basal), nem seringa ou caneta – uma vez que, se houver problemas com a bomba, você precisa ter um “plano B” para não ficar sem insulina!

 

Ou seja, pelo que vimos, a bomba de insulina não é a “varinha mágica” que vai acabar com os problemas do diabetes.

Em casos em que a pessoa está revoltada com o fato de ter diabetes – seja por não aceitar o diabetes, seja por não se adaptar às mudanças necessárias, etc – ela raramente vai se adaptar à bomba – e nesse caso, a bomba de insulina pode não ser a estratégia mais efetiva.

Vamos pensar… se a pessoa já está revoltada e quer se distanciar do fato de ter diabetes… ter acoplado a seu corpo um aparelho que o tempo todo a lembra de que tem diabetes, aumentar a necessidade de picar os dedos para monitorar a glicemia, e ter que entender sobre sua alimentação, funcionamento de insulina, ter sempre um plano B, estar atento às mudanças da glicemia… será mesmo que vai ajudar a superar a revolta?

É, provavelmente, não. Mas, claro, a ideia de controlar a glicemia pode, sim, influenciar positivamente e inclusive ajudar a superar a revolta. Porém, estes são a minoria dos casos.

 

VOCÊ ESTÁ PRONTO PARA UTILIZAR A BOMBA DE INSULINA?

De acordo com o Joslin Diabetes Center – centro de referência em diabetes dos Estados Unidos, afiliado à Faculdade de Medicina de Harvard – a pessoa que quer colocar a bomba de insulina deve fazer a si mesma as seguintes perguntas:

  • Você está pronto para ter conectado ao corpo, o tempo todo, um dispositivo do tamanho de um celular?
  • Você tem expectativas realistas sobre o que é a bomba de insulina?
  • Você está comprometido com o fato de ter que monitorar a glicemia várias vezes ao dia?
  • Você está decidido a contar carboidratos e entender os efeitos da insulina e da atividade física no seu organismo?
  • Você tem uma equipe de saúde multiprofissional – médico, enfermeira, nutricionista, educador físico, psicólogo – que estão familiarizados com bombas de insulina?

É fácil responder “sim”, rapidamente, a todas estas perguntas – principalmente quando a pessoa não conhece a fundo esses temas. Porém, sugerimos que tente cumprir essas “especificações” sem a bomba, ou seja, monitorar várias vezes a glicemia, contar carboidratos corretamente, entender o funcionamento do organismo, entender a equipe multiprofissional… E, então, responder novamente, de cabeça fria, às perguntas.

Philippe Aumond Camille Boivin jacob tatuagem diabetes

O casal Philippe Aumond e Camille Boivin, do Canadá, tatuou bombas de insulina em suporte ao filhinho Jacob, um jovem diabético tipo 1 que passou a utilizar o aparelho.

A mesma coisa se aplica aos sensores de glicemia. Apesar de bastante úteis, é importante lembrar que muitas das vantagens e desvantagens são as mesmas das bombas, e que eles não diminuem a necessidade de testes, uma vez que precisam de calibração constante, já que não medem exatamente a glicose no sangue.

Os sensores medem a glicose presente no líquido que banha as células, e portanto, têm uma concentração de glicose um pouco diferente da glicemia real – e por isso, precisam de calibração. Além disso, é preciso entender como funciona a tendência da glicemia mostrada no sensor – por exemplo, se a tendência é de baixar, será que eu devo diminuir a insulina ou comer algo? Somente sua equipe de saúde saberá orientá-lo corretamente.

 

Então, a mensagem final é: nem sempre as bombas de insulina são a salvação. Elas requerem dedicação e entendimento do diabetes por parte da pessoa que utilizá-las.

Discuta com a sua equipe de saúde sobre as vantagens e desvantagens de usá-la.

