1% menos HbA1c, 50% a mais de vida

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Estudo sueco mostra que diminuições mínimas nas taxas de hemoglobina glicada (HbA1c) resultam em enormes melhoras à saude.

Hemoglobinas são as proteínas que carregam oxigênio dos pulmões para o restante do organismo, viajando pelo sangue. Em diabéticos, é muito comum a presença de quantidades elevadas de hemoglobina glicada, ou HbA1c. A hemoglobina glicada é formada quando uma hemoglobina entra em contato com a glicose no sangue. Como diabéticos costumam ter mais glicose no sangue do que o normal, suas taxas de HbA1c são maiores. Através de medições da quantidade de HbA1c na corrente sangüínea, é possível inferir como a glicemia de uma pessoa se comportou ao longo do tempo. Por isso, é muito comum o acompanhamento de HbA1c em diabéticos, a fim de se determinar os melhores passos para o tratamento.

Uma recente e abrangente pesquisa sueca estudou idosos diabéticos tipo 2 e a evolução das suas taxas de hemoglobina glicada. No total, participaram mais de 12 mil e trezentas pessoas. Todas elas não cuidavam direito do diabetes e estavam acima do peso, porém não tinham problemas cardiovasculares. O trabalho foi realizado pela Universidade de Gotemburgo e abrangeu um período de 5 anos.

Como o experimento funcionou

Os pacientes foram divididos em dois grupos. Um deles, aos longos dos cinco anos, incluía pessoas que diminuíram as taxas de hemoglobina glicada em pelo menos 0,1%, devido a melhoras nos cuidados do diabetes. O outro grupo continha aqueles nos quais as taxas aumentaram em pelo menos 0,1%. No início do estudo, a taxa média de hemoglobina glicada nos dois grupos era de 7,8%. Ao final, a média do primeiro grupo foi de 7%, e do segundo 8,4%.

Após os cinco anos, as taxas de mortalidade dos dois grupos mostraram uma considerável diferença. Do grupo que diminuiu as taxas de hemoglobina glicada, 10% dos pacientes faleceram. Do grupo que aumentou as taxas, o número pulou para 15%, um aumento de 50%. E não foi só isso: a incidência de doenças coronárias foi de 12% no primeiro e 20% no segundo grupo. Doenças cardiovasculares surgiram em apenas 17% dos integrantes do primeiro grupo e em 30% dos do segundo.

A conclusão é clara: uma diminuição pequena nos níveis de hemoglobina glicada (de menos de 1%!) aumenta a expectativa e a qualidade de vida de diabéticos, evitando doenças cardiovasculares. Interessante notar que o valor alcançado pelo melhor grupo (7% de HbA1c no sangue) está 100% de acordo com o padrão sugerido pela American Diabetes Association para pessoas idosas.

 

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