Alerta para usuários do medicamento Onglyza

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Painel de especialistas norte-americanos demonstra preocupação quanto a possíveis efeitos negativos do Onglyza – utilizado para baixar a glicemia – na saúde do coração.

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Esta semana, um painel de especialistas da FDA – a Federal Drug Administration, uma espécie de ANVISA dos EUA – se reuniu para discutir a segurança do antidiabético Onglyza, fabricado pela AstraZeneca. Após a reunião, o grupo sugeriu que novas advertências sobre possíveis efeitos colaterais no coração dos usuários sejam incluídas na bula do medicamento.

Os especialistas analisaram dados de um estudo que envolveu mais de 16 mil usuários de Onglyza. Tal estudo foi requerido pela FDA em 2008, após uma série de controvérsias envolvendo medicamentos antidiabéticos sendo ligados a ataques cardíacos.

O estudo mostrou que, apesar do Onglyza não ter sido associado a ataques cardíacos, ele foi, de fato, associado a episódios mais freqüentes de insuficiência cardíaca – isto é, quando o coração “perde força” e não consegue bombear sangue suficiente para o corpo.

Existem, porém, problemas nesta conclusão. Em primeiro lugar, os usuários participantes do estudo já mostravam predisposição a problemas cardíacos, o que pode ter enviesado os resultados. Além disso, o estudo foi criado para analisar os riscos de ataques cardíacos e derrames nos usuários, não insuficiência cardíaca, o que também pode ter gerado dados pouco confiáveis.

“Eu não acho que nós resolvemos nossas preocupações quanto ao risco cardiovascular [do Onglyza]”, disse o dr. Robert Smith, professor da Universidade Brown e presidente do painel da FDA.

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Na dúvida, é provável que a FDA oriente a AstraZeneca a incluir, nos rótulos do Onglyza, a informação de que o medicamento poderá causar efeitos colaterais em pessoas com predisposição a problemas cardíacos. O painel pediu novos estudos que ajudem a confirmar a real influência do medicamento no funcionamento do coração.

A eficiência do Onglyza no combate ao excesso de açúcar no sangue não foi questionada pelos analistas.

Onglyza e Kombiglyze (outro que deverá receber advertências sobre efeitos no coração) são medicamentos da classe dos inibidores de DDP-4, lançada há poucos anos pela indústria farmacêutica. Junto a eles estão o Januvia e o Trayenta, da Eli Lilly e Boehringer Ingelheim. Em termos simples, eles funcionam aumentando os níveis de insulina produzidos pelo corpo após as refeições, limitando a quantidade de açúcar liberado pelo fígado e reduzindo as taxas de açúcar circulantes no sangue. Todos estes fatores ajudam a reduzir a glicemia em quem convive com o diabetes tipo 2.

 

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  • Olívia Carvalho

    Porque re

  • Aldo Francisco De Lemos Brenne

    Perdoe-me, mas dizer que a FDA americana é uma “espécie” de ANVISA, é rebaixar a FDA… A FDA é um órgão competentíssimo, reconhecido mundialmente, se não o mais importante órgão ligado à saúde, internacional! Procure se informar mais acerca da FDA!

  • Oi, Aldo, tudo bem?

    Conhecemos bem a FDA e os trabalhos realizados pelo órgão, tanto os pontos positivos quanto os negativos. A analogia com a ANVISA no texto é em relação à área de atuação, somente, para que os leitores possam compreender melhor o texto, ok?

    Um abraço,