Aprovado: saiba a glicemia o tempo todo, no celular (e com menos picadas!)

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Governo dos EUA aprova, pela 1ª vez, venda de monitor contínuo de glicemia que envia os resultados direto para o telefone. Veja como funciona.

ver glicemia celular

Saber a glicemia pelo celular: praticidade e discrição ajudam no bom controle do diabetes.

Uma das partes mais “trabalhosas” de tratar o diabetes é medir a glicemia. Saber a quantidade de açúcar no organismo é fundamental para manter a boa saúde, mas requer diversas picadas para coleta da gotinha de sangue e leitura pelos glicosímetros. A situação não é fácil: além de ser dolorido e incômodo, muita gente não gosta de coletar em público.

2015 começa com uma boa notícia para quem precisa checar constantemente a glicemia. A FDA, agência regulatória norte-americana, aprovou a venda de um sistema de monitoramento contínuo de glicemia que requer um número bem menor de picadas e que transmite os dados diretamente para iPhones.

É a primeira vez que um glicosímetro deste tipo é aprovado nos EUA. O que existe, hoje, são glicosímetros tradicionais (os das picadas) que enviam os dados para telefones, mas nenhum monitor contínuo havia recebido, até então, aval para utilizar a tecnologia.

 

SISTEMA DEXCOM: MENOS PICADAS POR SEMANA, GLICEMIA A TODA HORA

A nova tecnologia aprovada faz parte do sistema de controle do diabetes da empresa Dexcom. Hoje, a Dexcom já vende monitores contínuos de glicemia, mas nenhum deles se comunica diretamente com o telefone. A vantagem da aprovação da FDA é que o diabético poderá saber a glicemia de maneira muito mais rápida e prática, com uma simples olhada no visor do celular – um aparelho sempre à mão nos dias de hoje.

+ SAIBA MAIS: Tecnologia brasileira funciona de maneira similar à da Dexcom! Leia na matéria.

Além disso, poderá transmitir os dados para até cinco pessoas – o que promete fazer sucesso com quem gosta de mostrar a glicemia para os médicos e parentes.

dexcom aplicacao sensor

O sensor de glicemia é aplicado uma vez por semana, com o auxílio de uma prática seringa especial.

O sistema funciona assim: uma vez por semana, cola-se uma base plástica pequena e discreta na pele, geralmente na região abdominal. Com a ajuda de uma espécie de seringa bojuda, aplica-se o sensor de glicose sob a pele, logo abaixo da base plástica. O processo é rápido e relativamente fácil. Segundo a empresa fabricante, a injeção do sensor dói tanto quanto uma picadinha no dedo para coletar uma gota de sangue.

dexcom receptor

Depois do sensor ter sido injetado, é hora de conectar o transmissor, que envia os dados de glicemia para serem interpretados.

A seguir, basta encaixar o transmissor de sinal na base plástica. A partir deste momento, o sensor sob a pele passa a medir a quantidade de açúcar presente no fluido intersticial e a enviar as informações para o transmissor. Este, por sua vez, envia os dados para o receptor, aparelho que lembra um pequeno rádio. O receptor interpreta os dados e será capaz de enviá-los para os telefones celulares.

Apesar de dar um pouquinho de trabalho, vale a pena notar que, uma vez instalado o dispositivo, a glicemia poderá ser medida a qualquer momento, com uma simples olhadela no visor do celular.

 

COMUNICAÇÃO COM CELULAR APROVADA PELA PRIMEIRA VEZ

O anúncio da aprovação do novo sistema da Dexcom abre caminhos promissores para tratamentos mais tranquilos do diabetes no futuro. Agora, empresas que queiram lançar glicosímetros que se comunicam diretamente com aparelhos celulares não precisarão passar por entraves burocráticos intensos antes de serem vendidos.

Outra vantagem da aprovação é que desenvolvedores de aplicativos para telefones já estão de olho na nova tecnologia. Podemos esperar, para o futuro próximo, uma grande quantidade de apps que trabalham a partir das informações coletadas nos glicosímetro internos, ajudando a montar refeições, contar carboidratos ao longo da semana e planejar melhor a rotina do dia-a-dia, garantindo uma glicemia perfeita a todo momento.

 

PONTOS NEGATIVOS: CUSTOS, CALIBRAGEM E ACESSÓRIOS

É bom notar que nem tudo são flores no caso do novo sistema Dexcom de monitoramento da glicemia.

Alguns pontos negativos são óbvios: a instalação do sensor de glicemia é um método invasivo, que pode causar desconforto (e levar a infecções, caso seja aplicado incorretamente ou em locais inadequados).

Além disso, o aparelho é caro. O sistema Dexcom custa por volta de 300 dólares. Incluindo importação e lucro sobre a venda, pode-se esperar um preço mínimo no Brasil de R$1.200. Isto sem contar os sensores de glicemia, que devem ser trocados a cada semana e comprados separadamente.

receptor dexcom diabetes

O receptor, dispositivo que interpreta os dados do sensor de glicose, deve ser levado junto à pessoa para que a comunicação com o celular funcione.

Outro ponto importante: o produto ainda não é regulamentado no país, nem mesmo as versões mais antigas (que não se comunicam com telefones). Comprar o Dexcom por aqui, portanto, ainda deve levar um bom tempo.

Apesar da praticidade de ler a glicemia no celular, é imprescindível que o usuário continue utilizando o receptor de dados da Dexcom. Este é o aparelho que lembra um radinho e “interpreta” os dados do sensor de glicemia. É este receptor que envia os dados para o celular – então ele tem sempre que estar por perto para a glicemia poder ser lida.

Ademais, é bom lembrar que o sistema precisa ser calibrado periodicamente, e isto é feito através da coleta tradicional de sangue na pontinha do dedo. O receptor avisa quando é hora de calibrar, geralmente a cada 12 horas. Ou seja, pode-se esperar entre 1 e 2 picadas nos dedos ao longo de um dia, mesmo usando o Dexcom – a vantagem é que, fora isto, pode-se acompanhar a glicemia a todo momento sem maiores desconfortos.

 

O novo aparelho deve começar a ser vendido nos Estados Unidos em março deste ano. No mínimo, ele representa mais um passo evolutivo rumo a um controle mais prático, indolor e eficiente da glicemia. De fato, 2015 começa com mais uma boa novidade para quem convive com o diabetes.

 

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