Aprovado Transplante Revolucionário para Diabetes Tipo 1

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EUA aprovam testes em humanos de revolucionário método de transplante que promete “curar virtualmente” quem está com diabetes tipo 1.

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Este pequeno dispositivo protege preciosas células produtoras de insulina que vivem em seu interior – e pode ser a futura cura do diabetes tipo 1. Créditos: Twitter @HelloMegAnne

Grupos de pesquisa no mundo inteiro tentam, há anos, transplantar células produtoras de insulina em pessoas que não as têm em quantidade suficiente – no caso, diabéticos tipo 1. Vale lembrar: quem está com este tipo da doença possui um sistema de defesa do corpo “falho”, pois ataca as próprias células que produzem insulina (chamadas de células beta); com isso, cada vez menos insulina é produzida, a quantidade de açúcar no sangue aumenta e, assim, surge o diabetes. O grande problema destes grupos de pesquisa é o seguinte: como garantir que as células transplantadas sobreviverão ao ataque do sistema imune do diabético?

Muitas soluções foram propostas, incluindo “reprogramar” as células a serem transplantadas para que o sistema imune não as reconheça e, assim, não inicie o ataque. Infelizmente, os resultados dos testes clínicos não mostraram grande sucesso, e diversas terapias foram descartadas.

A idéia de transplantar células beta novas em diabéticos tipo 1, porém, continua viva. E recebeu um estímulo importante na última sexta-feira, quando o governo norte-americano aprovou o teste em humanos do sistema VC-01, um método revolucionário de implante de células beta saudáveis que utiliza uma moderna cápsula protetora para defendê-las de ataques do sistema imune.

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Esquema de funcionamento do moderno sistema VC-01. Editado do site da fabricante.

O sistema VC-01 significa “Virtual Cure”, ou “Cura Virtual”, e é produzido pela empresa de biotecnologia ViaCyte. O nome é adequado pois, segundo a fabricante, ele “tem o potencial de ser uma cura virtual para o diabetes tipo 1”.

O sistema consiste em um aplique do tamanho de um band-aid e espessura de um cartão de crédito (foto no topo da página) que é implantado sob a pele do paciente, através de uma cirurgia simples, rápida e indolor.

Este dispositivo contém, dentro dele, células iguais às que um pâncreas normal possui, envolvidas por uma cápsula protetora. Esta cápsula permite que nutrientes, glicose e oxigênio cheguem às células, alimentando-as, e que os hormônios produzidos lá dentro (entre eles a insulina) possam sair para a corrente sangüínea.

Apesar deste entra-e-sai de moléculas, elementos do sistema imune são barrados ao tentar penetrar na cápsula; portanto, as novas células ficam protegidas de ataques e podem funcionar normalmente.

Milhares de testes em animais diabéticos já foram realizados, com sucesso, utilizando o VC-01. Agora, com a aprovação norte-americana, os primeiros testes com humanos poderão começar.

A expectativa é que, em poucos anos, o VC-01 possa ser utilizado em humanos e, caso funcione como esperado, poderemos estar diante do fim das injeções diárias de insulina, além de riscos menores de hipoglicemias e redução no número de complicações à saúde causadas pelas variações na quantidade de açúcar no sangue.

A maior prova de que o sistema VC-01 é um promissor tratamento para o diabetes vem dos investidores. A gigante farmacêutica Johnson & Johnson recentemente investiu mais de R$45 milhões na ViaCyte.

É hora de torcer para que tanta promessa – e tecnologia! – mostre-se também um sucesso na prática.

 

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