Forte abraço, e até a próxima!

ronaldo wieselberg perfil diabeticoolRonaldo José Pineda Wieselberg tem diabetes há mais de 20 anos. É estudante de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSCSP), auxiliar de coordenação do Treinamento de Jovens Líderes em Diabetes da ADJ Diabetes Brasil e Jovem Líder em Diabetes pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), com trabalhos sobre diabetes premiados e apresentados no Brasil e no exterior. Apesar de ter o mesmo nome de vários grandes jogadores de futebol, prefere o xadrez.
+ Quer ler todos os textos de Ronaldo Wieselberg? CLIQUE AQUI!

 

Compartilhe!
  • Bruno Starnini Junior

    Diabético há 35 anos e nesse tempo convivi com todas as “novidades” e “promessas” para o tratamento e o controle do diabetes. A bomba de insulina é um dispositivo interessante. Meu diabetologista recomendou e o laboratório me forneceu uma para uma “test-drive” por um mês inteiro e suprimentos incluídos. Tudo grátis! Topei experimentar e devolvi a geringonça em uma semana. Deixo claro que não teve a ver com a eficácia. Confesso que nunca a minha glicemia foi tão estável como naquela semana. A questão reside na interface, no aparelho em si e no abominável cateter. Tente circular pela Praça da Sé com um aparelho pendurado na cintura que tem cor azulada e painel em LCD. A malandragem sabe, de antemão, que tudo o que é colorido e tem painel de LCD é sinônimo de… coisa boa e cara! Já sentiu o drama, não? Tente, também, viajar em um vagão de trem ou metrô lotados com o bonitinho e colorido aparelho na cintura… Ah! Tente dormir com a namorada acompanhado da gracinha techie pendurada em sua cintura ou em outros locais do seu corpo (sim, algum marqueteiro inventivo do laboratório desenvolveu “bandas elásticas” que podem ser atadas às coxas, às pernas, aos braços… tudo muito funcional). Um verdadeiro “ménage” antiglicêmico… Melhor ainda é jogar futebol com a traquitrana e esbarrar com um zagueirão matador. O cateter, então, por mais que se treine, dói ao ser aplicado e você passa a conviver com belos hematomas na região da barriga. Ao final do sétimo dia, o cateter entupiu… Bem, devolvi ao laboratório a tal bomba e compartilho com vocês a seguinte conclusão: é útil, mas nada funcional. Diabéticos que praticam esportes, mandam bem na dieta e na insulimia não necessitam dessa traquitrana. Diabéticos bem treinados gerenciam com precisão a dose de insulina e a aplicação com um índice de dor e hematomas muito menores – arrisco dizer, inexistentes – do que aqueles que observei com a tal bomba. Agora, se você é um diabético que tem um papai, uma mamãe ou muitos parentes e amigos que adoram “sentir pena” ou afirmar “tadinho, toma tanta injeção”, vai na fé! Você ficará feliz com o brinquedinho até arrumar uma namorada…

  • Mayara rodrigues Silva

    Sou diabética há 10 anos e confesso ser um pouco revoltada com a minha condição, porém pra mim não existe tratamento melhor que a bomba de insulina!! Mesmo com todos os prós (conviver com um aparelho ligado 24h ao corpo, ter me medir a glicemia mais vezes, contar carboidratos e ter uma “coisa” pendurada na cintura 24h por dia!!) foi o tratamento que melhor me adaptei, consigo ficar mais tempo sem comer (sei que não devo, mas não consigo comer sem fome), posso dormir até mais tarde, posso comer uma variedade um pouco maior de alimentos, enfim, posso ter uma vida mais próxima daquela que eu considero normal! Fiz o teste pelo laboratório e me apaixonei, entrei com ação judicial e ganhei a minha querida há um ano e não troco ela por nada!!

  • edvone

    oi fico feliz , meu filho tambem tem ele tem 5 anos como eu faco pra entrar com acao judicial pra mim ganhar um tambem ou sera que ele esta muito pequeno pra usar a bomba de insulina